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Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 20/02/2026

O hip hop não pára (especialmente em Portugal).

Sexta-feira farta: novos trabalhos de Baby Keem, Holly Hood, Blu Samu ou The Alchemist, Larry June & Curren$y

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 20/02/2026

Por mais ou menos representação que o hip hop tenha nos lugares cimeiros das tabelas de vendas norte-americanas, os índices de produtividade (tanto ao nível da qualidade como da quantidade) não enganam. O género musical nascido em Nova Iorque continua a gerar muitas das melhores propostas discográficas e o dia de hoje é um reflexo disso mesmo, com praticamente todos os lançamentos aqui em destaque — aos quais podem ainda somar xtinto — a situarem-se dentro dessa zona do espectro sonoro. Rimas e batidas à fartazana em mais uma Sexta-feira (bem) farta com a curadoria musical assumida pela nossa redacção.

São oito os discos aos quais dedicámos uma escuta mais aprofundada ao longo dos parágrafos que se seguem, mas é também aconselhável que não percam de vista o que foi hoje editado por EMMVR (Amor, Memória & Pele EP), Samuel Martins Coelho (I ERROR – RANDOMIZER), Moonchild (Waves), Mozzy & Est Gee (Not A Chance In Hell), Choker (Heaven Ain’t Sold), Sniff, Caneva & Hush One (One Night on Earth), Hen Ogledd (DISCOBULATED), Nathan Fake (Evaporator), Peaches (No Lube So Rude), WILLOW (petal rock black), Babyfxce E (Da Realest), Dess Dior (Take Notes), Ben Vince (Street Druid), Jim Noir (Programmes For Cools), Nicole McCabe (Color Theory), Altin Gün (Garip), Lucid Express (Instant Comfort), smush (standards), Apparat (A Hum Of Maybe), Lamisi (Let Us Clap) e Dave Holland (Vital Spark (Music of Kenny Wheeler)).


[Baby Keem] Ca$ino

Apesar de ter nascido em Carson, no estado da California, Baby Keem cresceu na “Cidade do Pecado”, em Las Vegas, Nevada. Independentemente do glamour dos seus famosos Ca$inos, essa é também uma cidade muito marcada por problemas com drogas, prostituição e álcool, bem como por um contraste social bastante acentuado entre ricos e pobres. É este o cenário que serve de pano de fundo para o mais recente álbum do rapper, o seu projecto mais pessoal e introspectivo até à data, cinco anos após o aclamado The Melodic Blue. Entre conflitos internos e relatos de episódios desoladores, misturando extravagância com uma vida levada na ponta da navalha, Keem leva-nos por uma alucinante viagem tingida por sonoridades que vão desde o g-funk ao trap, da neo-soul ao hip hop de recorte mais clássico. Ca$ino vem apetrechado com contribuições de gente como Kendrick Lamar, Cardo Got Wings, Too $hort, Sounwave, Keanu Beats ou FNZ e foi precedido por uma série documental de três episódios intitulada Booman, que está disponível no YouTube e nos oferece uma visão mais detalhada sobre a vida do seu autor.


[Holly Hood] Opressionismo

Uma década depois de se lançar em nome próprio, Holly Hood conclui a trilogia de O Dread Que Matou Golias com Opressionismo. É um terceiro capítulo denso, uma luta interna musical de quem se debate para se libertar da raiva, da culpa, da paranóia ou da necessidade de controlo ao usá-las como matéria-prima criativa. São sete faixas de versos opressores, poesia do mal-dizer, exercício lírico do egotrip e da punchline, mas também de temas que lidam com angústias do coração e das relações. Produzido em parceria com o companheiro de sempre, Here’s Johnny (com contributos de Il-Brutto e Kaddy Beats), é um disco das entranhas, de confronto com a tensão, o ruído e a dor. Será apresentado a 14 de Março no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e foi antecipado por cá ainda em Setembro do ano passado numa entrevista.


