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Texto: Paulo Pena
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 29/12/2020

De 21/12/2020 a 27/12/2020.

Rap PT – Dicas da Semana #11

Texto: Paulo Pena
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 29/12/2020

Se o rap nasceu para resistir e lutar, não há força da natureza que o extinga. Aqui o bicho só se manifesta nas rimas e batidas, e os nossos soldados não baixam canetas nem no pior dos cenários.

De semana em semana, há novas linhas por decifrar, novos sons por escutar, novas dicas (*) para encaixar. Seja em português ou em crioulo, do masculino ao feminino, desde as maiores estrelas nacionais aos mais anónimos rappers de sótão, do trap ao drill, há espaço para tudo o que nos faça abanar a cabeça, por dentro e por fora. 



[ETHOS] “CATACUMBAS” 

Depois de medir rimas em “ESCALAS”, ETHOS desce às “CATACUMBAS” para “trazer barras às postas”. O rapper deambula pisando as notas espetadas por LethalNeedle e riscadas por saraiva, sem dó nem piedade – “O que aqui vês é nu e cru não há cá Al Capones” –, entra no primeiro verso a palpar terreno e termina o segundo de olhos fechados, com um microfone tinto na mão. Mas mesmo de mão ocupadas (ou algemadas), ETHOS até escreve (dicas da semana) “com o braço às costas”. 



[Smélio & Lazy] “Horinha” (feat. DJ Allexia) 

À Socapa é o novo EP que junta Smélio a Lazy em cinco faixas. “Horinha” tem segundos que cheguem para Allexia cortar tempos ditados por Lazy, responsável também pela produção.  

Os dois rappers do Porto uniram forças para fazer um braço de ferro com canetas de ouro, numa faixa sem frases feitas, mas de repetição fácil. São horas de voltar a ouvi-la – “O corpo dança, já vai torto, já está na horinha”.



[Colectivo 258] “Identidade” 

Colectivo 258, composto por Neno a.k.a. Espalha, Onakep, Vi-X aka Trocadilho, Edsom, Tuka, Ré Menor, AgaH2O e Che, escolheu a véspera de Natal para reforçar a sua “Identidade” vianense. É boom bap à antiga mas continua fresco e actual – pois é… nem todas as velhas fórmulas estão ultrapassadas, e por vezes são as máquinas mais clássicas que perduram no tempo a trabalhar sem falhas. 



[Tyson X] “Há Tantos Rappers” 

Se na semana passada nos questionávamos sobre “o que é hip hop tuga, mesmo?”, Tyson X vem oferecer uma outra perspectiva a essa discussão. Pertencer ou não pertencer, eis a questão. A verdade é que “há tantos rappers”… É sobre isso que o rapper (entre tantos…) reflete na última faixa retirada do seu projecto recentemente divulgado, Mesmo dentro do Inferno, procura o teu céu. E para quem se perder entre a diversidade e a quantidade, estão no sítio certo para encontrar artesãos nesta arte, com Tyson X, aqui, a título de exemplo. 



[Johny Gumble e Amon] “Raiz” (Prod. Groove Synthdrome) 

A dupla Johny Gumble e Amon vem da “Raiz”; já em 2011 questionavam “Por quem me tomas?”, e em 2020 continuam a defender as três letras que formam a palavra “rap”. A produção ficou em nome de Groove Synthdrome e a marca de água pertence à Blckout Records, que tem vindo a explorar encontros entre MCs de respeito, sejam nacionais ou internacionais, através de remixes e faixas soltas. Rap extraído da raiz é o lema por estes lados, e o tempo só os torna ainda mais ácidos. Depois não digam que não avisámos… 



[PI] “TedTalks” 

Actuações este ano? Foi para esquecer. Por isso, PI já não dá concertos, mas não deixou de dar “TedTalks”, rodeada por um cenário artístico (com uma parede de aspecto Van “Goghiano”, e cujo nome do célebre pintor se revela, mais tarde, no plano final), não fosse Rute Silva parte integrante da Estação Colectivo Artístico. Apoiada num leito sonoro colorido e diversificado, a rapper dos recortes (é passar pela sua conta de Instagram) tem na voz características de uma Capicua em início de carreira, mas apresenta-se decidida a dar as suas próprias palestras.  



[TK & Uno] “Ensina-me a ver” (feat. PIKA) 

TK e Uno presentearam-nos com HO HO HO, mais um álbum colaborativo entre os dois rappers, senhores do underground abaixo do underground – poucos descem tão baixo a um nível tão alto. “Ensina-me a ver” é tema que embrulha a prenda discográfica no último laço dado por ambos, assinado por D’Éléments e enfeitado por PIKA. Saxofones, vozes soul e rimas revoltadas: o melhor presente que se podia receber.

(*O título da nossa coluna, Dicas da Semana, inspira-se num clássico de Biru)

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