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Texto: Paulo Pena
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 23/11/2022

De 14/11/2022 a 20/11/2022.

Rap PT – Dicas da Semana #110

Texto: Paulo Pena
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 23/11/2022

Se o rap nasceu para resistir e lutar, não há força da natureza que o extinga. Aqui o bicho só se manifesta nas rimas e batidas, e os nossos soldados não baixam canetas nem no pior dos cenários.

De semana em semana, há novas linhas por decifrar, novos sons por escutar, novas dicas (*) para encaixar. Seja em português ou em crioulo, do masculino ao feminino, desde as maiores estrelas nacionais aos mais anónimos rappers de sótão, do trap ao drill, há espaço para tudo o que nos faça abanar a cabeça, por dentro e por fora.



[Contra-Bando] “Dope” feat. DJ Kronic

A Blckout Records continua a divulgar trabalho dos mais discretos rappers do underground nacional, com uma nova quadrilha mordaz em evidência: Contra-Bando é encabeçado por Amon e Jack Crack nas rimas e Stone Jones nas batidas, e “Dope” é o primeiro produto desta parceria irreverente, que teve ainda DJ Kronic como cúmplice.



[“CYPHER DO CABRIL”]

Juntem-se 15 mânfios do rap na Armário Records e o resultado, a correr bem, tem tudo para dar para o torto. Os rappers juntos nem o diabo os quis, mas para Cabril, desta vez, quantos mais, melhor. Escolhidos a dedo, Catalão, Animal, Rumo, Rilha, Cevas, Johny Malibz, Mura, Vácuo, Chapz, Farrusco, Avan Gra, Puto P, Renz e João Pestana juntaram-se para fazer das suas, que é como quem diz um cypher de pancadaria lírica — e de perder a conta a estas dicas da semana.



[Cachapa] “Siga”

A perspectiva face às novidades de Cachapa corresponde à mentalidade do rapper de Évora no que diz respeito a divulgá-las: “siga lá para frente”, que é caminho — e já faltou mais para chegarmos ao segundo volume de Dicas Sem Limite. Venha daí o que dele está por vir.



[Monsta] “FLEX”

“FLEX” chegou como último aviso para o que viria a ser Os Distúrbios Mentais De Um Monstro. O novo álbum de Monsta foi revelado dias mais tarde, mas o último single de antevisão foi suficiente para perceber que o “monstro” continua igual a si e aos seus, um tema que espelha aquilo que a Força Suprema sempre representou: o “primeiro estranha-se, depois entranha-se”, aqui numa só faixa. “A minha geração deturpou a diferença entre fazer rap e ser armado em gangster” é outro statement revelador dessa faceta diferenciadora do grupo e cada um dos seus membros.



[Allen Halloween] “Exorcismo de Mary Witch freestyle”

Desde que a “Bruxa” anunciou retirada dos palcos e dos estúdios têm-se registado, volta e meia, aparições esporádicas (até ver um par de vezes) para as quais ainda não há explicação ao certo. Não se sabe se é obra sua, se é alguém em seu nome — contra ou a favor da sua vontade —, mas o que é certo é que ainda nos assombra. E por nós, que continue. 



[Papillon] Jony Driver

Também bem aparecido é Papillon, que depois de “descasular” a solo em Deepak Looper se recolheu para preparar novos voos. “Os anos passaram”, a realidade ultrapassou-o e o rapper de Mem Martins teve de se moldar às circunstâncias que se foram conjugando à sua volta. Talvez essa tenha sido a chave para Papi dar continuidade a um caminho tão bem definido nos primeiros passos individuais, proposta que nos chega agora, madura, em Jony Driver, segundo capítulo de uma história inequivocamente sua, aqui exposto num vislumbre antes da grande revelação.


(*O título da nossa coluna, Dicas da Semana, inspira-se num clássico de Biru)

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