Holly sobre o Coachella 2019: “Foi um momento muito importante e especial para mim”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Austin Monte

O provincianismo muito comum de exultarmos os “nossos” na altura em que fazem algo fora dos limites territoriais de Portugal não se encaixa na narrativa dos feitos de Miguel Oliveira, mais conhecido no mundo da música como Holly. As digressões pelo mundo fora, as colaborações com milhentos artistas nacionais e internacionais e a produtividade sobre-humana serviriam de factura para os não-crentes, mas a actuação no Coachella, um dos maiores festivais do mundo, abriu-lhe as portas na imprensa tradicional, que finalmente se virou para um dos produtores nacionais que mais potencial revelou nos últimos anos.

Num percurso em permanente ascensão — a lista de objectivos deve estar a ser riscada a uma velocidade fulminante –, a sensação que dá é que o melhor ainda estará para vir: palcos maiores e placements em canções de músicos de outra escala não parecem longe da vista, neste momento.

Estivemos à conversa com o artista português e tentámos perceber o que se passou antes, durante e depois da sua estreia no evento norte-americano. Para acompanhar as palavras do próprio, podem ouvir, em primeira mão no Rimas e Batidas, o seu set no Coachella 2019.


Holly – Live @ Coachella 2019 by Holly

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[O planeamento e a execução]

“Queria fazer algo diferente e especial tendo em conta o festival que é, mas por outro lado ando a curtir muito a maneira como ando a tocar e o que ando a passar e senti que devia manter assim para me divertir o máximo possível em palco. De qualquer modo acabei por passar mais sons que eu fiz do que o usual no meu set e trouxe comigo o meu amigo rapper Young Lyxx para participar e tocar alguns dos sons em que temos trabalhado.”


[A organização do festival]

“Tudo on point! O Coachella fica em Indio, que é mais ou menos duas/três horas de Los Angeles, por isso eu fiz a viagem de carro na quinta à noite, dormi na casa de uns amigos e sexta-feira de manhã fui para o festival. A organização é mesmo perfect e quando cheguei bastou fazer o check-in para ter a pulseira e andar naqueles carrinhos de golf directo do parque de estacionamento ao palco.”


[A performance em si e o seu impacto]

“Acho que correu bem!! Eu diverti-me bué e foi um momento muito importante e especial para mim. Também tive uma grande reação e bom feedback por parte do público. Tive bastante gente de vários cantos do mundo a mandar-me mensagem a dar os parabéns e a dizer que estavam orgulhosos, etc. Mas eu tento nunca ligar muito a isso! Sinto-me bem, é sempre bom ter love de quem te segue e gosta de ti, mas tento manter a minha cabeça limpa e afastada de feedbacks para estar mais focado nos meus próximos objectivos.”


[As interacções com outros artistas e os concertos em destaque]

“Eu tinha a pulseira de artista o que faz com que possa ir basicamente a todo o lado no Coachella. Estive mais com amigos meus que também estavam a tocar, mas quase que conheci o Aphex Twin por uns segundos, conheci o DMX e alguns DJs americanos de cujo trabalho gosto muito .

A parte brutal é que não há um concerto que não curtas — tens que destacar tudo! Toda a gente tem uma performance incrível que te deixa mesmo a bater mal. Não vi muita coisa, mas adorei Nicole Moudaber, Diplo, Aphex Twin, Billie Eillish, Childish Gambino, Tame Impala, Four Tet, Ookay, Juice WRLD e a lista continua [risos].”


[A “missa” de Kanye West]

“Foi a melhor de todas. Estava a pensar mais em cenas que vi mesmo no recinto. Sim, a do Kanye foi brutal. Melhor experiência musical que tive até hoje. Foi muito espiritual. 

O timing (era Domingo de Páscoa), todas as mensagens que eles estavam a passar. A performance foi incrível, mas há algo de muito especial que estava ali que não é possível passar através de fotos ou vídeos. A energia que estava ali era mesmo sagrada. Não há nada que sinta que vá viver que consiga reproduzir essa energia de novo.”