A Holuzam reeditou o fanzine Rock Final, criado em Março de 1982 por António Sérgio e Ana Cristina Ferrão para assinalar o segundo aniversário do Rolls Rock na Rádio Comercial, reunindo em papel textos lidos em emissão dedicados a artistas e correntes fora do circuito dominante. A nova edição apresenta-se em A4, 72 páginas, impressão em risografia e adaptação gráfica do original, preservando o carácter artesanal do projecto e enquadrando-o como documento da divulgação punk e new wave feita antes do arranque do Som da Frente.
No comunicado que acompanha a reedição, esta é descrita como parte de “uma operação de restabelecimento e recuperação de alguns marcos só visíveis em certos subterrâneos musicais”, sendo Rock Final apresentado como “primeira parte, ou preâmbulo, de um trabalho de documentação da divulgação (sobretudo) punk e new wave” conduzido por António Sérgio e Ana Cristina Ferrão nos anos anteriores ao Som da Frente, mas já em curso no Rolls Rock e também no Rotação.
O fanzine nasceu quando a equipa do programa decidiu “disponibilizar em zine alguns dos textos lidos em emissão para acompanhar destaques a grupos e artistas”, organizando-os num grafismo de corte-e-cola com a colaboração de amigos e familiares. A edição original era a preto-e-branco, em offset, unida por argolas de plástico; nesta reedição, “optou-se por um fac-símile em reprodução adaptada do original”, agora em risografia, com lombada e ligeiros reenquadramentos de página.
Nas suas páginas fixam-se em papel os entusiasmos que passavam pelo microfone, com textos dedicados a Frank Zappa, Joy Division, A Certain Ratio, The Cramps, Brian Eno e David Byrne, os neo-românticos, o rock sulista, Motörhead, John Cale, Bauhaus e outros nomes divulgados em antena naquele período.
O texto de apresentação descreve essa linha editorial como sendo de atenção “às margens mas também correntes mais centrais, nestas com atenção especial a trânsfugas, irreverentes, diferentes, críticos da indústria, radicais ou perto disso, novos-novos, subversores do rock”. A história do fanzine é agora contextualizada numa adenda escrita por Ana Cristina Ferrão e colaboradores da época, situando este objecto no início de 1982, nos últimos meses do Rolls Rock e no momento imediatamente anterior ao surgimento do Som da Frente, cuja matriz conceptual já estava em marcha.