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Publicado a: 17/03/2016

Playlist: 8 instrumentais notáveis de Sam The Kid pós Beats Vol.1: Amor

Publicado a: 17/03/2016

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] João Tamura

Além de ser um dos MCs mais completos que o nosso país viu nascer, Sam The Kid é também um exímio arquitecto de instrumentais de hip hop. Em 2002 lançou o seu primeiro disco exclusivamente dedicado aos beats e deixou uma pegada enorme na história do hip hop nacional. Para muitos, Sam The Kid era apenas mais um praticante de um género musical que muitas vezes era menorizado e descrito como ‘música de pretos’. A falta de atenção do público face às letras de rap criou uma grande barreira ao hip hop made in Portugal, que muitos achavam ser um género violento e sem conteúdos. Com Beats Vol.1: Amor, Samuel Mira conseguiu oferecer aos ouvintes aquele que foi o primeiro projecto de hip hop português onde não havia lugar para as rimas. Graças a essa edição, o género de público que Sam The Kid alcançou mudou completamente. Mesmo sem o saber, foi de encontro àquilo que a grande parte dos ouvintes não sabiam fazer – separar a letra do instrumental e apreciar toda a musicalidade presente num beat; Em Beats Vol.1: Amor havia a tal ‘música de pretos’ mas sem ninguém a ‘falar’ por cima, e isso foi crucial para que muitas das pessoas que diziam não gostar de hip hop passassem a ouvir o género com outros ouvidos.

Com isto não pretendo dizer que a batida seja mais importante do que a letra, ou vice-versa. Mas foi, sem dúvida, graças a este abre-olhos (ou ouvidos, neste caso) que as massas abraçaram Sam The Kid e a sua música. O hip hop agradeceu e hoje é, possivelmente, o género musical mais ouvido em Portugal.

“Será que é este ano?”, é a pergunta que todos nos colocamos repetidamente quando se levanta a possibilidade da edição do segundo volume de instrumentais de Sam The King. Isso agora não importa. Na internet encontramos beats suficientes para podermos, nós próprios, desenhar o nosso próprio alinhamento desse tão aguardado segundo volume. Esta é uma lista possível construída a partir de instrumentais criados por STK que não fizeram parte do alinhamento de Beats Vol.1: Amor.

 


 

[SAM THE KID] “Viva!”

Poderia deixar este espaço em branco pois acho que não existem palavras para descrever este instrumental. Curiosamente, foi o primeiro tema de hip hop instrumental feito em Portugal que me lembro de ter ouvido. Na altura, em 2003, não tinha acesso à internet em casa e não sabia que Sam The Kid tinha já editado um álbum dedicado aos beats. O tema passava na rádio e eu, que gostava de fado, arrepiava-me com aquela abordagem completamente nova. Samples de guitarra portuguesa aliados à voz do incontornável Carlos do Carmo, em cima de uma batida de hip hop. Era algo que eu não esperava ouvir. O Sam já o tinha feito antes, mas não numa versão completamente instrumental.

O tema serve de abertura à compilação Movimentos Perpétuos | Música Para Carlos Paredes e aquele “ficar a olhar” ficou-me na cabeça para sempre.

 


https://youtu.be/1go0c_nKtuk

 

[SAM THE KID] “Êthos”

2005. Mais um instrumental, novamente em forma de dedicatória, desta vez para Amália Rodrigues. Sam The Kid é novamente convidado a fazer parte de um álbum de tributo a outro grande nome do fado em Amália Revisited. Apesar da origem do sample, o produtor de Chelas dá-lhe uma abordagem completamente diferente daquela que tinha sido feita em “Viva!”, dando-nos um tema completamente diferenciado do anterior, mostrando a sua capacidade para camuflar fragmentos musicais antigos num contexto moderno.

 


 

[SAM THE KID] “Playback”

O ano de 2007 traz-nos novamente um tributo de Sam The Kid. O mundo da música via no homem de Chelas uma figura que representava na perfeição o artista contemporâneo português. Nesta altura já tinha sido editado o terceiro registo com voz de Samuel Mira, Pratica(mente), que faz este ano a sua primeira década de vida. Muitas das pessoas que nem prestavam atenção ao hip hop sabiam perfeitamente quem era Sam The Kid e todo o seu potencial enquanto artista.

Tributo a Carlos Paião foi a colectânea que recebeu este tema onde Sam recria o famoso hit do falecido artista popular português.

 


 

[SAM THE KID] “Telepatia”

 

 

[SAM THE KID] “Arsenal”

Em 2006, Sam The Kid e Pacman (Da Weasel) assinam a banda sonora do filme português O Crime do Padre Amaro. O single, que também conta com a voz de SP, foi um dos hits do hip hop nacional na altura. Mas foi em 2010 que STK decidiu fazer algo fora do comum. Missão: reunir instrumentais feitos no processo da criação da banda sonora do filme e soltá-los na internet gratuitamente num pack ao qual Sam chamou, no seu blog, Sobras do Padre Amaro. Este vasto pacote de beats deu a possibilidade a muitos MCs de também eles poderem rimar num instrumental de Sam The Kid. Rapidamente começaram a surgir na internet vários temas que contavam com a produção de Sam, ainda que sem o envolvimento do mesmo nos projectos. “Black Label” dos AVC é um desses casos.

 


 

[SAM THE KID] “Duro”

 

 

[SAM THE KID] “Perco Tempo”

Apesar de manter uma conta no MySpace há largos anos, foi entre 2009 e 2011 que Sam The Kid decidiu dar mais vida ao seu perfil do que era habitual. Quem o seguia encontrou por lá alguns temas inéditos como a versão do tema “Desabafo” de Marcelo D2 que conta com a participação de Sam. Mas como estamos a falar de beats, o MySpace do rapper de Chelas tornou-se no palco de um bom número de instrumentais durante essa altura que referi, já perto do abandono geral de que o MySpace foi alvo graças ao aparecimento de novas ferramentas como o Facebook ou o SoundCloud.

Estes dois últimos instrumentais ficaram ainda mais famosos depois de servirem de banda sonora para as peripécias d’Este Senhor. O famoso entrevistador de rua que fez soltar gargalhadas no YouTube e que já assinou vários videoclipes de hip hop.

 


 

[SAM THE KID] “Frio”

A minha última escolha recaí em mais um dos instrumentais que foram aparecendo no MySpace de Sam. Na altura em que o tema foi para a página de Samuel Mira muitos dos seus seguidores reconheceram-no de uma famosa entrevista – que na altura era uma das poucas disponíveis online – onde o MC de Chelas explicava alguns dos passos que efectuava para construir um beat e tratar um ou vários samples. “Frio” tem uma batida fora do comum e é mais um exemplo de como a nova escola do hip hop estava sedenta de trabalhar com o grande mestre. Este, em especial, não me sai da memória desde que Osiris lhe deu a sua própria abordagem em 2011.

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