OUPA! no Plano B: Casa cheia para receber a nova dream team do Porto

[TEXTO] Gonçalo Tavares [FOTOS] João MG

Quem entrou no Plano B, no Porto, às cegas na passada noite de terça-feira foi provavelmente surpreendido. Viu oito MCs e cantores em cima de um palco a fervilhar de energia. Ouviu os seus flows variados e frescos, o seu absoluto à-vontade na entrega e nas transições entre si. Dificilmente poderiam adivinhar o contexto porque nada no concerto o indicava, fora os comentários tecidos entre as músicas. A origem amadora do projecto, quatro anos depois do seu início, desvanecia numa hora e pouco de hip hop maduro.

O OUPA! parte de um um projecto de intervenção social e cultural que propôs residências artísticas de escrita, produção de beats, produção de videoclipes, promoção de música, entre outros, a jovens dos bairros do Cerco, Ramalde e Lordelo. É relevante conhecê-lo para se descortinar a evolução do projecto até ao colectivo presenciado, composto por membros das três residências anteriores, mas a verdade é que, sem ele, o essencial não se tinha perdido.

Estava no Ricardinho a rasgar o seu verso em “Estamos Fortes” (o concerto foi de apresentação do álbum de estreia do colectivo, Cidade Líquida). Estava na “Salsashit”, uma “viagem a Cuba” que trouxe um Joca lascivo. Estava na Mónica Sol a puxar pelas cordas vocais em “Nosso Fado”, aplaudida várias vezes ao longo do concerto, no LS a dominar calmamente o seu verso em “Netflix and Chill”. Ninguém ficou para trás — todos os membros tiveram os seus momentos de destaque.

Em “Eu Não Queria” ouvimos um Bonaparte sério, com uma postura sofrida que nos fez lembrar Virtus. Capicua, uma das coordenadoras do projecto, comentou que este álbum “representava muito bem o rap que se faz no Porto”. Os OUPA! são o mais recente aprendiz desta escola.

O grupo sabe ser melancólico, sensível, mas também sabe dar festa e redobrou-a no palco. Em “À Nossa”, depois de agradecerem às suas casas, à Câmara do Porto e aos diversos coordenadores e antes do encore, um bis do “Nosso Fado” saltaram e dançaram de forma contagiante.

A noite foi do projecto que, depois de se ter “consagrado em Lordelo” (palavras do LS), espalhou-se para todo o Porto, para uma Cidade Líquida. A noite foi da Mónica, do Drunk Nigga, do LS, do Garcez, do Bonaporte, do Ricardinho, do Joca e do Doc Carismático.

A noite foi deles, é certo, mas, no final, também foi de todos aqueles que estiveram no Plano B.

 


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