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Estreia: Isto nem é uma Beat Tape EP é o novo EP de Maria

 


[ENTREVISTA] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Von_Snows

Maria – que, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, responde por David Almeida – surgiu pela primeira vez no radar do Rimas e Batidas ao entrar no Beat Challenge patrocinado pela nossa revista digital e, no meio de vários concorrentes, ter chegado aos cinco finalistas. Não ganhou – o prémio foi para Cálculo -, mas deixou boa impressão, agora confirmada no seu mais recente trabalho, Isto nem é uma Beat Tape EP. 

David Almeida esteve à conversa com o nosso sub editor Alexandre Ribeiro sobre a motivação que o Beat Challenge lhe deu para este novo trabalho e, entre outras coisas, o peculiar nome para este EP.

 


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Para quem não te conhece, quem é o David Almeida e o seu alter-ego Maria? 

David é uma pessoa de Alverca, designer de formação, produtor e outras coisas nas horas não ocupadas com trabalho. Maria é uma ideia de abordagem ao hip hop e suas ramificações enquanto estilo e que se rege sobre determinados valores ideológicos, daí o nome ser feminino. A descrição que tenho no SoundCloud funciona como uma espécie de sampling descritivo que encaixa bastante bem na ideia conceptual de Maria. Toda gente tem uma Maria; eu também tenho a minha.

 

Foste um dos finalistas do Beat Challenge Rimas e Batidas. Serviu como impulso para a tua vertente de produtor? 

O Beat Challenge Rimas e Batidas foi o impulso especificamente para Maria, a produção já cá estava há muito. Foi também uma espécie de piloto para este seguimento. Já tinha voltado a fazer malhas nesta linguagem que apresento no EP, mas não saberia se haveria lançar ou não. Criar uma identidade que me distanciasse do meu outro projecto de electrónica (MUDDO) e o Beat Challenge foi o meio certo para experimentar a ideia de Maria e pensei: “caso seja seleccionado para os finalistas, quero ver como as pessoas vão reagir a uma tema muito cru e que acima de tudo que ninguém conhece.”

 

Fala-nos um pouco sobre o teu background musical. 

Comecei a produzir muito cedo por volta dos 13/14 anos de forma muito primitiva. A minha primeira linguagem de produção foi o hip hop e aos 17 anos lancei um bootleg (sobre outro alter-ego) que foi todo produzido no Reason com um teclado MIDI e uma placa de som com samplers de discos que comprava na feira da ladra e na Kingsize. Depois desse trabalho emprestaram-me uma MPC 2000 XL e produzia para MCs daqui da zona. Estava de acabar o secundário enquanto preparava um Vol.2 do bootleg que nunca saiu. Depois de acabar a escola integrei uma equipa de designers, comecei a conhecer outras coisas em campos mais experimentais e a explorar outras linguagens. Tive umas poucas aulas de piano de forma a aprender coisas muito básicas, mas que me dessem base para conseguir desenvolver sozinho e acabei por ir tocar teclados numa banda de reggae e funk onde também usava muitos samples. Num passado mais recente, fiz um projecto chamado A2P com um guitarrista (Afonso Bag) que explorávamos sonoridades dentro da bass music, mas numa linguagem mais deep. Esse projecto, de forma gradual, acabou por se dissipar e dar origem a Muddo. Comecei a sentir falta de poder explorar sonoridades num campo de BPMs mais lentos e por isso voltei a fazer hiphop. Todas estas experiências fizeram amadurecer como pessoa. Uma maturidade que não tinha na altura, mas que precisava de ter para fazer algo como estou a fazer agora em Maria.

 


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Isto nem é uma Beat Tape EP tem o propósito de afastar este registo das comuns beat tapes dos produtores? 

Sim. A forma como desenvolvi este trabalho foi distinta da forma que desenvolveria se isto fosse uma beat tape. Isto nem é uma Beat Tape EP foi mais pensado e os temas são mais complexos, mais elementos, estruturas com um maior numero de variáveis mais comuns em beats e o número de processos até uma faixa chegar ao fim é maior (ideia, esboço, gravação, sequências da estrutura, arranjos, mistura e master). Isto na minha metodologia. Tenho ideia que numa audição mais detalhada as pessoas vão entender isso. Eu adoro beat tapes, gosto muita da forma descomplexada/espontânea que por norma as beat tapes têm. No entanto para um trabalho de apresentação achei que seria melhor apresentar faixas que fossem mais trabalhadas com alguma ligação entres as mesmas e apresentar um primeiro trabalho mais denso e estruturado, embora com uma vibe lo-fi.

 

O que é que virá depois do lançamento deste projecto? Datas para tocar e planos para o futuro?

Tudo depende do impacto ou ausência dele que o EP tenha. Caso as pessoas se identifiquem com as malhas, eu pensarei em levar estes temas para palco para tocá-los ao vivo. Caso isso não aconteça, os DJ sets poderão fazer mais sentido, embora ainda não tenha sequer pensado muito nisso. Após o EP já estou a preparar – agora sim -, uma beat tape que vai ter 4 temas apenas, inspirados numa viagem recente que fiz aos Açores. Vai sair brevemente e depois talvez um segundo EP faça sentido. Quero abordar outro tipo coisas que sinto que não deixei espaço para fazê-lo neste primeiro trabalho.

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