David Bruno: “Não tarda nada está aí o sucessor d’O Último Tango em Mafamude

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

E assim chegamos ao derradeiro episódio d’O Último Tango em Mafamude: David Bruno acaba de lançar o único videoclipe (realizado por Francisco Lobo) para o tema “Mesa para dois no Carpa”.

O mercado dos produtores de hip hop em Portugal ainda não sorri da mesma forma com que acena àqueles que debitam o seu knowledge em cima das batidas, mas as coisas estão a mudar: Lhast teve direito a um slot só para si na programação do último Festival Académico de Lisboa, Sam The Kid vai apresentar Mechelas no próximo Sumol Summer Fest e a David Bruno não faltaram palcos para tocar ao vivo no último ano.

Se Rafael Alves tem a bússola musical mais virada para os ouvidos das massas e o veterano STK terá o respeito da cultura e da indústria para todo o sempre, David Besteiro contenta-se com a dedicação, humildade e genuinidade que aplica aos projectos que regista em seu nome. Que são nomes, na verdade: David Bruno, dB, 4400 OG ou o “gajo que faz beats para Conjunto Corona e GLDNSHWR”.

Após alguns anos a “residir” maioritariamente na Internet, a vida real chamou o gaiense para fazer parte dos seus roteiros culturais. Das aclamadas críticas na imprensa — o Rimas e Batidas foi uma dessas vozes — aos convites vindos de festivais um pouco por todo o território nacional, com direito a destaque no espaço virtual de Anthony Fantano, conhecido crítico norte-americano que utiliza o YouTube para dissecar música.

Ao encerrar mais um capítulo no seu trajecto artístico, David Besteiro fez, em conversa com o Rimas e Batidas, um balanço dos meses que se seguiram ao lançamento d’OUTeM.



Tu já tinhas apresentado O Último Tango em Mafamude como um vídeo-disco. O que sentiste que estava em falta e que agora complementas com o videoclipe do “Mesa para dois no Carpa”?

Na realidade, não acho que estivesse nada em falta. Simplesmente o meu amigo Francisco Lobo — um realizador portuense com quem já tinha trabalhado no full video do Cimo de Vila Velvet Cantina, no documentário sobre o Conjunto Corona para o canal 180 ou no vídeo de “Já Não És o Meu Dealer” — propôs-me fazer um videoclipe desta música específica mal o álbum saiu. O tempo foi passando, ele esteve fora do país a gravar e recentemente, quando voltou, tornou a lembrar-me da proposta: achei uma excelente maneira de fechar este capítulo da minha carreira (uma vez que já estou a trabalhar no novo álbum que sucederá ao O Último Tango em Mafamude).

Quase um ano e meio depois, dás por encerrado o capítulo d’O Último Tango em Mafamude, provavelmente o teu mais aclamado projecto a solo, que te levou a pisar vários palcos e foi até alvo de menções fora de Portugal. Que balanço fazes desta obra e de tudo o que ela te trouxe?

Um balanço extremamente positivo: comecei a tocar num shopping abandonado em Coimbrões e uns meses depois estava em Lisboa no Super Bock em Stock. As referências na press (The Needle Drop, por exemplo, foi muito surreal), a quantidade de jornais, revistas, blogues que colocaram o meu álbum nos tops do ano de 2018… Foi mesmo muito bom e inesperado, mas uma vez mais veio provar o que tenho feito com Corona: ser genuíno e teres orgulho donde vens é uma excelente maneira de chegar ao coração das pessoas. Ser artisticamente honesto, compensa (nem que sejas apenas um gajo de Mafamude). O público sente essas coisas.

Tinhas alguma ideia inicial de como este disco ia ser recebido pelo público?

Não. Para dizer a verdade quando o fiz nem sabia se o ia tocar ao vivo ou não (como tinha acontecido com os meus álbuns de instrumentais editados anteriormente).

De um modo geral, superou as tuas expectativas?

Completamente. E sobretudo alavancou a minha carreira a solo, que até à data só existia praticamente na Internet.

Que planos tens para o futuro de David Bruno?

Não tarda nada está aí o sucessor d’O Último Tango em Mafamude. Os meus planos passam por continuar a criar música, vídeos, conteúdo, histórias e materializar em álbuns as ideias que todos os dias me surgem na mente enquanto observo este Portugal chunga que tanto amo.


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira