COLÓNIA CALÚNIA: Eyelashes Gone é o novo EP de Metamorfiko

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Sebastião Santana

Acaba de chegar Eyelashes Gone ao catálogo de COLÓNIA CALÚNIA. O primeiro EP do ano por parte do colectivo é assinado por Metamorfiko, um dos produtores de serviço do grupo.

Foi uma espera longa para quem tem vindo a acompanhar o trajecto do produtor de Portimão, um dos alunos mais estudiosos na escola do beat em território nacional. Eyelashes Gone sucede a um par de EPs e álbuns, todos eles editados em 2010 e 2011, registos de uma fase de exploração na qual Metamorfiko abordou as técnicas ensinadas por J Dilla ou 9th Wonder, inspirado pela matéria leccionadas nas aulas teóricas de Donuts ou Dream Merchant. No blogue A Trompa, Butter Files chegou a ser destacado por Rui Dinis no seu top 10 de álbuns de hip hop em 2011.

 



O silêncio editorial que se seguiu não foi total. Apesar de o seu Bandcamp ter estagnado ao final de quatro lançamentos, a metamorfose sónica de Rui Caires estava a decorrer no SoundCloud. De “CubeMaze” a “Paranoid” ou “Virus Comma“, era visível a transição estética imposta pela nova escolha de samples e instrumentos virtuais com os quais adornava as novas composições experimentais que fluíam no seu casulo. As batidas empoeiradas do seu arquivo ganhavam vida em projectos de ORTEUM, AVC ou Osiris, enquanto o criador ensaiava a sua nova sonoridade a remisturar faixas de Haka ou Tilt, um confesso apreciador dos dotes do portimonense.

O nome de Metamorfiko voltou a ganhar um novo fulgor com a entrada da faixa “Haystack Maze” na compilação de Língua Nativa, ao lado de nomes como Tilt ou VULTO. & L-ALI, os seus novos colegas na casa de talentos de COLÓNIA CALÚNIA. Foi através do colectivo fundado pelo homem sombra das batidas que lançou mais dois temas — “α@“, editado há praticamente uma semana, contou com o seu cunho.

Agora de volta aos projectos de maior duração, o Rimas e Batidas sabe que existe mais material na sua posse que poderá sair a qualquer momento — um novo álbum instrumental a solo e o disco que preparou a meias com Secta aparecem como fortes possibilidades para o resto de 2018.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

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