Be Kind Rewind #1: “A$AP Forever”, A$AP Rocky

[TEXTO] André C. Santos [ILUSTRAÇÃO] Abel Justo

Se falarmos em arte como catalisador de emoções e sensações, é urgente, hoje em dia, falarmos de A$AP Rocky.

Pretty Flacko tem uma noção bastante clara daquilo que é necessário que a escrita, flow, métrica e vibe contenham em si. Isto acaba por se reflectir no cuidado que impõe, estética e narrativamente, nos videoclipes. “A$AP Forever” é o caso mais recente desta coerência visual e musical a que A$AP nos tem habituado. Este videoclipe conta com a produção de Division e, mais uma vez, a realização de Dexter Navy. Mais uma vez, porque não é a primeira colaboração entre Rocky e Navy. E a verdade é que, sempre que trabalham juntos, há algo que se reinventa e que vai além de simples videoclipes. Exemplos disso são “L$D”, em  2015 ou “JD” no ano seguinte. E todos eles, entre muitas outras coisas, são como um laboratório aberto à experimentação de técnicas de realização e integração de animações 2D e 3D.

 


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Em “A$AP Forever” eleva-se a fasquia: há a sensação de superação quando assistimos ao reinventar de técnicas de edição já usadas antes e, até bem recentemente, em videoclipes de trap. Dexter Navy explora, por exemplo, um estilo de edição semelhante às transições aleatórias de Cole Bennett. No entanto, acrescenta-lhe uma narrativa lógica. Mas é o movimento giratório da câmara que nos dá a volta à cabeça.

Foi nos anos 50 que se começou a explorar esta técnica, apurada em 1984 por Tony Hill no seu filme experimental Downside Up. Desde então tem sido usada pontualmente em alguns videoclipes como “Chop Suey” de System of a Down, “Sensoria” de Cabaret Voltaire ou em “Fucking Young” de Tyler The Creator.

 


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Em “A$AP Forever”, esta técnica é usada de uma forma muito linear: passa por vários locais em Nova Iorque, onde Rocky se faz acompanhar da A$AP Mob, a sua crew, mostrando o seu dia-a-dia. O videoclipe é uma peregrinação pela vida de Flacko, e por consequência, pela nossa vida também. Começamos no subsolo, emergimos ao cimo da terra, chegamos até ao céu e aí nos mantemos num loop fugaz, giratório e imperfeito. Respiramos. Abrandamos para uma retrospectiva do que já vivemos e deixamo-nos moldar por isso mesmo, sem saber. Por fim, entramos num estado vertiginoso com A$AP Rocky, suspensos na fronteira entre o que é real e o que não é.

 


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Recolhemos os estilhaços de um final abrupto sob a forma de duas perguntas: será a nossa existência assim tão complexa, mas, ao mesmo tempo, de porcelana? Será a vida um teste para o que se segue após o fim?

 


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