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Texto: ReB Team
Fotografia: João Pádua

Mais de uma dezena de músicos em palco para "um concerto dinâmico e esteticamente do século XXI".

Pedro Melo Alves: “O Guimarães Jazz é o contexto ideal para apresentar um projecto assim”

Texto: ReB Team
Fotografia: João Pádua

No dia 21 de Novembro, às 21h30, Pedro Melo Alves (com o Omniae Large Ensemble) encerra a programação da edição deste ano do festival Guimarães Jazz.

22 músicos acompanham o baterista e compositor portuense: José Diogo Martins (piano), Filipe Louro (contrabaixo), Mané Fernandes (guitarra), João Miguel Braga Simões (percussão), João Carlos Pinto (electrónica), José Soares (saxofone alto), Albert Cirera (saxofones), João Pedro Brandão (saxofone alto e flauta), Clara Saleiro (flautas), Frederic Cardoso (clarinetes), Álvaro Machado (fagote), Gileno Santana (trompete) Xavi Sousa (trombone), Ricardo Pereira (trombone), Fábio Rodrigues (tuba), Luís José Martins (guitarra clássica), Luís André Ferreira (violoncelo), Alvaro Rosso (contrabaixo), Mariana Dionísio (voz), João Neves (voz), Diogo Ferreira (voz) e Pedro Carneiro (direcção).

O autor de In Igma explicou-nos, em três pontos, o que podemos esperar da apresentação em Guimarães.



[A génese do projecto]

“O Large Ensemble surge de um convite feito em Julho pelo Ivo Martins, programador do Guimarães Jazz. Felizmente, ele e a equipa da Oficina, à semelhança de alguns programadores mais corajosos, decidiram manter o festival Guimarães Jazz neste cenário pandémico e redesenhá-lo para uma proposta mais nacional. Neste contexto, julgo que de alguma forma sugestionado pelo meu lançamento do In Igma no final de Junho, o Ivo lembrou-se de me desafiar a trazer uma proposta orquestral do Omniae Ensemble para encerrar o festival.”

[Reacção à encomenda]

“Eu recebi a proposta com muito agrado, por todos os motivos: primeiro porque se trata de uma altura perfeita para abraçar projectos de composição destes, dada a escassez de concertos; depois porque a génese composicional do Omniae Ensemble de certa forma já ambicionava uma ideia de ensemble maior através dos sete instrumentos originais; e também porque o Guimarães Jazz é o contexto ideal para apresentar um projecto assim, dada a linha de programação tanto vanguardista como mais popular do jazz contemporâneo. Portanto era tudo muito pertinente e estimulante. Ainda assim, dado que estava reservado para o fecho do festival no auditório principal, estava um pouco receoso de que as expectativas apontassem esta encomenda para um cariz acessível para o público em geral. E felizmente esse receio não tinha qualquer fundamento. Quanto mais desenvolvi a proposta com o Ivo, mais percebi que estávamos totalmente alinhados e que o Ivo queria de mim uma encomenda sem qualquer cedência estética, desafiante, de acordo com a minha ambição e que, ‘se necessário, deixasse o público do Guimarães Jazz desconcertado’. Não há nada melhor a ouvir do que este voto de confiança vindo de um programador.”

[A preparação, a composição e a adaptação do reportório]

“Isto de repente abriu um quadro infinito de possibilidades, sendo que eu poderia montar a equipa à minha escolha. De imediato pensei numa série de mentes criativas dos circuitos do jazz, do erudito e do experimental em que tenho circulado e em desafiar a convenção do espectáculo jazz tradicional. Considerei elementos de instalação sonora reactiva, considerei performance, considerei todo o tipo de combinações instrumentais. No entanto, rapidamente se tornou óbvio que, apesar do encaixe estético com o convite, isto continua a ser um convite muito próximo do evento para este tipo de voos. Não haveria nem tempo suficiente até lá nem disponibilidade de agenda dos músicos para uma criação total de raiz e respectivos ensaios. São tudo músicos profissionais muito solicitados, com as agendas (felizmente) já bem ocupadas até Novembro. E, assim sendo, tive de ser pragmático. E mesmo assim tem sido um trabalho de composição exaustivo que me tem ocupado dia e noite desde Julho e que vai significar um Setembro e Outubro de estudo e ensaios também exigente para todos os envolvidos.

O Omniae Large Ensemble a ser apresentado neste festival vai ser, então, uma reinterpretação estendida do repertório de 2017 do Omniae Ensemble, com total recomposição do material escrito e das situações de improvisações. Estou a tirar partido da combinação de músicos com origens quer da música erudita, quer do jazz e improvisação, quer do experimental electroacústico, para gerar um concerto dinâmico e esteticamente do século XXI. Está a ser interessante imaginar todos os músicos que escolhi a dedo nas situações que estou a desenhar para eles. É uma delícia poder compor para músicos específicos e tirar partido das especificidades únicas de cada um, quer a estimulá-los nos seus campos estéticos de conforto quer a desafiá-los para fora deles. Acredito que a matéria musical aqui em potencial vai apelar a todo o público curioso. E, de resto, está a servir como ponto de reflexão para a composição que já estava a preparar para o segundo álbum de Omniae que espero vir a conseguir montar e gravar no próximo ano — esse sim, criação de raiz, sem estar presa a qualquer passado e também com nova instrumentação.”


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