TOM // MAD

[TEXTO] Moisés Regalado

O artwork de MAD apresenta-o como o MC e produtor que é, mas os créditos do disco brindam-nos com nomes tão distintos como Razat ou El Tiego. No último episódio de Três Pancadas, Sam The Kid perguntou porquê e a resposta define-lhe a alma: é isso que o define, deu Tom a entender, mas nem é preciso ir mais longe. Afinal, as ilustrações de Nurb estão certas e o início do álbum não mente, com apontamentos tão elucidativos como “todos dias a mesma treta, ou faço um beat ou uma letra”.

Na hora de “viver do rap” todos fazem contas à vida, mas TOM, como tantos outros mais ou menos anónimos, mostra o que é viver realmente disto — e que o dinheiro pouco interfere na equação. O olhar crítico é de quem se preocupa com o ambiente à sua volta só que o rapper, que trata as palavras como poucos da nova escola, não se limita a falar. Mas o que pode um rapper fazer além de dar uso à palavra?

Talvez olhar para presente e futuro em simultâneo sem nunca esquecer a ponte,  como tão bem faz o artista da Mano a Mano. Como tantos outros que de alguma forma se sentem presos entre mundos, TOM e o seu MAD vivem dos samples de sempre enquanto sobrevivem ao desgaste do tempo graças a programações de bateria e pormenores, os tais que mudam tudo, adaptados aos dias que correm. O discurso prova a legitimidade dos actos e temas como “Cada Palavra”, com Nel’Assassin, ilustram precisamente um apaixonado pelo clássico que nunca perde a fome pela novidade — ainda que “preso à realidade”.

A música soa tão genuína quanto as intenções e serve seguramente para saciar quem se aguenta no outro lado da barricada, enquanto ouvinte, com semelhante mentalidade. “Titã”, brinde com menos de dois minutos que será obrigatório revisitar, não tem por onde falhar, independentemente do tipo de público; já temáticas como as de “Sul” (“Suliano até ao osso”) ou “Squad” figuram-se transversais como habitualmente têm sido ao longo do tempos.

É difícil encontrar ou pelos menos apontar aspectos negativos quando as garantias de que o melhor foi dado — e conseguido — são tantas como em MAD. Só a visível margem de progressão permite adivinhar, e quase garantir, que TOM ainda não atingiu o seu próprio auge. Quando assim for, MAD, como Guarda-Factos, serão apenas e só, salvo seja, o início de um percurso marcante no rap português.


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