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Texto: Paulo Pena
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 24/08/2021

De 16/08/2021 a 22/08/2021.

Rap PT – Dicas da Semana #45

Texto: Paulo Pena
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 24/08/2021

Se o rap nasceu para resistir e lutar, não há força da natureza que o extinga. Aqui o bicho só se manifesta nas rimas e batidas, e os nossos soldados não baixam canetas nem no pior dos cenários.

De semana em semana, há novas linhas por decifrar, novos sons por escutar, novas dicas (*) para encaixar. Seja em português ou em crioulo, do masculino ao feminino, desde as maiores estrelas nacionais aos mais anónimos rappers de sótão, do trap ao drill, há espaço para tudo o que nos faça abanar a cabeça, por dentro e por fora.



[Mura] “’93”

Em “Deixa-me Ser” Mura já avisava: “deixa-me de lado enquanto preparo o que vês mais raro na prateleira”, enquanto confessava que cada vez mais queria ser underground

Em “’93” a postura mantém-se: o rapper da Margem Sul volta a esclarecer o seu posto — “deixa-me ser underrated” — neste novo tema (com um sample bastante familiar) produzido por SPVSR que serve de anúncio para um projecto colaborativo em desenvolvimento. Os pedidos de Mura vão se tornando impossíveis de levar à letra quando o seu talento é flagrante.



[YOUNGSTUD] “JACK HERER”

Volta e meia, YOUNGSTUD dá umas voltas nos campos do trap para exercitar o seu flow, empoleirado nas suas próprias barras. As viagens do rapper e produtor, independentemente dos caminhos pelos quais são levadas a cabo, têm paragem obrigatória em estações psicadélicas, à boleia de sucessivas referências — nesta, “JACK HERER” foi via e destino, simultaneamente.



[ACHERO] “OBRIGADO”

Muitos ficam parados na zona a ver o tempo a passar, mas poucos são aqueles que desabafam com uma folha tudo o que sentem, para fazer “do part-time full”. Parafraseadas as palavras de ACHERO em “OBRIGADO”, tema com produção de ZOO, estas são algumas das várias linhas que revelam a caminhada do rapper do Lumiar por uma estrada sinuosa, a busca do sucesso na música. A meta ainda não está plenamente cumprida, mas ACHERO tem traçado um bom caminho. E não deixou de passar pelo Santuário de Fátima para agradecer a sua jornada no rap.



[LigaLá’isso #1] Muleca XIII x IV Crewella x Mr. Burnz x Malabá || Hadit x Illbard Beatz || Cypher

Com o carimbo Legalize Real Rap bem estampado, Muleca XIII, IV Crewella, Mr. Burnz e Malabá ligaram o carburador de rimas no primeiro cypher intitulado “LigaLá’isso”. A dupla de MCs romanos deu as primeiras deixas em cima do beat de Hadit e a segunda parte ficou marcada pela alta intensidade de Mr. Burnz e Malabá, que imprimiram um fast flow por cima das batidas de Illbard. 



[Nex Supremo X Sking G] “Txiga”

A calma antes da tempestade é o que se sente em “Txiga” — tema retirado do álbum Introduçon Di Lobu —, quando o instrumental dá os primeiros sinais, mesmo antes de rebentarem os graves em cima das barras de Nex Supremo e Sking G; um furacão que passa por nós sem darmos conta por fora, mas a sentirmos os seus efeitos avassaladores por dentro. 



[UEST.] “Medeia” (Remix)

UEST. encarou “Medeia” e, depois da ode de João Tamura, dedicou versos a esta figura mitológica feminina, num remix de um tema originalmente produzido por Beiro. Quem perdeu o jogo de sedução foi quem ganhou o jogo de palavras. E que jogo este:

“És a sombra que vejo no tal capucho
Foto não sai do local que a pus 
Foco tá fraco e sem vida 
Por muito que ande no dia
Eu não calco a luz 
Toquei lhe uma vez num sucalco, susto
Cheguei me perto mas vi te em ‘nenhures’
Mote era a sorte e nem esse ‘push’
Achei que eras tu, enganei me nos cálculos”



[L O R D] Roxo e Branco-Nuvem

POLICROMIA é um EP que tem L O R D como anfitrião — nomeadamente na primeira e única faixa cantada, “Roxo e Branco-Nuvem” — e instrumentista, acompanhado por Sonnit Rijal na guitarra e MOZE na paleta de cores que alimentam a “colourlist” deste disco. Um projecto que tem partida no rap e chegada em destinos vários e dimensões múltiplas. São cores de perdição.



[Eliot] “Jardim Suspenso” com Jeezas

O rap de Eliot faz-nos levitar e o saxofone de Jeezas transporta-nos para um “Jardim Suspenso”, erguido pela produção de Aeyatollah. Poesia delirante — não fosse o rapper membro do Clube dos Poetas Loucos —, que vem do âmago de quem a escreve: um servo da noite e paladino da (sua) verdade. A noite é dos poetas? Eliot, “essa escuridão é tua”.


(*O título da nossa coluna, Dicas da Semana, inspira-se num clássico de Biru)

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