[Blu Samu] (K)NOT

Com quase dez anos de carreira, Blu Samu chega a (K)NOT como uma borboleta acabada de sair do casulo. Saiu hoje o álbum de estreia da artista luso-belga e é nele que a vemos ganhar asas e a expandir os seus horizontes musicais ao máximo ao longo de 30 intensos minutos. Em (K)NOT, Blu Samu mostra todas as facetas da sua veia artística — indo da hyperpop cintilante ao rap sem papas na língua com uma destreza notável — e versa-nos sobre nostalgia, amor e resiliência através de palavras tão cruas quanto delicadas, tal e qal uma “punk de porcelana”, como bem nota a agência que a representa.


[The Alchemist, Larry June & Curren$y] Spiral Staircases

Depois de múltiplas colaborações em diferentes configurações, os beats do prolífico The Alchemist juntam-se aos versos de Larry June e Curren$y para um disco em trio. Composto por sete faixas, Spiral Staircases é um novo tijolo na grande parede do underground norte-americano, mais um alicerce de um cancioneiro hip hop em constante expansão. Dois espadachins da rima sobre os instrumentais ricos (mas minimalistas o suficiente) de um produtor que tem servido doses massivas de música, contribuindo de forma essencial para todo o panorama.


[Real GUNS] Son of Gun (SOG 2)

Menos de três meses desde o primeiro Son of Gun (SOG), um dos melhores discos nacionais de 2025 para o Rimas e Batidas, Real GUNS não tira o pé do acelerador e entrega-nos uma sequela de rajada. É mais uma dezena de faixas que reforça a consistência do rapper da Linha de Sintra, que desta vez inclui participações de ícones do rap crioulo como Landim, Ne Jah e Sebeyks, além de colaborações com L-ALI, JÜRA, Benny Broker e General Mucuemba. Mais uma peça coesa e equilibrada, trabalhada com cuidado, no puzzle discográfico de um MC consciente com os pés assentes na rua. Real GUNS continua a caminhada que cada vez mais o imortaliza como um nome essencial do rap feito em Portugal.


[The Messthetics & James Brandon Lewis] Deface The Currency

À segunda colaboração entre o trio The Messthetics e o saxofonista James Brandon Lewis, sobem de nível a intensidade a ambição sonoras. Deface The Currency volta a inscrever os nomes da banda e do músico no histórico catálogo da Impulse!, mostrando que a lendária editora de jazz não está só preocupada em proteger o seu espólio — ainda ontem demos por cá conta da grande comemoração em torno do centenário de John Coltrane —, mas também mostra aptidão para descobrir quais as vias a percorrer para que o género se mantenha relevante no presente e no futuro. Entre a liberdade do jazz e o nervo do pós-rock, este quarteto equilibra rigor composicional com improvisação incendiária e prima pelo risco em continuar a desbravar novos caminhos para um dos estilos musicais mais antigos da história.


[BUH BUH] ÉTER

A capa parece vinda de um disco de psytrance, mas o conteúdo é tudo menos música para abanar loucamente o capacete. Quanto muito, vem para alinhar tudo o que está cá dentro. BUH BUH serve-nos uma dose de ÉTER na sua primeira incursão discográfica no formato de longa-duração, dois anos após ter dado a conhecer ao mundo a sua misteriosa persona artística em “O MEU NOME É BUH BUH”, que prontamente integrou o alinhamento do EP Rosas e Espinhos. É rap de técnica apurada e mensagens que alimentam o intelecto ao longo de 21 faixas produzidas por gente como Monksmith, Pablo ou Quantich.


[MAKEMORE] MAKE IT INSIDE EP

Mizzy Miles escancarou as portas da indústria, agora cabe ao resto da turma o processo de MAKE IT INSIDE. O primeiro EP do colectivo MAKEMORE oferece malhas de alta costura hip hop servidas em seis temas matematicamente arquitectados: dez intérpretes e produtores (IAMKENNIS, GONAS, Vieitos, dollasignsaint, sheluvsHUGO, Lopezzi, Bere, Lucca Sayao, Fryze M e Orato) formam cinco pares ao longo da primeira mão-cheia de malhas, sendo que na última assumem uma colaboração a 22 mãos (já com Mizzy também metido ao barulho) para a grande posse cut de seis minutos que dá nome ao projecto, “MAKE IT INSIDE”. É mais um belo aperitivo a sair da cozinha do super-produtor para aguçar o apetite para o grande concerto que vai dar em nome próprio no Campo Pequeno já na próxima sexta-feira, 27 de Fevereiro.

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