FRNKLN: “Vou tentar ser paciente e ter a certeza que dou os passos certos”

FRNKLN lançou ontem “Slipknot”, tema que conta com a preciosa ajuda de Kidonov. Além da produção do instrumental, o autor de “Shudda” gravou, misturou e masterizou a faixa e ainda filmou o videoclipe.

Lançada há quase dois anos, “KABUKI” foi a música que colocou FRNKLN no alcance do radar do Rimas e Batidas. Após esse promissor tema de apresentação, João Giga viu-se obrigado a colocar o projecto em pausa enquanto lidava com indecisões internas sobre o próximo passo na carreira.

Longe da vista e dos ouvidos do público, sem voltar a somar qualquer edição, FRNKLN não deixou de trabalhar na sua música e durante este período aproximou-se de Kidonov, músico que atravessou uma fase artística semelhante à sua.

Agora que quebrou o jejum editorial, é tempo de voltar a estúdio para continuar a fechar canções, sem planos de maior dimensão para o que ainda falta neste ano de 2019: “Tenho algumas tracks que pouco falta para estarem concluídas, mas depois de dois anos sem lançar música nova vou tentar ser paciente e ter a certeza que dou os passos certos.”



Já faz quase dois anos desde que te deste a conhecer com a “KABUKI”, período durante o qual não voltaste a lançar música. O que te fez colocar o projecto em stand-by, longe da vista do público?

Não foram anos fáceis a nível artístico ou pessoal. Muitas vezes desmotivei, receava talvez não estar pronto. Não parei de produzir, nunca, mas também não achei que devesse expor o meu trabalho. De certa forma, foi uma fase em que questionei o que realmente é importante para mim como artista. Ser fiel ao que realmente quero sonicamente, ou tentar encontrar um meio termo no qual não perco a minha identidade e ainda assim consigo chegar a um público mais amplo.

Podemos assumir que aproveitaste este tempo para acumular mais material e até para renovares a estética com que pretendes apresentar-te daqui para a frente? O que se passou entretanto?

Tenho precisamente 43 projectos inacabados como FRNKLN, mais de metade têm letra, que já gravei como demo. Não sei se alguma vez lançarei algum deles. Ultimamente tenho trabalhado com o Kidonov, pego em instrumentais que ele me manda ou mando-lhe eu e trabalho com ele nos mesmos. Regra geral, tenho começado projectos do zero, “roubando” bocados de letras ou melodias a músicas que já fiz, algumas até mesmo antes da “KABUKI”.

Assinalaste ontem o teu regresso com a “Slipknot”. Fala-nos um pouco sobre este tema. Que ideias e sentimentos exploraste nestes versos e melodias?

Neste tema exponho principalmente a falta de confiança que tive que superar neste intervalo de tempo entre a “KABUKI” e a “Slipknot”. Tive, e provavelmente ainda tenho, muita gente que, por mais próximas que sejam de mim, não fazem ideia do que tenho feito, ou sabem o que faço mas não me levam a sério. Não é um caminho fácil de percorrer praticamente sozinho.

A música marca também a tua primeira parceria musical com o Kidonov. Como se deu a colaboração e de que forma sentiste que o input dele ajudou no processo de criação da faixa?

Devo muito ao Kidonov. Eu e o Kidonov somos amigos há mais de 10 anos. Até Novembro do ano passado estávamos em situações semelhantes a nível artístico. Fui um dia a casa dele e nesse mesmo dia fizemos uma track. A partir daí não parámos mais. Estamos sempre atentos e a partilhar um com o outro o que vamos fazendo. A “Spliknot” nasceu de um instrumental que ele me “dispensou”. Depois de ter a letra escrita foi só sentar-me com ele, acabar o beat e gravar.

2019 está ainda bem no início e há, claro, espaço de manobra para mais novidades. Delineaste algum plano para este ano? Tens mais material à espera de ser lançado?

Não tenho plano nenhum delineado, quero simplesmente continuar a concluir músicas e a lançar. Tenho algumas tracks que pouco falta para estarem concluídas, mas depois de dois anos sem lançar música nova vou tentar ser paciente e ter a certeza que dou os passos certos.


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira