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O booklet de T&C/AVNP&NMTC de NERVE

[ARTWORK] Tiago ‘NERVE’ Gonçalves

 

A semana em que NERVE foi o editor honorário do Rimas e Batidas encerra com a partilha de todas as letras e informações autorais relativas ao seu último disco, “Trabalho & Conhaque” ou “A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança”, que podem adquirir no site da editora do projecto, a Mano A Mano.

Ao longo da semana, o MC partilhou uma série de apontamentos na primeira pessoa sobre os sete anos de construção do disco, abordando não só as diferentes fases do processo produção do mesmo, como o resultado a nível pessoal de tão longa experiência.

Podem consultar os apontamentos segundo os capítulos abaixo descritos:

[O Plano Inicial] | [A Primeira Recolha de Instrumentos & Redefinição (Parte I)] |[Redefinição (Parte II) & A Segunda Recolha de Instrumentos] | [O Subtítulo “AVNP&NMTC” & Participações] | [A Edição, A Gravação & Notas Finais]

 


 

 

[1. CIDADE PERFEITA]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por NOTWAN.

Voz adicional por JOANA AMORES.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Quase lá mas ainda é longe. Largo laços, tenho de ir hoje. É assim que eu lido sem barreiras.

 

Vamos erguer a Cidade Perfeita. Pega na enxada. Feios, animais e fumadores ficam à entrada. – Achas que dá? – Não subestimes as almas que inventaram o ar condicionado só para ser agradável estar em jaulas. Só para ser agradável estar em jaulas. Não li as minhas falas, vou queimá-las. De que vale estar numa caixa de fósforos à coca do dia em que saio à rua e sou kennedyrizado daqui para fora? – Kennedyri-quê? – Vou sem colete à prova de bala e num descapotável, nas calmas. Queres ver sangue, então dispara. Nos filmes as balas nunca acabam mas lanternas vão-se rápido. Estás a disparar para o nada. E nada é pouco se estás numa de sacar proezas. Vim marcar pontos. Splash no lago da subtileza. Com uma mão no lombo da secretária sobre a mesa e a outra a assinar o contrato que vai salvar esta empresa, eu estou longe.

 

Quase lá, mas ainda é longe. Largo laços, tenho de ir hoje. É assim que eu lido sem barreiras. Faz as malas, babe. Rumo à Cidade Perfeita. Eu estou onde? Quase lá, mas ainda é longe. Largo laços, tenho de ir hoje. É assim que eu lido sem barreiras. Faz as malas, babe.

 

Eu vou erguer a Cidade Perfeita. Onde eu sou rei de tanto, cheio de sangue, herói na batalha e nem me aleijo. Não preciso de viver lá, basta-me ir lá de vez em quando. Basta-me ser herói de vez em quando. Eu respiro na Cidade Perfeita para ter maneira de suster a respiração quando vou para a cidade verdadeira. Sem barreiras, treino a trancar a traqueia enquanto eu ando. Basta-me respirar de vez em quando.

 

Quase lá, mas ainda é longe. Largo laços, tenho de ir hoje. É assim que eu lido sem barreiras. Faz as malas, babe. Rumo à Cidade Perfeita. Eu estou onde? Quase lá, mas ainda é longe. Largo laços, tenho de ir hoje. É assim que eu lido sem barreiras. Faz as malas, babe.

 


 

[2. PONTAPÉ DE BOAS-VINDAS]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por NERVE.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Tu não penses muito. Não pagam para que tu penses, então não penses muito. Eles não te pagam para que tu penses, então não penses muito. Tu não penses muito.

 

Na minha faixa etária, os meus compatriotas entregaram as espadas, saltaram borda fora, faz tempo. Mil vezes o mar gelado e os tubarões do que ficar a ver navios a afundar e que me caia um braço se não os entendo. Quero ser dos que ficam e colaboram mas, pelo sim pelo não, guardem-me um lugar no último salva-vidas. Eu prometo, hei-de ir embora enquanto um homem apto a ser explorado, numa de: apresenta-me ao próximo cubículo e dá-me o meu pontapé de boas-vindas ao espaço. Fui treinado para correr, correr é o que eu faço. Vá, mordam-me os calos mas não me comam por otário, que eu sei que aqui dentro alimenta-se tubarões, como no oceanário. Obrigado por me integrarem. É meu o privilégio. Esta empresa é tudo, e eu um insecto. Mas eu não preciso de reuniões, sessões de team building, coaching motivacional e mais lavagens ao cérebro. Eu só quero o meu cheque.

 

Parece que por enquanto o sonho não motiva. Que tal um pontapé de boas-vindas? Estás em tua casa. Aprecia o espectáculo e a bebida. Leva a sova na desportiva e não penses muito. Tu não penses só porque um sonho não motiva. Que tal um pontapé de boas-vindas? Estás em tua casa. Aprecia o espectáculo e a bebida. Leva a sova na desportiva.

 

Não me digam que há um prémio atrás da cortina e que as doze tarefas não foram mentira. Não me digam que na sala ao lado não estão fulanos com charutos e Gucci a apostar em qual de nós vai ser o último a variar em público. Esforço dúbio, sonho pútrido. Esse unicórnio não é impossível de apanhar. Ele não existe, estúpido. Poupa-me a lição do sacrifício pela glória. Não, não posso largar os meus hobbies, é uma longa história. Se calhar, está na hora de entregar a espada, saltar borda-fora, optar pelo mar gelado e os tubarões; ou dizer adeus às vertigens, alargar os horizontes e dar uso a estas asas virgens. Se não, resume-se a isto o melhor dia da minha vida. Foi cá um espectáculo, as entradas estavam divinas. Mas estava meio noutra, a tirar a areia dos olhos e acho que não devo ter apanhado bem o momento Kodak da coisa, porque só…

 

Parece que por enquanto o sonho não motiva. Que tal um pontapé de boas-vindas? Estás em tua casa. Aprecia o espectáculo e a bebida. Leva a sova na desportiva e não penses muito. Tu não penses só porque um sonho não motiva. Que tal um pontapé de boas-vindas? Estás em tua casa. Aprecia o espectáculo e a bebida. Leva a sova na desportiva e não penses muito.

 


 

[3. TRABALHO]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por NOTWAN.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Acordo e sinto o cheiro a morto, cá dentro. Lá fora, a esgoto. Estou lento. Só penso: eu sou tão novo, eu não vou. Ou vou, não sei. Ok, mas só porque tenho de ir. E nisto, apanho a carteira, móvel, chave. O tempo é pouco. Apanho aquele sol matinal, o comboio na marginal. Se picas caçam, a mim não. Tu estás louco? Chego ao emprego, com medo. Tremo como varas verdes. Patrão com sede de sangue, eu minto com todos os dentes. A culpa é do tempo. Adoeci. Parti uma perna. O apartamento pegou fogo. Estive a salvar a Terra. Por favor, não me tire o posto. Não tenho fundos nem fôlego. Atire-me para o meu cubículo e eu juro que trabalho o dobro.

 

Eu juro que hoje trabalho o dobro. Eu trabalho o dobro. Eu juro que amanhã trabalho o dobro. Eu trabalho o dobro. Eu hei-de trabalhar até cair morto. Vá lá, não me tire o emprego, eu não vou falhar de novo. Eu não vou falhar de novo. Eu não vou falhar de novo. Eu juro que amanhã trabalho o dobro. Eu trabalho o quê? Vou trabalhar até cair morto. Vá lá, não me tire o emprego. Eu não vou falhar de novo.

 

Então não me tire o emprego. Eu prometo. Eu juro que hoje trabalho o dobro. Não tenho fundos nem fôlego. Atire-me para o meu cubículo e eu juro que trabalho o quê? Eu trabalho o dobro. Então não me tire o emprego. Eu prometo. Eu juro que amanhã trabalho o dobro. Não tenho fundos nem fôlego, então atire-me para o meu cubículo e eu juro que trabalho o que for preciso para ser digno.

 

Parabéns, apanharam-me.

 

Ok, eu juro que não estava à espera que fosse tudo smog, fumo, stress, fast food. Pressa é costume. Prédios, semáforos, passadeiras. “Boa viagem. O título é válido”. Olhar metálico. De volta aos papéis, com algarismos, apelidos, cálculos, endereços, tabelas, preços, scripts e gráficos. Configurar parâmetros. Tipificar registos. Tomar decisões, numa de: isto é ou não é procedimento. Clientes estúpidos.

 

“Odeias? Não és o único. Paciência. Cubo de Rubik. Tu não te esqueças: o teu cubículo não é o teu estúdio. Tu aqui és só mais um, pára de te armar em músico. Volta para CPU’s e passwords. Resultados, hoje. Sim senhores. Dá-me nomes. Refila pouco. Tu nem sais. Tu és do tipo televendas, fumo, insónias, hipertensão, falta de atenção e má memória. Queres a glória? Ela é para membros produtivos. O ponto alto do teu dia? Eu digo: estás despedido.”

 


 

[4. COINCIDÊNCIAS]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por PEDRO, O MAU.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Como eu adoro estes serões a falar acerca de episódios do quotidiano. Porque eu gosto de me identificar com o meu ouvinte. Por exemplo, que atire a primeira pedra, quem nunca pensou:

 

Eu estou a fazer história enquanto carrego o fardo de negar tudo aquilo que a história me ensinou até agora, como Darwin. Iniciarei a matança pela minha causa, ao estilo de uma jornalista em início de carreira ou do Ché Guevara. Último desejo: glorificação exagerada. Quero um filme e uma estátua. Se eu fizesse o pino, a arte ressuscitava e um urinol voltava a ser um urinol. Mas eu não sou um ginasta.

 

Poupem-me o fogo-de-artifício a não ser que tenha o meu nome escrito. Vim para ser aquele que desliza livre, carboniza livros, ao perguntar: mas quem precisa disto? Inventar palavras? O que eu digo carnivoriza herbívoros. Motiva noviços. Estás sem ideias? Ó meu amigo, ó para mim a dispensar uns versos inspirativos. Tão indie. Escrevo a minha press release e falo de mim na terceira pessoa, tipo “não fui eu que disse isto”.

 

Só garganta, como um invertebrado. Noctívago devorador de gado, com uma fome dos diabos. Cada vez que o sol desce, mudo de forma e um ódio atroz cresce, converso com as paredes, como o John Nash. Eu preciso de uma bala de prata na cara antes da meia-noite ou então a minha pele das costas rasga-se para que eu mostre as asas. – Ya, eu curto Nerve mas às vezes ele fala umas cenas maradas.

 

Preciso de ajuda. Há algum médico na casa? Doutor, estas mãos, à noite, ganham vida para criar as mais brilhantes e bizarras frases já alguma vez esgalhadas. E eu já não sei o que se passa. Alguns estranhos abordam-me e nem se identificam. Só chegam e dizem que se identificam. Sabes, é que eu fico a pensar por ti para puderes dizer que te tirei as palavras da boca. Grande coincidência.

 

Temos tanta coisa em comum. Grande coincidência. É tão grande, a coincidência.

Devíamos fazer qualquer coisa juntos. Temos tanta coisa em comum.

 


 

[5. MONSTRO SOCIAL]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por NERVE.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Morto-vivo, inexpressivo, pálido como um lençol-fantasma, nos meus melhores dias pareço um vampiro. Que bicho me mordeu?! Que raio de pergunta. Eu saio nunca. Sete segundos de luz diurna? Ainda desmaio na rua. Dores abdominais agudas, como que uma espada que fura a cintura do samurai que mais não luta. Irei com poucas palavras. Muitas. Nada me estimula. Sinto que estou a flipar, como o Rodney Mullen. Cinco passos em direcção à aceitação de uma cinzenta sessão de auto-degradação violenta, ao estilo vedeta. Lenda. Não pratico desporto há uma dezena de anos e a minha roda dos alimentos é uma roleta. Eu não fiquei demente, entenda-se, este navio não entrou na garrafa, foi construído lá dentro. Nasci para ver cabrões desprovidos de talento a subir e fazer milhões. Eu aqui, pronto para partir cedo e pedrado, como o Greg Giraldo. Isto é só putas e cães, eu para aqui com versos de fidalgo. – Quando é que sai o álbum? – Aprecio o entusiasmo mas quando eu quiser que saibas trato de fabricar um diálogo.

 

Eu socializo. Então, man? Como é que é? ‘Tá-se bem? Ya, Tranquilo. ‘Tamos aí, normal. Novidades? Eu socializo. Boa noite, como está? Passou bem? Bem, obrigado. Cá estamos. Como vai o trabalho? Meu caro, eu socializo. Então, man? Como é que é? ‘Tá-se bem? Ya, tranquilo. ‘Tamos aí, normal. Novidades? Eu socializo. Boa noite, como está? Passou bem? Bem, obrigado. Cá estamos. Como vai o trabalho?

 

Lutar por uma causa? Eu cá, sou pelo prazer de juntar palavras e direccionar raiva injustificada. A maioria dos meus colegas na praça, burros que nem uma porta e, ainda assim, recebem notas. Parabéns. Este meio acolheu-me e ajudou-me a dar forma à minha personalidade e aprender a lidar com ignorância extrema. É tudo uma grande família. Acalmo os nervos em franja e à flor da pele enquanto termino o meu chá de tília e estoiro trinta ganzas. Rimas sangram, escorrem pela cabeça enquanto o meu amigo imaginário, atormentado, me escreve as letras. É um monstro social que nunca dança mas lança som em vida que nem um Shakur na campa. Sou de respostas vigorosas e perguntas brandas. Depois da minha mãe, a mulher que por fim ficar comigo será mais uma santa. A minha quase nula fama chegou para que precise seriamente que me digam: “Foda-se, Nerva, não há escutas, câmaras, e é seguro saíres à rua, levanta-te. Um dia ainda te encontram duro na cama. Anda, que eu socializo”.

 

Então, man. Como é que é? ‘Tá-se bem? Ya, Tranquilo. ‘Tamos aí, normal. Novidades? Eu socializo. Boa noite, como está? Passou bem? Bem, obrigado. Cá estamos. Como vai o trabalho? Meu caro, eu socializo. Então, man. Como é que é? ‘Tá-se bem? Ya, tranquilo. ‘Tamos aí, normal. Novidades? Eu socializo. Boa noite, como está? Passou bem? Bem, obrigado. Cá estamos. Como vai o trabalho?

 


 

[6. SURPRESA, CABRÃO]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental vocal por NERVE.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

(Tirando esta, todas as faixas do álbum são a brincar.)

 

Quando descodificares esta, vais ter uma surpresa, cabrão.

 

Se, por acaso, algum alien encontrar este álbum a flutuar no espaço, é porque deu para o torto e eu não escapei aos estragos. Se, por acaso, um alien encontrar este álbum a flutuar no espaço, deu para o torto e eu não escapei. Não escapei aos estragos. Se, por acaso, algum alien encontrar este álbum a flutuar no espaço, é porque deu para o torto e eu não escapei aos estragos. Se, por acaso, um alien encontrar este álbum a flutuar no espaço, deu para o torto e eu não escapei.

 

Eu só quero dizer que: sou do planeta Terra. Chupa-me a pila, abutre. Se a minha raça existisse ainda, levavas a derradeira sova da tua vida, dissecava-te, enfiava-te uma ogiva nuclear pelo cú acima, para voltares a casa. Míseras formigas, daqui fala Nerve, falecido Imperador do sistema solar e galáxias vizinhas e se, de facto, algum de vocês, merdas, encontrar este álbum a flutuar no espaço, é porque eu não escapei aos estragos, só por acaso.

 

Se um alien encontrar este álbum a flutuar no espaço, é porque deu para o torto e eu não escapei aos estragos. Se, por acaso, um alien encontrar este álbum a flutuar no espaço, deu para o torto e eu não escapei, só por acaso. Se um alien encontrar este álbum a flutuar no espaço, é porque deu para o torto e eu não escapei aos estragos. Se, por acaso, um alien encontrar este álbum a flutuar no espaço, deu para o torto e eu não escapei.

 


 

[7. ÓBVIO]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por KESO.

Voz adicional por JOANA AMORES.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Ele gira à minha volta, de facto. Comboio às voltas nos carris da minha auréola. Tu não entendes? Só quero chegar tão alto como o nível em que não é demais se eu, por acaso, for embora com um sorriso e morra no palco. Eu? Não faço nada senão sonhar alto. Chega? Muita lua e pouca Terra. Viver o som e acreditar que a vida presta. E que vou tirar o troféu desse intocável altar, sair com a casa a ir abaixo. Eu já não sei se venho a este bar porque passam som que me agrada ou se passam som que me agrada porque eu venho a este bar.

