Coimbra foi capital por um dia — e xtinto comandou as tropas

[TEXTO] Moisés Regalado [FOTOS] Afonso Ponto

Cá fora, em Coimbra, o foco da noite era a tempestade que ia ameaçando sem cumprir e as poucas pessoas que se encontravam pela rua fora falavam, claro está, sobre o tempo. E convém não esquecer que esta é uma cidade em que as sextas-feiras, ainda sem o andamento das terças e quintas que preenchem os cardápios nocturnos, servem tantas vezes de domingo, com direito a filmes, mantas, munchies… Só que desta vez a conversa foi outra.

Ainda não eram duas da manhã quando, às portas do Look, se começou a ver uma daquelas enchentes pouco habituais para os lados do Edifício Avenida, e que nos últimos anos parecem só acontecer a esta escala quando é o hip hop a dar o mote. As festas TrappinHell começam a ser um clássico da zona centro e aqui o boom bap entra com cautela, mas aquilo que se viu na passada sexta-feita foi uma boa e, pelos vistos, nada velha celebração desta cultura que vai para lá de quarentona.

O aquecimento também faz parte e este começou com ritmo de jogo. Os sets de Stiff e TrillSeco, bem como os live acts de Palazzi ou Holympo, deixaram o público no ponto certo para o que aí vinha e soube-se imediatamente que a noite seria um sucesso quando a vaga de juventude ali presente começou a chamar por xtinto — sem nunca vacilar no apoio aos artistas que se iam sucedendo.

 



Até que xtinto chegou. Sem grande cagança mas com toda a pujança, com a postura de quem faz isto todos os dias e sem MC de apoio. O autor de “Quentin Miller” trata o microfone por tu e, como se isso não bastasse, tinha à sua frente um batalhão pronto a cantar consigo. Faixas como “Opus Magnum” ou “Jurássico Barco” também tiveram direito a coro, mas os primeiros acordes do single produzido por rkeat trataram de fazer desta uma noite memorável.

Principalmente para aquele que será, muito provavelmente, o novo nome da Think Music (“não vale a pena esconder, em princípio o meu EP com o benji vai sair por lá”). Ainda assim, xtinto acabou por dizer que a sua motivação “desde o início, em Ourém, nunca foi [entrar n]o movimento”. Quando YVNG CIRIUS subiu a palco a casa já não era a mesma mas a plateia que lhe restava — e que não era assim tão curta — foi mais do que suficiente para acompanhar uma das revelações do ano passado em temas como “Mentalmatic” ou “#Evolução”.

Se Coimbra foi capital da tuga por uma noite, a corte acabou por seguir viagem para o distrito de Santarém. E só é pena que os velhos fidalgos da antiga Aeminium já não tenham o tempo, a paciência ou a fé necessárias para acompanhar os cavaleiros que se vão destacando na arena. Mas, a avaliar pela quantidade de noviços que saiu de casa, em dia de tempestade, para fazer escolta a xtinto e companhia, já não falta tudo para que a zona centro seja, finalmente, uma realidade visível.

 


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