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Promessa de experimentação e improvisação na estreia ao vivo da editora.

Phonogram Unit expõe-se ao mundo na SMUP

É já amanhã, dia 25 Setembro, que ocorrerá o evento de apresentação da Phonogram Unit, novo selo discográfico que promete agitar a cena nacional de experimentação, improvisação livre e música electroacústica. O evento ocorrerá no salão da Sociedade Musical União Paredense (SMUP), na Parede, e tem início previsto para as 21 horas.

Os cincos músicos fundadores da editora — José Lencastre, Rodrigo Pinheiro, Jorge Nuno, Hernâni Faustino e Vasco Furtado — serão os protagonistas das três actuações que irão preencher este serão e que começará com um solo de Pinheiro ao comando do piano, ao qual se seguirá um concerto do trio Lencastre-Faustino-Furtado (saxofone tenor-contrabaixo-bateria), autor do álbum de estreia da editora, Vento, recentemente aqui abordado na coluna Notas Azuis de Rui Miguel Abreu.

Para finalizar a noite em grande, ao trio de Vento juntar-se-ão Pinheiro e Jorge Nuno (guitarra), para uma apresentação em formato de quinteto que certamente coroará uma noite que se antecipa memorável e recheada de experimentação e improvisação. A lotação é limitada e é aconselhável que se reservem lugares com antecedência enviando um e-mail para reservas@smup.pt. Os bilhetes de entrada custam seis euros (quatro para sócios da SMUP).

Para os curiosos em saber mais sobre este novo promissor projecto editorial, reproduzimos na íntegra uma entrevista que Lencastre deu ao Beats for Peeps onde abordou a estrutura e missão deste selo, assim como o tipo de lançamentos que a chancela pretende realizar.



Antes de mais obrigado por teres aceite responder a algumas questões sobre a Phonogram Unit. Qual a motivação que levou à criação desta nova editora e quem são as pessoas envolvidas neste projecto?

Muito obrigado pelo interesse na editora. A motivação para a criação da Phonogram Unit foi a vontade sentida por nós os cinco em ter um meio que nos permitisse divulgar e documentar a nossa música da forma que melhor entendêssemos. Os envolvidos são, para além de mim, o Hernâni Faustino, o Vasco Furtado, o Jorge Nuno, e o Rodrigo Pinheiro. Somos todos amigos e tocamos juntos em diversas formações. Em conversas que fomos tendo surgia muitas vezes esta ideia: epá, e se criássemos uma editora? Falámos e falámos, e por fim fomos adiante com esse projeto.

O que é que a Phonogram Unit poderá trazer de novo à cena musical portuguesa? Qual o objectivo e missão deste selo?

O nosso principal objectivo é lançar trabalhos em que estejamos envolvidos. Temos todos diferentes projetos, uns já existentes e outros ainda só na cabeça, que gostaríamos de apresentar. A editora surge para já para divulgar trabalhos onde pelo menos um dos cinco envolvidos esteja presente. No futuro, quem sabe isso possa mudar. A cena musical portuguesa está muito bem servida, felizmente. Dentro do universo do jazz e da música improvisada existem imensos músicos de qualidade e também várias editoras a fazer um trabalho notável. A novidade absoluta é algo muito difícil de atingir, parece-me que poderemos somar ao que já existe: uma comunidade artística dedicada a este tipo de som. Desejamos acima de tudo dar a conhecer música que acreditamos ter qualidade e sinceridade. Faremos o nosso melhor nesse sentido, tudo o resto já não nos cabe a nós julgar.

Um fonograma é um símbolo taquigráfico, isto é, uma representação simbólica de um som vocal. Porquê o nome Phonogram Unit? É objectivo da editora tornar-se uma referência nos domínios da experimentação, improvisação e música electroacústica, isto é, representar simbolicamente estas dimensões musicais?

