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Kidonov revela-se ao mundo com o single “Shudda”

[FOTO] Daniela K. Monteiro

Tem por título “Shudda” e apresenta-se via Rimas e Batidas como o single de estreia do jovem rapper e produtor português Kidonov. Actualmente a residir em Londres, Ricardo Moreira, de nome próprio, emerge entre a nova geração como um escritor de barras na língua inglesa e um produtor com um sentido apurado na arte da fusão de diferentes constelações sonoras.

Com uma sólida postura do it yourself – para além de escrever e produzir também mistura e masteriza as suas próprias criações -, Kidonov é, acima de tudo, um artista com ideias novas. Nos terrenos da música, mas também na estética visual, ponderada e trabalhada ao pormenor como impressão digital única de um artista que encontra muitas das suas referências no hardcore.

Uma semana antes do lançamento de “Shudda”, a presença de Kidonov nas redes sociais era inexistente e a biografia uma página em branco. Agora, já o podem encontrar no Facebook, Twitter e Instagram. Soundcloud e YouTube estão também disponíveis.

Com o lançamento do primeiro single, o artista da Margem Sul traça um perfil pessoal e artístico ao Rimas e Batidas, dando-se a descobrir aos ouvintes do universo português, e não só.

 


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[OS PRIMEIROS PASSOS]

“A música sempre esteve muito presente na casa da minha família. Quando era miúdo, lembro-me de acordar todos os dias com a aparelhagem de casa a rodar umas músicas. O meu pai escutava muito Santana e a minha mãe gostava imenso de Sade. A minha irmã tinha discos Deftones, Limp Bizkit, Marilyn Manson, que na altura me fascinavam imenso e me influenciaram os gostos musicais. Entretanto cresci a brincar com um órgão da minha irmã e mais tarde, através de um amigo, tocava num teclado Yamaha. O pai dele tocava numa orquestra e tinha vários instrumentos em casa, então passávamos as horas do almoço da escola lá em casa de volta da música. Uns anos mais tarde, no secundário, estudei produção musical e o bichinho cresceu em mim. Agora dedico-me por inteiro à música.”

 

[DA MARGEM SUL A LONDRES]

“Sou natural de Cascais, mas cresci em Paio Pires, na Margem Sul, onde se formou o meu interesse pela música. Entretanto conheci a Daniela [K. Monteiro] e começámos a trabalhar juntos em alguns projectos. Ela tinha o objectivo de estudar em Londres e eu também passei a ambicionar essa mudança. Candidatei-me a uma série de universidades em Londres e acabei por ser aceite na BIMM London. Em Setembro de 2015 estava a apanhar o avião para Londres.”

 

[AMBIENTES DE CRIAÇÃO]

“O contraste entre Portugal e Londres no que toca à relação com as artes encontra-se na forma como as pessoas se manifestam sobre elas. Em Londres as pessoas valorizam mais as expressões artísticas menos comuns e não têm medo de dar valor ao pessoal que ainda não é conhecido. Em Portugal ainda há algum receio em manifestar apreciação pelo que é fora do normal. A postura em Londres encorajou-me imenso, aqui há putos a fazer coisas absolutamente brutais, o que me estimulou a criar a minha própria música, um incentivo que nunca senti em Portugal.”

 

[NAVEGANDO ENTRE GÉNEROS]

“Houve um período em que escutava apenas metal. Depois, na Margem Sul, num novo círculo de amigos, fui introduzido ao hardcore, que musicalmente é uma vertente do metal embora as raízes se assemelhem ao hip-hop – o hardcore também nasceu nas ruas. Por aí, e por influência dos amigos, fui reintroduzido ao hip-hop, escutava o que estava a bater e que eles tinham nos telemóveis. Lembro-me de passar umas férias de Verão no Meco e de o pessoal andar de volta de Sam The Kid, Regula, os essentials daquela época. Entretanto, na Margem Sul também comecei a escutar muito Chullage porque ele foi meu professor de Formação Cívica na escola da Arrentela durante dois anos. Nos primeiros meses em nem sabia que ele era rapper, mas depois os amigos disseram-me que ele era. Fui pesquisar sobre ele e acabou por entrar nas minhas playlist. No fundo, nessa reintrodução ao género, fui atrás do que tinha perdido ao longo do tempo e pelo caminho o hip-hop acabou por despertar-me para a produção.”

