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Fotografia: Direitos Reservados

Uma semana de novidades audiovisuais nos terrenos do hip hop e electrónica pela mão de Gonçalo Oliveira.

7 Dias, 7 Vídeos

Fotografia: Direitos Reservados

Era digital, informação à velocidade da luz. Vídeos e músicas a soçobrar pelas plataformas virtuais. Novidades emaranhadas entre si, confusão sónica, sentidos desorientados. Quem nos guia? Por onde vamos? Para onde vamos?

7 Dias, 7 Vídeos é o resgate audiovisual semanal nos terrenos do hip hop e electrónica. Filtragem de qualidade, barreira contra a poeira que nos cega com tanto de novo, com tanto para espreitar e escutar.


[Dominic Fike] “Cancel Me”

Lutar contra a fama parece tarefa impossível. A música de Dominic Fike tem atraído muitos ouvidos, tanto do universo indie rock como do hip hop e da pop mais alternativos. Em 2018 lançou o aclamado Don’t Forget About Me, Demos, tendo no ano seguinte colaborado com Kevin Abstract, mentor da boyband BROCKHAMPTON, no seu disco a solo, algo que lhe valeu uma exposição ainda maior. Na passada sexta-feira editou o seu álbum de estreia What Could Possibly Go Wrong , juntamente com um novo single, este “Cancel Me”, na procura por alguma privacidade no meio de todo o aparato que o seu nome gera.


[Oliver Malcolm] “The Machine”

Oliver Malcolm nunca está quieto e a sua música reflecte essa ideia de quem não pára muito no mesmo sítio. O quarto single da carreira da nova jovem promessa da Darkroom, da Interscope Records, volta a ser uma proposta que pouco ou nada tem a ver com os seus antecessores. Em “The Machine” carrega consigo a herança punk rock britânica e transporta-la para um cenário de caixas de ritmos e sequenciadores, tal e qual faria um digno sucessor de Damon Albarn, dos Gorillaz. O EP de estreia do “bad boy mais talentoso do Reino Unido” (a par de slowthai, claro) já está programado para aterrar durante o próximo Outono.


[Billie Eilish] “my future”

Basta um suspiro para que Billie Eilish volte a ser um dos temas mais falados da actualidade musical. E que suspiro este: a cantora descola-se do clima de revolta e irreverência que tingia o seu LP de apresentação e assume o amadurecimento neste “my future”, uma faixa que arranca melancólica e a meio ganha uma nova vida, com o irmão e produtor FINNEAS a levá-la para caminhos menos explorados dentro da música soul moderna.


[D Power Diesle] “Sniper” feat. Skepta

No que toca ao grime, há uma clara linha que separa Skepta de tudo o resto quando o veterano veste o seu fato de super-herói para nos dar a cena mais raw que se pode colher entre as selvas de betão do Reino Unido. É ele que dá o mote no arranque deste “Sniper”, um aviso sério para os que tentam passar a perna à dupla numa luta em tag team em que o intérprete muda ao soar de um barbárico refrão (“Lick down guys in the booth / Sniper, take out guys on the roof / Take out crews, give man a deja vu / Blud, stop hiding the truth”). A colaboração faz parte de Graphene Volume 1, o último projecto lançado por D Power Diesle.


[Earl Sweatshirt] “WHOLE WORLD” feat. Maxo

As portas de Earl Sweatshirt estão abertas para os novos talentos do boom bap e do lo-fi: basta que transpirem talento da caneta. No arranque deste ano, Maxo juntou-se a Liv.e, MAVI ou MIKE na lista de jovens artistas merecedores de terem o seu nome associado ao culto que gira em torno do autor de Some Rap Songs. Depois de ter sido dado a conhecer apenas como tema avulso, “WHOLE WORLD” ganhou agora um visualiser concebido por Zac Tomé e Daniel Merson e um lugar no alinhamento na reedição de luxo de FEET OF CLAY, o último EP de Earl.


[GERM] “COOKIES”

Ex-membro do colectivo Buffet Boys e colaborador frequente dos $UICIDEBOY$, GERM juntou-se à editora fundada em 2013 por Ruby da Cherry, $crim e Ramirez, a G*59 Records, no ano passado. GERM HAS A DEATHWISH foi a sua primeira aposta no formato de LP a surgir dessa parceria, álbum que foi sucedido na última sexta-feira com The Hijinx Tape. “COOKIES” é produzido por Grove$ide e é, para já, o único tema do alinhamento a gozar de acompanhamento visual.


[Sam The Kid] CAIXA DE RITMOS – O FILME

Um momento bastante especial para quem tem criado o seu próprio imaginário em torno de Samuel Mira nas últimas duas décadas. O novo trabalho de instrumentais é composto, maioritariamente, por relíquias que os fãs mais atentos foram coleccionando com o passar dos anos, algo que nos deixa com um sabor agridoce na boca — de um lado está a nostalgia de quem venerou estas peças na altura em que saíram, do outro aquela desilusão por não ainda não ser desta que sabemos ao certo por que frequências se regem os pulsos de Sam The Kid quando aperta os botões da sua MPC num passado mais recente. Já o valor desta curta-metragem conduzida por Francisco “Queragura” Gomes é inegável e transporta-nos para bem perto dos rostos, locais e costumes que compõem a essência da tal Chelas que temos ouvido a ser descrita por Sam em praticamente toda a sua discografia.

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