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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 29/12/2020

Série sobre 10 pioneiros da música electrónica, os seus temas mais sampláveis, mais bizarros e os que podemos carimbar de “proto” qualquer coisa por soarem aos novos movimentos rítmicos.

Electrónicas de Ontem nas Pulsações de Hoje #8: Pierre Henry

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 29/12/2020

Pierre Henry inicia o documentário The Art of Sounds dizendo que “a música concreta é sobre o poder de decisão”, em que se escolhe um som atrás do outro e só a partir daí começa a composição musical. Esta é a premissa do sampling, sem tirar nem pôr (salvo seja!), em que uma fonte sonora pré-existente é (re)gravada e manipulada para gerar uma nova obra musical.

No início dos anos 50, em França, o aparecimento da música concreta dependeu totalmente do desenvolvimento das novas tecnologias de gravação, em particular da fita magnética, oferecida ao mundo na Segunda Guerra Mundial.

O conceito de gravação já existia desde os finais do Séc.XIX com o fonógrafo e outras técnicas rudimentares, mas foi com o surgimento da fita magnética — baseado no Magnetophon, crucial na propaganda das cruéis tropas do ditador Adolf Hitler — que a gravação moderna emergiu. Conta-se que era impossível distinguir um som ao vivo de um som gravado, mesmo que aos nossos ouvidos actuais a qualidade soe completamente primitiva. Na verdade, muito da tecnologia essencial para a música electrónica é baseada em técnicas militares, assim como alguma da sua terminologia. Repare-se no termo “attack”, o primeiro dos quatro parâmetros do movimento do som (ADSR) que ficou conhecido como “Envelope”.

Esta nova forma de registar o som foi fundamental para o pioneiro Pierre Henry, falecido em 2017, que através de processos electrónicos e acústicos alterava os sons gravados dando-lhes uma nova forma musical.

Enquanto na corrente de pensamento da “escola alemã”, liderada por Karlheinz Stockhausen, a electrónica apareceu como uma necessidade de controlar a própria fonte sonora, tal não era possível na música concreta francesa encabeçada por Pierre Schaeffer, mais focada na captação de objectos sonoros já existentes e na sua manipulação electro-acústica.

Aquilo que o sampling no fundo veio inovar para com a música concreta foi o acesso imediato ao som gravado através de uma simples tecla.

Desengana-te no entanto, se achares que a sua discografia é demasiado teórica ou académica: em 1967, Henry e o colega Michel Colomber criaram uma falsa banda, Les Yper Sound, para lançar especificamente música reservada para audição em clubes “cool” de dança nocturnos, essa “misteriosa comunidade” como apelidaram, que estava a começar a surgir em toda a Europa. Uma espécie de proto-clubbing. Música de dança essa que abraçou nas suas apresentações neste século.



[Pierre Henry] “Psyché Rock”

Tema mais conhecido e vendido do compositor francês, adaptado para a nova geração como tema da série Futurama e remisturado por Coldcut ou Fatboy Slim.



[Pierre Henry] “Corticalart”

Experimento musical em que Henry converte os pensamentos em ondas sonoras.



[Pierre Henry] “Disco Jesus”

Exemplo do abraçar de Henry às novas sonoridades da electrónica.



[Pierre Henry] “Percussions Tim Tam III”

Editado numa compilação pela Trunk Records, um exemplo do “corte e costura” de sons industriais para um novo ritmo mecânico.



[Pierre Henry & Spooky Tooth] “Offering”

A liturgia católica da banda Spooky Toorh acompanhada pela modulação dos objectos sonoros de Pierre Henry.



[Pierre Henry] “Spirale”

Também de 1969, uma composição repetitiva de um som com a manipulação perceptível de um filtro “a abrir a goela”.



[Pierre Henry] “Machine Danse”

Para terminar, a fase mais deliciosa de Henry é talvez a junção dos seus sons à estética pop.

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