SiR // Chasing Summer

[TEXTO] Moisés Regalado

Quando se fala num desses camaleões capazes de trazer, entre raps e flows de r&b, o melhor dos dois mundos para cima da mesa, exemplos como o de SiR não serão os primeiros a saltar à memória. É fácil (e lógico) pensar-se em Travis Scott ou Tory Lanez, 6LACK ou mesmo Young Thug. Como se November não fosse prova suficiente, SiR chega ao novo LP com a mesma disposição que o fez brilhar no álbum de estreia pela TDE, isso apesar dos resultados comerciais não terem sido tão expressivos quanto a recepção crítica.

Ouvir versos de egotrip ou boas punchlines serem cuspidas sob as formas mais melódicas do rap começa a ser norma, certo, só que nem por isso deixa de existir sentido em propostas como a que SiR continua a trazer — e poucas peças encaixam como estas que o cantor trouxe para construir Chasing Summer, uma espécie de bonança que não difere assim tanto da tempestade que foi November. Não é fácil ouvir o novo de SiR e dizer imediatamente que o seu mais novo é um daqueles genuínos gritos de guerra dado pela comunidade hip hop, mas torna-se imperativo dizê-lo perante tão categóricas provas.

“I been going silly for the westside/ You might catch me rollin where the reps ride/ Ain’t no opposition, I’m the best, right?/ I might take my city on a test drive”. Como assim, SiR? Já se sabe que não vale chutar com força mas podiam ter avisado que a diferença técnica e táctica entre jogadores — SiR e o resto — é abismal. E nem estamos a falar de Messis ou Maradonas: quando se discutem os melhores playmakers da história, os eternos apaixonados nunca esquecerão Pablo Aimar ou Juan Román Riquelme.

O interlúdio que une “LA Lisa” a “Fire” é explícito quanto baste: “Talking ’bout he the king of r&b and nigga can’t even move like Usher”. A “acusação” aparece algures pelo meio do alongamento mas podia perfeitamente servir de intro — e de mote para o que se segue. Ninguém o disse mas Chasing Summer é mesmo a segunda parte de November e os desafios ainda se mantêm: ganhar espaço como uma espécie de John Legend que não se acanha na hora de manter um pé bem assente na escola da escrita rap.

O amor tem muitas formas: começa na paixão romântica e nas suas diversas manifestações, tão bem descritas por SiR em “That’s Why I Love You” ou “Wires In The Way”, ficando completo quando finalmente se atinge a liberdade proposta por Chasing Summer. Seja essa uma liberdade poética, como em “Hair Down”, ou a liberdade estética de temas como “Mood”, mais normativa mas tão apurada quanto o restante alinhamento. O grito está dado e ouviu quem quis — e, já agora, não vale a pena fazer desta série uma trilogia. Que SiR joga que se farta já todos viram, faltando apenas que o mister faça deste um verdadeiro número dez capaz de assumir o jogo.


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