25 músicas portuguesas que marcaram 2017

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Leonardo Portes

Portugal não perdeu o barco das tendências internacionais: em 2017, a produção nacional criou mais singles bombásticos do que álbuns/EPs/ mixtapes transcendentes. Nomes como Lhast, Here’s Johnny ou Slow J destacaram-se dos demais e colocaram a sua marca em muitos dos temas que acumularam milhões e milhões de visualizações — a fasquia está a ser elevada de ano para ano e Piruka, por exemplo, acumulou 15 milhões em “Se Eu Não Acordar Amanhã”.

E se os números demonstram quem foram os mais ouvidos, a verdade é que esta lista não passa só por aí. Abaixo das 500 mil visualizações ou plays, as excepções são SP Deville (“Longe”), Kroniko (“Big Ben”), Beatbombers (“WHAT THE FU***”) e Mike El Nite & Nerve (“Funeral”), artistas que criaram faixas memoráveis através das suas singulares formas de expressão — ou seja, também se valorizou a autenticidade.

 


[L-ALI] “UAIA” feat. ProfJam

A improvável entrada de L-ALI na Think Music aconteceu pela porta grande com a companhia do líder ProfJam. Num beat absolutamente obsceno de Pesca — aconselhamos um duche depois de ouvirem “UAIA” –, a dupla testa as suas capacidades de escrita e os resultados estão à vista: cerca de 700 mil visualizações — é o vídeo mais visto do canal da editora – e o início de uma nova era.

 


[VALETE] “Rap Consciente”

Um dos regressos mais esperados do rap português aconteceu em 2017. Keidje Lima trouxe um exército consigo e reclamou o seu lugar no panorama actual, atirando farpas a todos aqueles que “emporcalharam” o hip hop nacional. Para registo futuro: “Rap Consciente” é o vídeo mais visto de sempre de Valete.

 


[EMICIDA, RAEL, VALETE, CAPICUA] “Ela”

Quatro pesos pesados do rap lusófono a criarem uma ponte entre Brasil e Portugal. Uma carta de amor à música numa produção de Fred, Kassin e Nave.

 


[MUNDO SEGUNDO & SAM THE KID] “Brasa” feat. Zacky Man

Hip hop português em brasa e Mundo Segundo & Sam The Kid a colocarem mais achas na fogueira. Sem apontar nomes, os dois MCs e produtores surgem num registo semelhante a Valete em “Rap Consciente” e disparam em todas as direcções. “Brasa” conta com a produção do canadiano Marco Polo.

 


[WET BED GANG x CHARLIE BEATS] “Aleluia”

A ascensão dos Wet Bed Gang é um dos pontos altos de 2017. Kroa, Zizzy, Gson e Zara G não brincaram em serviço no primeiro ano “a sério” e acumularam milhões de visualizações em vários vídeos: “Não Sinto”, “Aleluia” — tema que conta com a produção do infalível Charlie Beats — e “Kill’em All” ultrapassaram a barreira dos três milhões. Nada mau para um grupo que ainda agora começou a dar os primeiros passos…

 


[SLOW J] “Pagar as Contas” feat. Papillon & Gson

Na altura em que saiu “Pagar as Contas”, Slow J ainda não era um fenómeno de massas — tudo aconteceu depois do lançamento de The Art of Slowing Down — , mas os apontamentos de gente grande, que também já tínhamos vislumbrado em “Vida Boa” ou “Comida”, juntaram-se todos nesta faixa. Para além de um artista de primeira água, João Coelho também mostrou que é aquele tipo de “jogador” que consegue valorizar todos aqueles que jogam à sua volta: Papillon e Gson que o digam.

 


[REGULA] “Wake N Bake” feat. Dillaz

Encontro de pesos pesados em “Wake N Bake”. Dois MCs de gerações diferentes, mas que representam exactamente a mesma coisa: a emancipação e a subida a pulso através de rimas singulares. Não concordam? Deixamos a resposta para Dillaz: “Não é ser mal educado, mas tenho notado que tu andas mais cheirado e menos cheiroso”.

 


[RICHIE CAMPBELL] “Water” feat. Slow J e Lhast

Juntar inglês e português e criar um hit que realmente importa? Bem, chamem Richie Campbell, Slow J e Lhast, um trio improvável que saciou a sede da população portuguesa para o ano todo.

 


[ESTRACA x MADKUTZ] “Palavras”

O instrumental, as “Palavras” e o talento. Experiência e irreverência fundiram-se na nova faixa de Madkutz e Estraca. Até ao momento, 500 mil visualizações e um projecto colaborativo que tem tudo para marcar a agenda de 2018.

 


[PLUTONIO] “Não Vales Nada”

Um rapper pode fazer a melhor canção r&b de 2017? Sim, e o seu nome é Plutonio. A Bridgetown descobriu a fórmula e todos os artistas estão a usufruir dela — “Do You No Wrong”, de Richie Campbell, é da mesma estirpe que “Não Vales Nada”. O que têm mais em comum? Produção de Lhast.

 


[KRONIKO] “Big Ben” feat. Namara

O vídeo com mais visualizações de Kroniko é, sem sombra de dúvida, um dos bangers do ano passado. Em “Big Ben”, e não desfazendo a performance do MC, Beatoven levou a canção para a estratosfera com um refrão orelhudo e um beat musculado. Um filme de acção que vos vai deixar agarrados à cadeira.

