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Texto: ReB Team
Fotografia: Aidan Kless

Parceria transatlântica com sotaque açoriano.

Souza: “Sempre quis ver o Sandro G de volta à cena, mas nunca pensei que fosse numa colaboração comigo”

Texto: ReB Team
Fotografia: Aidan Kless

O histórico Sandro G forma dupla com Souza em “Todo Dia”, a primeira colaboração entre dois artistas a surgir do arquipélago dos Açores.

Hustler por natureza, Sandro G é considerado o pai do rap açoriano e a sua música — e respectivos videoclipes — fazem parte da memorabília de todos aqueles que cresceram sintonizados com os media no início do milénio, principalmente devido aos singlesGalinha” e “Eu Não Vou Chorar“, que fizeram parte do seu disco de estreia. A vida deu as suas voltas e o rapper acabou por perder um contacto mais directo com o nosso país e criou raízes em Boston, nos Estados Unidos da América. Já a sua ligação à música manteve-se e, embora de forma pouco comprometida, há uma obra considerável do “padrinho” espalhada pela Internet. Em 2017, a Red Bull Media House produziu o documentário AZ-RAP: Filhos do Vento, dedicado ao movimento hip hop nos Açores e no qual Sandro G é protagonista. No ano seguinte, Rui Miguel Abreu mediou uma conversa entre o veterano e Gson, dos West Bed Gang, também a propósito de uma parceria com a Red Bull.

Natural da Praia da Vitória, na Ilha Terceira, Souza é o mais internacional dos DJs provenientes do arquipélago e tem dado cartas dentro dos domínios da EDM. Faz parte da lista dos 30 melhores DJs nacionais curada pela 100% DJ e este ano celebrou a primeira década atrás dos decks com um espectáculo audiovisual no Auditório do Ramo Grande, depois de ter visto cancelada, devido à pandemia, uma ambiciosa digressão que o levaria até à Ásia, EUA e Canadá.

“Todo Dia” junta dois universos e gerações distintas dentro da música criada nos Açores e é o single de estreia de uma dupla que confessou ao ReB querer cruzar-se mais vezes em estúdio. O videoclipe para o tema foi realizado por Aidan Kless e Vasco Eusébio.



Vocês estão entre os mais altos representantes dos Açores na indústria musical mas são um produto de gerações distintas. Como é que se cruzaram no caminho um do outro?

[Souza] O Sandro sempre foi uma grande inspiração para mim enquanto artista. Sendo eu um grande consumidor de hip hop desde novo, lembro-me de ouvir as músicas do Sandro em loop em todo o lado e mais tarde, quando me tornei DJ e produtor, via no Sandro um exemplo por também ser açoriano e ter conquistado o seu lugar no meio musical. Os nossos caminhos acabaram por se cruzar nos últimos anos graças a um amigo em comum, o Romeu Bairos, um cantautor incrível, com o qual trocava ideias e beats. O Romeu já era amigo do Sandro há algum tempo e acabou por nos apresentar e daí começou a surgir a ideia de colaborarmos em algo. Sempre quis ver o Sandro G de volta à cena, mas nunca pensei que fosse numa colaboração comigo.

[Sandro G] Eu conheci o Souza por intermédio do Romeu Bairos, que veio aos EUA em digressão. Ele disse-me que tinha um DJ da Ilha Terceira que se sentia inspirado pela hipótese de trabalhar comigo. Eu e o Souza fizemos uma videochamada para nos conhecermos. Logo a partir desse momento, a inspiração, a motivação e a dedicação dele para com a música foram aquilo que me chamou a atenção para trabalhar com ele.

“Todo Dia” é o primeiro resultado da vossa colaboração e creio que também a estreia de ambos nos domínios do trap, já que o Souza tem estado ligado à cena EDM e o Sandro G tem um background enraizado no hip hop mais tradicional. O que é que vos levou a ir ao encontro desta estética?

[Souza] Penso que foi a fusão de dois mundos, tivemos de ir ao encontro de um do outro e foi no trap que encontramos a sonoridade que permitisse com que ambos respirássemos. Para além da música electrónica, sempre estive ligado à bass music e ao hip hop, directamente ou indirectamente, portanto não foi difícil ir por esse caminho enquanto DJ e produtor. Da parte do Sandro, apesar de ter vindo do hip hop mais tradicional, ele tem explorado outras sonoridades e está a par dos mais recentes estilos. O resultado final está à vista e quem segue o Sandro mais atentamente sabe que o seu flow e a sua estética estão lá preservados.

[Sandro G] O “Todo Dia” foi criado por dois açorianos de dois mundos [distintos]. O Souza, da EDM, e eu, que venho de um background mais old school, o hip hop. Juntámos estes dois mundos para criar o “Todo Dia”

O tema foi criado em conjunto em estúdio ou o trabalho desenvolveu-se à distância? Houve debate ou troca de ideias entre vocês ou deram espaço um ao outro para fazer as coisas à maneira de cada um?

[Souza] O tema ficou pronto no final de 2019, quase a prever o desfecho do ano 2020, onde andamos todos a trabalhar à distância. O Sandro mora nos Estados Unidos, portanto foi um trabalho desenvolvido entre dois continentes, onde nós acabávamos por ter longas conversas de FaceTime a trocar ideias, beats e versos. Inicialmente estávamo-nos a conhecer um ao outro musicalmente, diria que a pré-produção foi o processo mais demorado. Depois entre acertar faixas, gravar vozes e finalizar acabou por ser um processo rápido.

[Sandro G] O Souza mandou a faixa, que era mais de EDM. Eu escrevi um só verso. Foi devolvido para a Terceira e, depois, da Terceira para Lisboa. O tema foi criado por todo o lado. O Souza pensou depois em mudar o instrumental e pediu-me para escrever mais dois versos, juntamente com o hook. Foi esta a maneira como construímos o single.

O que há para além do “Todo Dia”? Trata-se apenas de um single isolado ou têm planos para incluir a faixa num projecto de maior dimensão?

[Souza] Foi uma colaboração que surgiu de forma bastante natural, podendo ser o princípio de mais colaborações entre nós e outros artistas. O Sandro quer voltar a Portugal, tem saudades dos palcos, há projectos interessantes que estão em cima da mesa, veremos o que o futuro nos reserva.

[Sandro G] O “Todo Dia” é um single por agora, meu e do Souza e distribuído pela Sony. O que nós queremos fazer é… vamos ver os planos. Há coisas que queremos fazer no futuro e também temos de fazer uma digressão. Eu quero mostrar a minha cara em Portugal. Já não apareço em Portugal há quase 20 anos — nos Açores já vai fazer 10 anos. Quero voltar para fazer uma digressão e também quero trabalhar com vários artistas. Hoje em dia temos tantos novos artistas. E, claro, trabalhar com o Souza, que é o meu DJ favorito.


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