IAMDDB: “Ainda há todo um legado para construir”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Haris Nukem

À terceira foi de vez. Estávamos em 2017 quando IAMDDB deu a conhecer ao mundo Hoodrich Vol.3, curta-duração que continha o singleShade”. O registo mais sombrio de Diana de Brito colocou meio mundo de olhos postos em si, valendo-lhe menções em algumas das principais publicações dedicadas à música urbana e a primeira digressão internacional. Lisboa, por exemplo, rendeu-se à britânica, que tem sangue português e angolano, na edição de 2017 do Vodafone Mexefest.

Waeveybby Vol.1, Vibe Vol.2, Hoodrich Vol.3, Flightmode Vol.4 e Swervvvvv Vol.5 foram os cinco projectos que lançou até ao momento — o mais recente aterrou a 22 de Fevereiro nas plataformas digitais –, todos eles com demonstrações da panóplia de géneros que a sua música consegue atravessar. Dias antes da edição de Swervvvvv, a Forbes destacou a artista na sua compilação anual de talentos 30 Under 30.

IAMDDB prepara agora uma nova apresentação em solo lusitano, a 29 de Março, que se materializará pela mão do festival ID, cuja edição de estreia toma de assalto o Centro de Congressos do Estoril na próxima semana.

Antes do regresso a Portugal, o Rimas e Batidas teve a oportunidade de conversar com a MC/cantora sobre o seu percurso até aqui.



Vamos falar sobre a tua (ainda) curta carreira. Como é que tudo começou?

A minha primeira experiência aconteceu em 2017, quando conheci o meu agente. O resto é história. Fomos capazes de redesenhar todo o conceito de música e indústria de uma só vez, alcançando, em menos de um ano, coisas que alguns artistas esperam uma carreira inteira para alcançar.

O que te inspira a escrever? Começas pela letra e procuras um instrumental depois ou é a própria batida que alavanca todo o processo?

Eu não escrevo com regularidade, apenas quando é necessário, porque não gosto de desperdiçar ideias se não as conseguir “atar” [umas às outras] no momento. Gosto de começar com o beat e depois trabalho à volta dele. É tudo um fluxo de vibrações.

Tu lançaste cinco volumes de música até agora. Como é que descreverias a tua evolução desde o Waeveybby Vol.1, tanto sónica como liricamente?

Tem sido uma grande experimentação com emoções, experiências, pensamentos e sonhos. Pude explorar géneros que me são menos próximos e criar vibrações incríveis. É tudo um processo de aprendizagem.

O Swervvvvv é o quinto episódio na tua série de EPs. O que nos podes desvendar acerca destas novas faixas? São uma extensão daquilo que tens feito até agora ou há aqui novas abordagens a sonoridades e métodos?

São uma extensão e uma conclusão desta série. Boas vibrações e música de fácil digestão que eu espero que faça as pessoas sentirem algo. A partir daqui vamos continuar a fluir e a criar momentos.

Sendo este o último Volume, podemos esperar um álbum como próximo passo? Achas que o conceito de álbum ainda é relevante nos dias de hoje?

As pessoas consomem música mais rápido do que antes, o que faz com que a música perca o efeito nostálgico. É por isso que não me apresso a editar material. Acho que as pessoas já não apreciam tanto os álbuns, da mesma forma que acho que os artistas já não apresentam as suas obras como tal. Mas estou feliz e entusiasmada para criar um catálogo sólido.

Estiveste recentemente no radar da Forbes, que te colocou numa das turmas na rubrica anual 30 Under 30. Como é que te sentiste com a notícia? Achas que já cumpriste alguns dos teus objectivos pessoais ou há ainda muito mais para alcançar?

Pois foi [risos]! Vejo-me como um unicórnio, uma lufada de ar fresco entre tanta poeira, sem ofensa. Alcancei coisas sobre as quais apenas poderia sonhar, mas o meu apetite e a minha ambição estão sempre por saciar. Por isso, acho que ainda há todo um legado para construir.

Arrancas a tua digressão de 2019 em Portugal. O que podemos esperar do teu concerto no ID?

Boas vibrações, energia e música com alma.


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

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