 


[BEATBOMBERS] “WHAT THE FU***” feat. Phoenix RDC

O bounce certo nos drums e deixem o MC de Vialonga brilhar. Em 2017, Phoenix RDC foi um dos nomes em destaque no panorama nacional e a faixa do disco de estreia de DJ Ride e Stereossauro trouxe as suas principais qualidades ao de cima — entrega irrepreensível do rapper. Durante cerca de 3 minutos, Phoenix tornou-se indestrutível.

 


[SP Deville] “Longe”

Uma faixa enorme de um disco incrível. Desagradado com a indústria musical portuguesa, “Longe” é fruto de um distanciamento — físico e mental — por parte de Pedro Sousa.

 


[HOLLY HOOD] “Cala a Boca”

O segundo single de Sangue Ruim só prova uma coisa: Holly Hood veio para ficar. Com uma produção de Here’s Johnny — quem mais? — , o MC da Superbad exercita o seu extenso arsenal lírico para abrir mais uma porta que estava trancada no hip hop nacional. Um soldado que esperou pacientemente pelo seu tempo. “Meu Deus eu nunca limpo o sangue da espada/ A escrever tipo que passei anos em Esparta”.

 


[9 MILLER] “Filho da Guida”

Para o registo, “Filho da Guida” é o primeiro ataque no beef que marcou 2017. Outro dado importante: 7 milhões de visualizações para o segundo single oficial de 9 Miller.

 


[DILLAZ x LHAST] “O Clima”

Dillaz entrou em dois temas no último ano e, curiosamente (ou não), estão os dois nesta lista. Numa espécie de verso encriptado, o autor de Reflexo mede forças com um instrumental de Lhast e não cai. Pelo caminho, tira uma ou duas linhas que partilham contornos de comédia (“Tu só choras não enfrentas/ Porque se tentas a tua bilha não sara/ Eu tou-te aqui a ver brincar aos homens/ Tens a cara dum caralho/ Devias ter uma berguilha na cara) e de drama (“Já vi pessoas que diziam que jamais me roubariam/ Quando eu fui ler o meu texto faltava uma alínea”).

 


[PIRUKA] “Se Eu Não Acordar Amanhã”

A música de rap português mais ouvida em 2017? É bem provável, mas não é uma novidade para Piruka: “Ca Bu Fla Ma Nau” teve o mesmo efeito em 2016.

 


[MIKE EL NITE & NERVE] “Funeral”

Em primeiro lugar, Dwarf. Em segundo lugar, Mike El Nite & Nerve. Alguém precisava de uma música para o seu funeral?

 


[SLOW J] “Às Vezes” feat. Nerve

A segunda entrada de Nerve nesta lista tem um significado especial: é a primeira vez que um tema em que está envolvido chega a 1 milhão de visualizações. Uma faixa introspectiva que junta dois dos maiores talentos do panorama actual da música portuguesa.

 


[GIOVANNI & ZARA G] “50/50”

Zara G toca numa música e ela transforma-se num hit instantâneo. No meio das faixas a solo e do trabalho com os Wet Bed Gang, o rapper uniu forças com o newcomer Giovanni e carregou a energia e vivências de um “bloco” para “50/50”.

 


[LHAST] “Por Pouco” feat. Gson

Considerado um dos nomes com mais potencial para tomar conta do rap  da música nacional nos próximos anos, Gson brilhou a solo em três momentos diferentes durante o ano passado: “A Última Deixa”, tema de Here’s Johnny, “Sons de Amor”, faixa de Andrezo, e “Por Pouco”, canção de Lhast. A cantar ou a rimar, o MC dos Wet Bed Gang é um quebra-cabeças e um parte-corações. No tema produzido por Rafael Alves, o artista consegue elevar a sua escrita e contar uma história de amores e desamores que nos prende do início ao fim. Promissor.

 


[PEDRO] “Drenas”

A faixa mais afastada do universo hip hop pertence a PEDRO fka Kking Kong. Parte da compilação Enchufada na Zona, “Drenas” atingiu um número considerável de plays no Spotify — 1 milhão de visualizações — e serviu como uma espécie de consagração para um dos produtores portugueses que, lentamente, vai invadindo todos os terrenos possíveis da música nacional.

 


[KAPPA JOTTA] “Pela Cidade”

Numa produção moderna e, de certa forma, experimental — sente-se a criatividade a florir desde os primeiros segundos – de Lhast & Slow J, Kappa Jotta canta os altos e baixos de uma relação com o seu estilo único — a voz rouca é a sua imagem de marca.

 


[YUZI] “#ShutUp”

Um fenómeno no panorama português. Do nada — não tinha lançado qualquer música antes do dia 5 de Fevereiro – , YUZI alcançou números impressionantes, ultrapassando as 300 mil visualizações em todos os temas que lançou. “#ShutUp” tem cerca de 500 mil views e é, para já, o seu tema mais ambicioso, contando com benji price na produção e André C. Santos & Bernardo Lima Infante no vídeo — elementos cruciais para o produto final.

 


[GROGNATION] “Chama-me Nomes”

Em tempos de mudança, os GROGNation tomaram a decisão — consciente ou não — de colocar duas mulheres como protagonistas de uma história de amor em “Chama-me Nomes”. Tendo em conta que a sua audiência estará entre os 14 e os 22 anos, a importância de entregar uma visão alternativa do mundo acaba por valorizar a obra. Destaque também para o instrumental de Fabrice, talentoso produtor que não convém perder de vista.

Alexandre Ribeiro

Alexandre Ribeiro

"I just looked at the pictures"
Alexandre Ribeiro