Dead End e Metamorfiko celebram a cultura do beat n’O 36

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [ARTWORK] Kid Galindro

Seguindo os passos dos grandes mestres da batida — J Dilla, Free The Robots ou Dabrye são alguns porta-estandartes dessa arte –, o “movimento instrumental” vai ditando as tendências no hip hop e na electrónica um pouco por todo o globo. A beat scene fixou o seu núcleo em Los Angeles, mas ramificou-se pelo resto do mundo, conquistando ouvintes e militantes de todas as raças e estratos sociais — do canadiano Elaquent ao francês Onra, do japonês Nujabes ao britânico IGLOOGHOST. Há batidas para qualquer gosto, cada uma com um cunho sónico diferente, influenciadas pelas experiências que marcaram individualmente os seus praticantes.

 



Portugal não escapou ao vírus e existem vários nomes a puxar os limites dos esquemas que envolvem bombos e tarolas. Metamorfiko e Dead End são dois desses exemplos, um par de produtores portugueses que acompanha de perto esse movimento fervilhante que nasceu nos EUA e que agora colecciona discípulos em todo o mundo. “De L.A. até ao B.A.” é uma das infindáveis rotas que a cultura do beat imprimiu nos mapas de navegação musical, com O 36 a assumir-se como ponto de encontro para os amantes das batidas de todas as formas e feitios nesta próxima sexta-feira.

2018 é um ano especial para estes dois intervenientes. Se Metamorfiko tem o baú cheio de novo material que, em breve, começará a escoar — no mês passado assinalou o regresso às edições com EYLASHES GONE –, Dead End tem sido mais regular nos lançamentos e este pode ser o seu ano de afirmação no panorama português — DJ Glue apresentou o convite ao produtor para se estrear no NOS Alive a 12 de Julho no Palco Coreto. Também em Fevereiro, Dead End presenteou-nos com Cobweb, o seu primeiro EP de 2018.

Ritmos estranhos e melodias de outras dimensões são a receita para esta sexta-feira n’O 36. Com ou sem rimas por cima, a cultura do beat vai fazer-se sentir no Bairro Alto a partir das 23 horas. A entrada no espaço é gratuita.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
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