Sh?m: “Eu adoro puxar os limites e criar música com um pé no futuro”

[ENTREVISTA] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Direitos Reservados

O estado de graça do grime no Reino Unido granjeou o maior sucesso em 2016 e parece querer continuar a provar que o género tem pernas para andar em 2017. Atrás das rimas, Sh?m é produtor de autênticos bangers grimey e já trabalhou com Stormzy ou D Double E, mas espera chegar ao ícone Dizzee Rascal.

O Lux Frágil recebe Shem no dia 2 de Fevereiro para mais uma noite C.R.E.A.M. onde se promete desequilibrar a pista de dança através do bass. O Rimas e Batidas esteve à conversa com o produtor para perceber o que o move:

 


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Para começar: porquê Sh?m? É um nome esquisito…

Perguntam-me isso bastantes vezes. O meu verdadeiro nome é Shem. Eu pus o sinal de interrogação porque inicialmente ninguém sabia quem eu era ou como é que eu era. Com o avançar do tempo, eu comecei a experimentar mais e mais na música e começou a ser mais uma coisa sobre eu ser musicalmente livre, criando o que me apetecesse.

2016 foi um grande ano para ti. Qual é o momento que destacas?

Obrigado! Eu penso que actuar na Fabric (uma das salas mais emblemáticas de Londres) tem que ser um dos melhores momentos. Noutro plano, actuar ao lado de WHATSONOT e conhecer muitos artistas dos quais sou um grande fã.

Os dois últimos EPs que lançaste localizam-te entre o trap, os TNGHT, a Soulection e o grime. Achas que esses elementos estão interligados? Ainda estás à procura do teu som ou gostas de experimentar para ver o quão longe podes ir?

Para mim, eu penso que esses três elementos estão ligados. Eu tento fazer um balanço na minha música que permita que os três estilos coexistam. Eu gosto de pensar que eu tenho um som definido e o meu estilo está, aparentemente, em todos os tipos de música que faço. Eu adoro puxar os limites e criar música com um pé no futuro, tanto para o club como para a rádio. Eu planeio experimentar mais enquanto mantenho o meu som e estilo presentes na minha música.

Tu já tiveste pessoas como o Stormzy ou o D Double E a rimar em cima das tuas produções. Quem é que gostavas que rimasses nos teus beats num futuro próximo?

Eu amaria ouvir alguém como Lethal Bizzle e Dizzee Rascal nas minhas produções, mas idealmente eu quero sair e trabalhar com artistas americanos também.

É a tua primeira vez a actuar em Portugal. O que é que conheces da cena musical portuguesa?

Estou familiarizado com Buraka Som Sistema e a cena afro house em Portugal. Ouvi que a relação de Lisboa com África é como Londres com a Jamaiica e eu acho isso fixe! Eu posso passar afro house, mas vou manter-me trappy.

Como é que irás preparar o teu gig? Será uma mistura de canções tuas e de outros?

Maioritariamente, eu vou passar a minha música, mas vou fazer uma “escapadinha” para algumas canções que tenho sentido.

Quais sãos os teus planos para o futuro? Tens algo preparado para 2017?

Eu tenho um EP que vai sair brevemente. Eu não posso pôr uma data ainda, mas está muito perto. Eu tenho trabalhado no duro neste projecto e tem-me tirado um monte de tempo para chegar onde estou agora. Estou bastante entusiasmado para lançá-lo porque é um projecto que descreve a minha jornada até agora e as coisas que vivi na minha carreira.