 

[FONTES DE INSPIRAÇÃO]

“Hoje em dia ainda vou buscar muitas referências ao hardcore. Provenientes de Portugal, tenho seguido muito o Landim, ele cativa-me imenso porque transmite humildade comunicativa. Outras influências são Snarky Puppy, que é new jazz, e Kendrick Lamar, de quem sou mesmo fanboy. É uma mistura de todos estes géneros acabam por informar o meu som.”

 

[RAP NA TUGA]

“Landim, Dillaz, Holly Hood e tudo o que é Superbad está com uma grande força. Here’s Johnny na produção está com um grande nível. Mais recentemente descobri o Gson dos Wet Bed Gang, que considero muito bom. Ainda não tem muito material cá fora, mas sinto imenso a cena dele. E Slow J, talvez mais como produtor porque percebo o que ele tenta ir buscar com as produções deles. Por exemplo, a “Pagar as Contas” está uma produção arriscada tendo em conta que é uma cena feita na tuga. É muito despida e curti imenso que tenha arriscado a fazer uma cena assim – se é que foi esse o intuito. A scene portuguesa está melhor do que nunca. Basta ires a Lisboa – não falo de outras zonas porque não as costumo visitar – e vês que a cena está com muito público. Pode ser por moda ou outro motivo qualquer, mas está forte e o pessoal tem de aproveitar isso.”

 


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[BARRAS AKA BARS]

“Decidi rappar em inglês pela ambição de ir mais longe. Para todos os efeitos, não tenho essa garantia, mas foi por aí. Considerei que não tinha um mau inglês, que conseguia, com calma, escrever, orquestrar as minhas próprias letras e treinar a dicção. Para mim é uma decisão tão válida como rappar noutra língua qualquer.”

 

[O PRIMEIRO SINGLE]

“’Shudda’, na verdade, foge um pouco ao que tenho feito nos últimos tempos. No entanto as pessoas não vão sentir isso porque ainda não escutaram nada que eu tenha criado. É uma produção mais simples, de certa forma, e por isso considero ser uma boa introdução. Ao mesmo tempo também ilustra a minha cena, mais até pelo refrão, que é a parte mais edgy da música, com progressão de acordes e uma voz estranha que para mim equilibra o que é mais comum e o que ilustra o que tenho feito e gosto de fazer neste momento como produtor. O som foi feito em Dezembro no espaço de uma semana. A letra escrevi em dois dias. O meu processo de escrita ainda é lento, como é em inglês tenho de ter mais cuidado com vocabulário, dicção, por aí fora. Ainda assim, para minha surpresa, a gravação, mistura e masterização – tudo feito por mim – ficaram prontas em 24 horas. Sei que neste momento podia ajustar algumas coisas que não estão perfeitas, mas em todo o caso ilustra o feeling.”

 

[IDENTIDADE VISUAL]

“Para mim, a imagem, em certas circunstâncias, acaba por ser mais importante que a música. É o que as pessoas se vão lembrar. Podem não se lembrar de ‘Shudda’, mas vão recordar-se de me ver vestido daquela forma e ter aquele penteado. Mas também não é uma coisa que estou a forçar de maneira alguma, é uma imagem que gosto. O que fiz foi aliar esse gosto ao facto de achar que a imagem é mesmo muito importante para um artista.”

 

[INSTRUMENTAIS NA GAVETA]

“Não divulgar na internet os meus instrumentais – e tenho muitos gravados – com regularidade vem da minha maneira de ser. Também por ser muito metódico e perfeccionista, o que hoje em dia até considero ser um defeito, atrasa-me imenso no processo. Mas já faço coisas há uns dois anos que podem ser consideradas de qualidade. Sempre me encorajaram a divulgar os sons, mas sempre quis criar as coisas com princípio, meio e fim, mesmo que sentisse que determinado som ia trazer algo de novo. Agora também cabe perceber a reacção das pessoas a ‘Shudda’, saber se traz realmente algo diferente. Por mim, só agora é que senti que tinha uma cena que me satisfazia a 100%.”

 

[PLANOS FUTUROS]

“Ainda não tenho nada planeado a nível de records, seja EPs ou álbuns, assim também não tenho nesta altura a pressão de criar um projecto coeso. Vou lançar músicas soltas, todas um pouco diferentes, ver como é a recepção e alimentar-me também um pouco disso. Seguir o feedback e equilibrar isso com o que quero. O futuro logo se vê.”

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