YVNG CIRIUS: “Sempre senti que o meu sucesso não estava na escola”

[TEXTO] Moisés Regalado [ILUSTRAÇÃO] AstroVenus

“A tua vida pode mudar num ano”. De facto, 12 meses — e cinco singles — chegaram para que YVNG CIRIUS aparecesse nos radares da cena tuga.

Os graves e os hi-hats da sua música transportam-nos para o lado de lá do Atlântico (ou para um club ou home studio) mas a caneta do rapper tem as raízes bem agarradas ao solo. A música, musa de si própria, e a família, frequentemente referida por CIRIUS, fazem a ponte entre a sonoridade suburbana e as temáticas objectivas do jovem MC.

No dia 1 de Fevereiro, o newcomer de 19 anos apresenta-se ao vivo no LOOK, em Coimbra, um evento que também conta com actuações de xtinto, holympo, HeartLess ou PALAZZI. Fiquem então a conhecer um pouco mais sobre YVNG CIRIUS, que esteve à conversa com o Rimas e Batidas a propósito do seu novo tema “#Evolução”.

 



Começaste a dar cartas com mais visibilidade há mais ou menos um ano. Depois de vários singles com bom feedback, até onde queres chegar?

Para ser sincero, [onde quero chegar] nunca foi algo que eu parei para pensar. Nunca pensei muito no “destino” em si, estou com a cabeça na caminhada, ainda não me sinto satisfeito nem realizado com nada… Tudo o que eu fizer vai ter as suas consequências. Sou uma pessoa que gosta de pensar no futuro, mas tenho de viver mais o presente. Não gosto de me precipitar, só com o tempo vou saber. Vou até onde o meu trabalho e a minha ambição me levarem.

Este “#Evolução” marca também a estreia do teu próprio canal no YouTube — e as visualizações continuam a escalar. Até que ponto traças metas desse género e te preocupas com isso?

Não traço as minhas metas a pensar nas visualizações. Hoje dá-se valor a isso, mas eu próprio tento não me preocupar muito com isso para não desviar o meu foco do que é importante porque já o fazia sem isso. Tento ver mais o YouTube como espécie de um currículo para mim como artista, onde posso partilhar com os meus ouvintes a minha música, e e óbvio que quantas mais pessoas alcançar melhor. Qualquer artista gosta de ver o seu trabalho a ser valorizado… O número de views não é o que define se o artista é bom ou não e há pessoas a pensarem assim.

Apesar de abordares assuntos aparentemente mundanos, como o dinheiro ou “essa roupa de marca”, acabas quase sempre por acrescentar outra camada à tua escrita, com várias referências à família, à infância ou ao próprio amor pela música. São essas as tuas maiores influências?

Sim, sem dúvida, apenas estou a ser eu próprio quando faço essas referências, faz parte de mim e contribuem para o tipo de pessoa que sou hoje. As discussões, as dificuldades, certos momentos que não voltam, as coisas que quis e nunca tive, as coisas que vou aprendendo. Os momentos de felicidade, como nunca tive antes, que a música já me trouxe. A partida de amigos e familiares, o que se passa à minha volta. Os meus sentimentos e a minha vida são as minhas maiores influências para escrever.

“Mama desculpa se eu não sou aquilo que querias que eu fosse”. A música também serve para mudar isso?

Sim, claro, toda gente quer orgulhar os seus pais, eu quero que a minha mãe sinta orgulho no seu filho, tanto como na pessoa como naquilo que ele faz. Todos os pais querem que os filhos estudem e tirem uma formação — como, por exemplo, a minha mãe. Isso para eles é a única coisa correta, o que faz com que muitas das vezes as pessoas tenham de esquecer aquilo que gostam realmente de fazer e tenham de acordar todos os dias a sentir um vazio por terem de fazer algo que não as preenche. Eu dizia-lhe que ia ao estúdio muitas das vezes que saía de casa, não sei se ela levava a sério, eu sempre pensei em falar com ela apenas quando conseguisse ajudá-la com isto, mas chegou-lhe aos ouvidos mais cedo [risos]. Nunca a quis desiludir porque a minha vida toda só pude contar com ela, tenho uma grande relação com ela, sempre senti que o meu sucesso não estava na escola, e pessoas como eu muitas acabam muitas das vezes com empregos de merda. Até podes ser bom, mas por não teres certo nível de escolaridade não és aceite e ainda existe muito preconceito… Sei que a escola é importante mas não é tudo, não determina o nosso futuro, se fosse mentira não existiriam pessoas tão bem-sucedidas sem a escola, não acredito que seja sorte mas sim trabalho e consistência.

E o tal amor pela música, que dizes ser a tua vida, já teve fases piores, de descrença ou desilusão?

Sim, claro, isto mexe comigo, já deitei lágrimas por isto como se calhar não deitei por uma mulher, já ouvi que não ia ser capaz e por isso valorizo a minha consistência até aqui. Sou uma pessoa que guarda muito as coisas para si e tento sempre ver as piores fases como uma motivação, e aproveitar esses sentimentos para criar algo. Lembro-me de um concerto que eu e o meu grupo tivemos e não estava ninguém, no final ficámos todos bué tristes mas no dia a seguir fomos para o estúdio e gravámos, ao invés de ficarmos tristes em casa. Não digo descrença porque nos dias em que desacreditava ao mesmo tempo era eu quem mais acreditava.

O teu pen game também está focado na técnica e és dado a barras, mesmo nos sons mais “cantados”. Quem são os teus rappers favoritos?

Sempre consumi muita música, cheguei a consumir um pouco de tudo, desde os mais antigos que me foram introduzidos até agora. É uma pergunta difícil porque hoje já não observo tanto como antes. Se essa pergunta me tivesse sido feita há um ou dois anos, provavelmente diria Chief Keef, sempre curti muito de ouvir Chief Keef. Curtia da criatividade dele a fazer melodias.

 


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