Sim, sem dúvida que gostaríamos muito de atingir um patamar de referência nessas dimensões musicais. É um objectivo que deverá ser trabalhado de forma constante e contínua, a cada edição que lançarmos. O nome Phonogram Unit joga com essa ideia de fonograma como representação simbólica, no sentido de comunicação não-verbal através de sons – neste caso música; e também fonograma como suporte material onde um som pode ser gravado: CD, cassete, etc.. Unity no sentido literal de unidade, de coesão; mas também como conceito mais abrangente de partilha de valores, de ideais, de amizade, e de amor e respeito pela forma de arte que é a Música. E temos ainda a Unidade enquanto habitantes deste planeta: enquanto raça humana somos todos um, estamos interligados independentemente da nossa nacionalidade, escolhas políticas ou sexuais, cor de pele, e por aí fora.

No Bandcamp da editora é referido que esta é totalmente gerida pelos artistas que dela fazem parte. É interessante ver que este tipo de iniciativas – que, no domínio do jazz,  começaram com as associações sindicais de músicos e que, mais tarde, levaram ao surgimento de movimentos tão influentes, profundamente caracterizados por vertentes de exploração e experimentação, como, por exemplo, a cena loft jazz americana – sejam cada vez mais a opção tomada por grupos de artistas que desejam lançar o seu trabalho de forma independente. Revês-te de alguma forma nesta ideia de comunidade, auto-suficiência e, de certa forma, protecção primária dos interesses dos músicos? Qual a tua opinião sobre lançar música em editoras geridas pelos próprios músicos versus lançar música em editoras geridas por não-músicos? 

Sim, revejo-me completamente. Este tipo de iniciativas tem uma certa tradição no domínio do jazz, como mencionas. Sinto que é quase como a atitude punk do DIY. A primeira grande diferença em lançar música numa editora própria é o controlo total em relação à data em que se quer apresentar o trabalho. Por vezes tem que se esperar cerca de um ano nas outras editoras e a partir de agora poderemos encurtar esse período de tempo que vai desde o momento em que a ideia surge e é registada até ao dia em que está disponível para ser ouvida pelo público. Há também maior controle nas questões de promoção, na decisão de quantas cópias imprimir caso tenha edição física, e qual o formato a utilizar, etc. Nada contra editoras geridas por não-músicos, estou muito feliz por ter tido a oportunidade de editar pela Clean Feed, pela Creative Sources, pela FMR Records… é apenas outra forma de trabalhar.

Vento, o lançamento de estreia da Phonogram Unit, é um disco que, para além da tua presença no saxofone alto, conta com a participação de Hernâni Faustino no contrabaixo e Vasco Furtado na bateria – todos nomes conhecidos e influentes no panorama da improvisação livre portuguesa. É este facto reflexo da prioridade que a Phonogram Unit quer dar aos músicos e grupos portugueses ou há algum interesse de, no futuro, expandir para editar e colaborar com músicos internacionais?

Tal como referi, inicialmente vamos dar prioridade a projectos onde pelo menos um de nós esteja envolvido, seja este projeto com músicos portugueses ou estrangeiros. A colaboração e edição futura de músicos internacionais não está posta de lado, está tudo em aberto. Acredito que o interesse surgirá quando a oportunidade se proporcionar.

Há alguma informação que possas revelar sobre os próximos lançamentos da editora? Quais os planos para o futuro da Phonogram Unit?

Temos já uma próxima edição preparada, mas para já não podemos ainda desvendar qual será. Os nossos planos para o futuro não estão cem por cento delineados ainda, sei apenas que queremos editar gravações que nos agradem e que nos façam sentir a vontade de as partilhar com as pessoas. Num futuro muito próximo temos o nosso concerto de apresentação da editora que ocorrerá na próxima sexta feira dia 25 de Setembro na SMUP. Além do trio do Vento, toca também o Rodrigo Pinheiro a solo, e o quinteto em que participamos todos. Este quinteto será uma estreia absoluta. Estão desde já todos convidados!


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