Sidoka: promessa do trap brasileiro estreia-se em Portugal esta semana

[TEXTO] Núria R. Pinto [FOTO] Direitos Reservados

Quando, em 2018, Djonga trouxe o jovem Sidoka para rimar numa das faixas do seu O Menino Que Queria Ser Deus, a Internet ainda não sabia ao certo o que esperar do rapper de 18 anos. “Liga pro Sidoka pa trazer aquele flow” abria a participação do mineiro em “UFA” — e tornar-se-ia um chavão do rap desse ano, espalhado por tudo o que era caixa de comentários — numa faixa para a qual o jovem não só emprestaria os seus versos como acabaria por ser responsável pelo refrão. 

Quase dois anos, uma mixtape, um EP e dois álbuns depois, Sidoka vai chegar a Lisboa para apresentar ao vivo Doka Language, o mais recente trabalho, na It’s a Trap. O artista de Belo Horizonte sobe ao palco do Estúdio Time Out a 18 de Janeiro, seis meses depois da festa ter recebido o colectivo Recayd Mob, outro dos fenómenos contemporâneos do trap brasileiro. No dia anterior, o MC actua na discoteca Check In, no Porto.



Com um estilo muito próprio, já que é na linguagem e nos ad-libs estridentes que adaptou do próprio sotaque mineiro que tem uma das suas características essenciais, Sidoka beneficiou, em pouco menos de um ano, de uma ascensão meteórica, enquanto que, visível e naturalmente, tem vindo a definir e sedimentar o seu estilo. Carregado de type beats, o mineiro é hoje espelho para uma geração DIY que dita as tendências do trap BR sem precisar de mais que um microfone e uma ligação à Internet. Em Doka Language, as temáticas não fogem ao registo habitual do género, mais juvenil como manda o estilo e a própria idade, chamando Pexande, FBC, Delatorvi e Dogor para as participações. 

Em meados de 2019, o Spotify Brasil incluía o rapper no seu documentário O Trap Nacional Mostra A Que Veio como um dos nomes a ter em conta para entender o género no país, ao lado de nomes como Matuê, Raffa Moreira, Ebony e FBC.

Tendo feito o primeiro concerto em São Paulo, capital do rap canarinho, há pouco menos de um ano, Sidoka vem à conquista do público português este fim-de-semana.


Núria Rito Pinto

Núria Rito Pinto

Hip hop, r&b e brasilidades com tanta moderação quanto vontade. Fundou o clube de fãs da “Corda” do Boss AC, já comprou CDs pela capa e preferia comer douradinhos frios todos os dias do que ficar sem Spotify.
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