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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 30/12/2022

Na última sexta-feira de cada mês, Miguel Santos escreve sobre artistas emergentes que têm tudo para tomar conta do mundo da música.

Abram alas para… iolanda

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 30/12/2022

A Novembro de 2020, 12.3% da população empregada em Portugal estava a trabalhar a partir de casa. No meio dessas quase 600 mil pessoas, importa para esta rubrica destacar quatro: LEFT., Luar e Sara Cruz, que juntos e à distância criaram o tema “Rest“, e o colectivo AVALANCHE, um conjunto de músicos que tem vindo a crescer desde 2020. Entre esse grupo de artistas está iolanda, cantora nascida na Figueira da Foz e criada em Pombal que funde um r&b digital com algo mais tradicional. E antes de prepararmos os nossos ouvidos para o que 2023 tem reservado, permita-se um dos últimos momentos para o que de bom 2022 ainda tem para nos mostrar.

O interesse na música surgiu cedo na vida de iolanda, que (além de cantar) toca também guitarra, saxofone, piano e cavaquinho. Frequentou o BIMM Music Institute, em Londres, e o Hot Clube de Portugal e é licenciada em Ciências da Comunicação, fundindo aqui o seu talento para a escrita de canções com uma entrega frisante e ambiciosa de alguém confortável em palco. Esse à-vontade não é acaso: desde os 14 anos que participou em concursos televisivos como os Ídolos ou The Voice Portugal, provando que não tem dificuldade em expressar-se ao mundo. 

A prova está no seu single de estreia: a escolha de “Cura” como o seu tema de apresentação tem algo de arrojado. A guitarra e as notas graves que nos engolfam ditam um ambiente de água no bico mas há um hook chamativo que nos prende à cadeira. A entrega de iolanda vai-se alterando ao longo da música, mostrando que não tem medo de experimentar diferentes timbres e cadências, não se cingindo a um só e fugindo a uma fórmula mais previsível.



Seja qual for a fórmula utilizada, a sua individualidade transparece. Na jovial “Assim”, reconhecemos iolanda neste universo marcadamente pop, imprimindo um estilo alegre a um earworm particularmente difícil de apagar da mente, e o facto de ser musicado pela guitarra de Inês Lucas ainda o torna mais inescapável. “Descontracção” é a palavra de resumo deste tema e a artista diz-se presente na sua estrofe solarenga.

iolanda é assertiva na maneira como encara as músicas, seja a invocar a tentação pura em “Cura” ou a fazer um convite irrecusável em “Contigo”. A influência de ROSALÍA é clara neste tema de união ibérica, em que a artista portuguesa divide o protagonismo com SOLUNA, mulheres fortes com exigências proferidas com honestidade e franqueza (“Porque a escolha é pouca quando o corpo fala/ E o meu diz-me pra ficar aqui por ti”).

Chegamos agora a “Lugar Certo”, uma música alimentada a um clamor quente, repleta de sons mas a voz nunca deixa de ser central. Guiados pelo meio da tristeza da separação por esta luz vocal resoluta, ouvimos um choro pranteado que se mantém focado, uma ansiedade melodiosa que não cede à aflição. É com este tema que termina o ano musical de iolanda a solo (“Eowe” é a sua contribuição final para a produção de 2022), aguçando o apetite para o que aí está para vir. E ainda que o vento a tenha tirado do lugar certo para onde não sabe voltar, estar perdido nunca soou tão entusiasmante.


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