ORTEUM: “Indigesto” antecipa a primeira RAIA Sesh

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Sebastião Santana

Saiu ontem “Indigesto”, o novo avanço do próximo EP dos ORTEUM. O grupo actua esta sexta-feira na primeira edição das RAIA Sesh, no Cine Incrível, em Almada.

A Última Gota que os ORTEUM deixaram pingar há um ano aqueceu e já se começam a sentir os efeitos do Vapor. O segundo trabalho de originais do grupo ainda não tem data marcada para ver a luz do dia na íntegra mas começou por ser antecipado com “Capitão Gaivota” no final do mês passado, e ontem foi sucedido por “Indigesto”. Romeu.Rocha assina o instrumental do segundo single do curta-duração, apresentado com um vídeo dirigido por Sebastião Santana.

Embalados pela edição do álbum de estreia, Tilt, Mass e Nero estiveram na estrada para apresentar o projecto em salas um pouco por todo o país. Agora o trio promove as RAIA Sesh, uma iniciativa que visa promover os artistas da casa da RAIA Records, fundada pelo grupo no ano passado, e que coloca o trio a assumir pela primeira vez a produção e a direcção de um evento de maior escala no Cine Incrível, espaço cultural histórico de Almada. DJ Ketzal acompanha o colectivo no palco atrás dos pratos, com TOM & DJ Sahid, Camboja Selecta e Bdjoy a fechar o cartaz.

Em conversa o ReB, Tilt abordou o mais recente avanço de Vapor e a grande festa de hip hop que a sua editora prepara para esta sexta-feira.



Já há alguns anos que o hip hop não pisa o palco do Cine Incrível, em Almada. O que significa para vocês poder jogar em “casa”, num espaço repleto de história?

Bem, para além do enorme prazer, significa um possível retorno do rap às noites almadenses (que tanto nos criaram). Estamos bastante contentes por termos o Cine Incrível como cenário da nossa primeira produção em Almada.

O que é isto de RAIA Sesh? Pretendem levar a iniciativa a outras paragens?

É um conceito ainda em desenvolvimento… Mas sim, o objectivo é fazer estrada com o nosso trabalho.

O espectáculo coincide com uma altura em que começaram a desvendar novo material de ORTEUM. Após terem sido seduzidos a embarcar “numa viagem perigosa” pelo “Capitão Gaivota”, o que representa este “Indigesto” na narrativa do vosso próximo EP?

Na verdade, a narrativa que criámos não vai estar na íntegra no EP. Temos lá apenas dois sons pertencentes à narrativa. Eles nem sequer estão ordenados: existe um gap entre esses dois sons (do EP) que vai ser um som que une essas duas faixas, que vai estar noutro projecto nosso, e portanto, a história fica como que peças de um puzzle que estão espalhadas. O “Indigesto” é só p’a meter nojo.

Já estabeleceram alguma data para lançar Vapor? Vamos ter a oportunidade de escutar algum desse material inédito em palco?

Sem datas, para já. Não. Já há muito tempo mesmo que não tocamos em Almada e por isso não sentimos necessidade de tocar faixas inéditas. Até porque “Capitão Gaivota” e o “Indigesto” são faixas bastante recentes. Mas vamos ter um convidado especial: Pika Beatbox (que também vai ter showcase na noite de quinta-feira no Copenhagen, no Cais do Sodré)

Quando anunciaste este evento não escondeste o entusiasmo por estarem a assumir toda a produção de um espectáculo vosso pela primeira vez. Para quem vos vai visitar nesse dia, em que é que todos esses esforços se vão traduzir, tanto ao nível visual do espaço em si como da curadoria musical?

Vão-se traduzir numa noite embebida no espírito do hip hop. Bom som, bons artistas e o Bdjoy como host… Tem tudo para dar certo.


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira