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Skinner cumpriu e P-Money revelou-se em mais uma noite C.R.E.A.M.

[TEXTO/FOTOS] Bruno Martins

 

De dois em dois meses, as paredes e os vidros das casas na zona Oriental de Lisboa tremem um bocadinho mais à noite. Pelo menos é essa a sensação que temos quando estamos no piso mais próximo do nível das águas do Tejo no Lux, em Santa Apolónia, durante as festas C.R.E.A.M., organizadas por DJ Glue.

Na última quinta-feira, dia 5, aconteceu mais uma edição, inteiramente dedicada – pelo menos até às quatro da manhã – a artistas vindos do “UK”. No cartaz constavam P-Money, figura de actual destaque na cena grime londrina que tinha aterrado, horas antes, em Lisboa vindo directamente do sul de Londres – Lewishaw – e ainda uma das maiores referências do hip hop inglês, que há um par de anos encerrou a sua actividade com os The Streets, mas que continua atento aos fenómenos do clubbing e aos movimentos sonoros urbanos – senhoras e senhores, Mike Skinner.

 


 


A verdade é que numa noite chuvosa, mas morninha de Outono – daquelas que deixam prever um Verão de São Martinho antecipado – o público que desceu à cave do Lux tinha os olhos postos mais no segundo nome do cartaz. Compreensível. Mas as noites C.R.E.A.M., como também já DJ Glue disse por aqui há uns meses, são pensadas para trazer sons frescos, novas tendências de hip hop a um público que quer descobrir outras sonoridades futuristas – ou que marcam muito o presente.

“Quem é aquele?”, pergunta-nos alguém no meio da pista, a dançar de frente para a cabine onde o DJ Jack Dat (ouçam o SoundCloud que vale a pena) ia aquecendo(nos). “Mas vai haver alguém a cantar, não é?” Sim, companheiro. Vai haver tudo a acontecer, a uma velocidade frenética, ao estilo heavy do grime e dubstep.

 


 


São duas da manhã e o público de Lisboa deve ter percebido que estava a começar a festa. Talvez pela trepidação do chão que, voltamos a dizer hiperbolicamente, se devia sentir até ao Cais do Sodré. DJ Glue também está por ali, sorri a ver a festa daqueles artistas que admira. Também já cá está o Mike Skinner, o motivo principal para compor a casa. Deixa-se ver ao lado de Jack Dat – com ar de quem há três anos andava a fazer férias de verão com os pais em Albufeira – acende um cigarro e espera a sua vez.

P-Money já tinha passado por Portugal, em 2012, num festival de Verão. Mas isto dos concertos em clubs é que é quente. “Não conhecia o Glue. Foi tudo pela Internet! Mas fez-me sentir muito bem com o convite e a hospitalidade tem sido óptima”, diz-nos Paris Moore-Williams na varanda da discoteca, à meia-noite, de t-shirt, numa noite de Novembro. Preparou um espectáculo bastante livre, apesar de ter um disco novo consigo, editado este ano – o muito elogiado “Money Over Everyone 2”. Acabou por dar uma boa lição de velocidade de rimas e flow, muito pesados e metralhado, a puxar pelo arcaboiço que o londrino tem de sobra. “Gosto de fazer muitos freestyles a partir de beats de produtores que trago comigo. Dá-me a oportunidade de mostrar às pessoas o grime, o dubstep que é a música de que eu gosto e de que gosto de ouvir”, explica Paris. “Real UK Music”, grita para o público lá do palco.

 


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Mike Skinner decide entrar em cena, mesmo não sendo ainda hora, mas em jeito de brincadeira, e a mostrar que vinha a Lisboa bem disposto: mete-se com P-Money, interfere com a mesa de mistura de Jack Dat e obriga a um rewind que obriga ao recomeço. Mas uma hora depois do arranque do set do rapper londrino, arrancava a muito desejada performance de Skinner. Ninguém esperava um concerto de The Streets – ninguém é assim tão ingénuo, ainda que no fim tenha havido um cheirinho a “Blinded by the Lights”. O arranque aconteceu com uma remistura de “Niggas in Paris”, a mandar mais um props à actuação de P-Money, para depois fazer um set veloz, com o MC Murkage Dave a puxar pelo público lá de cima do palco, de Grey Goose na mão, a acompanhar as rápidas passagens de faixas coladas a referências da bass music, ao garage e grime, e que permitiu descortinar mais excertos de remixes de Kanye West, Laxx ou Rae Sremmurd.

Foi uma espécie de recriação em Lisboa das noites Tonga que a dupla Skinner-Murkage anda a fazer, há um ano, por Londres. Enquanto não voltamos a ouvir material novo de Skinner – será que ainda vai acontecer? – ao menos que tenhamos a possibilidade de dançar ao som de algumas das suas influências.

 


 


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