Gaika traz o seu “império espectacular” à Galeria Zé dos Bois na próxima sexta-feira

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Campbell Addy

A revista Dazed, que recentemente nomeou Gaika como editor honorário de política, descrevia o trabalho do artista britânico como versando sobre a cidade: “a sua escuridão, o seu amor, as suas injustiças”. Em finais de 2016, em entrevista com Ricardo Miguel Vieira do Rimas e Batidas a propósito da sua estreia na Warp, Gaika explicava a sua abordagem criativa: “Todos os meus projectos são conceptuais, existem no seu próprio espaço. Podem conter alguma ligação a outros espaços, mas resistem como um só. Sinto que Spaghetto é uma espécie de colecção de músicas de amor que se insere num projecto artístico mais vasto. É sobre muitas coisas, mas sobretudo emoções que todos sentimos, particularmente amor e paixão.”

É este amor e paixão e a ideia que tem sobre a cidade que Gaika vai trazer até à ZDB numa noite que ele mesmo programa e que além de uma nova apresentação da sua pessoa em Lisboa marca a estreia de uma série de outros protagonistas deste presente mais canhoto que a moderna electrónica londrina tem para oferecer ao mundo: Flohio, 808INK e Gloria também pisarão o palco ao seu lado, ajudando dessa forma a compor uma bem mais nítida imagem do universo que neste momento rodeia o artista da Warp.

Natural de Brixton, epicentro de um pulsar muito particular da cidade de Londres, Gaika marcou óbvios pontos com Spaghetto, um EP desenhado para mostrar a amplitude da sua visão musical. Sobre beats de progressão lenta que parecem erguer-se sobre desoladas paisagens industriais, Gaika vai desenrolando crónicas de uma negra visão da cidade como espaço de confrontos entre pessoas e políticas, entre o capital e os sonhos, gerando um clima opressivo de insegurança que o inspira criativamente e que o leva a devolver-nos arte que não é fácil nem conformada com ideias pré-concebidas. Ele diz que são canções de amor e talvez sejam mesmo.

Em planos paralelos viajam Flohio, rapper londrina que já este ano colaborou com a dupla de beatmakers Good Colony, os 808INK, dupla de MCs também oriunda do sul da capital britânica, e Gloria, vocalista que investe pelos terrenos de um r&b mais futurista. Juntos compõem o elenco do drama orquestrado por Gaika em mais uma paragem do seu Spectacular Empire, digressão que tem serpenteado por diversas capitais europeias e que agora aterra em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois.

O Rimas e Batidas está a oferecer dois bilhetes simples para o evento de sexta-feira. Entrem na nossa página de Facebook e participem.

 


Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
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