 

Há um mundo à minha volta, eu sei. Eu vejo o globo a girar em prol do meu dia. Se não, então finjo que não vejo. Eu não vejo a verdade, cada vez que o globo gira. Com vergonha demais, eu não quero dizer então penso e, para mim, assumo o óbvio: “já não há, já não és um mundo a meus pés”.

 

E agora nada me dá gozo. Hei-de ser um trintão preocupante e um quarentão desastroso. Como é que querem que eu faça o que eu gosto se eu só gosto de coisas que eu não posso fazer ou posso mas não devo. Como é que raio eu vou recuperar este tempo? E o que é que importa aquilo que eu penso ou o que eu escrevo? No fundo, odeio pessoas, pessoas fazem-me fumar e fumar faz-me morrer e morrer não vinha a calhar. Só gosto de coisas. Se te tratar como tal é porque eu gosto de ti, no fundo, então menos mal. Porque “já não és um mundo a meus pés”.

 

Há um mundo à minha volta, eu sei. Eu sabia. Eu vejo o globo a girar em prol do meu dia. Se não, então finjo que não vejo. Eu nem vejo a verdade, cada vez que o globo gira. Há um mundo à minha volta, eu sei. Eu vejo o globo a girar em prol do meu dia. Se não, então finjo que não vejo. Eu não vejo a verdade, cada vez que o globo gira. Com vergonha demais, eu não quero dizer então penso e, para mim, assumo o óbvio.

 


 

[8. NÓS E LAÇOS]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por NOTWAN.

Voz adicional por JOANA AMORES.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Por vezes, queria enforcar-me, mas não sei dar aquele nó na corda. Queria ser um robô, mas não sei dar o nó na gravata. Queria dizer-te isto antes, mas tinha um nó na garganta. Porque é que eu não quero laços? Eu e nós não adianta. É que eu tenho relações, não mantenho relações. Não consigo conjugar o meu trabalho com os teus sonhos. Desiste. Em nós e laços, perdi-me. E assim tu sabes. Admite que eu sou um vulcão e aprende que só me apaixono por mim. Desligo. Não me digno a escrever-te uma mensagem, mas todas as noites escrevo um pouco sobre isso. Porque eu perdi-me em nós e laços. De facto, desgraço-me e faço a contagem diária dos cigarros que restam dentro do maço. Não digo que vou. Pedra. Eu já nem cá estou. Gelo. Ainda nem saí de casa e já esqueci o teu nome. É como se não tivesse acontecido, tu não tivesses existido. Recupero o tempo perdido contigo. Volto para o ponto de partida, sigo o caminho oposto ao que me trouxe a ti. Perdoa-me se eu não disse isto mais cedo devido ao nó na garganta. Querida, tu não queres laços. Eu e nós não adianta.

 

Pesámos os contras e pesámos os prós. Tu não tens jeito para mim, eu não tenho jeito para nós. Não ouviste a voz, agora é tarde demais. É agora que essa ferida te arde mais. Pesámos os contras e pesámos os prós. Tu não tens jeito para mim, eu não tenho jeito para nós. Após nós é que a ferida me arde mais. Eu perdi-me por amar demais. Laços? Agora é tarde demais. Eu perdi-me por amar demais.

 

Eu dei-te o isco para ver se mordias. Mordeste o isco, então queria ver se engolias. Não, eu não estou em mim. Eu não estava em mim. Eu estava em ti. Eu passava a vida em ti, até que me perdi em nós e laços. Não mais onírico, não mais cíclico. Maratonista atrás de ti, com empenho olímpico. Eu perdi-me.

 

Isto sou eu a ir embora, isto sou eu a sorrir, isso és tu com voz que implora, isto sou eu a partir. E a nevar, partia na mesma e ainda apagava as pegadas na densa neve, só para ter a certeza. Adeus princesa? Adeus sentença, diz antes. Adeus PedraGelo em presença. Diz como é que tu não viste antes. Queria dizer-te isto antes, mas estavas distante. Quis suor, quis sangue, quis-te mas nunca quis tanto. No entanto, é nesta noite que eu vou.

 

Vou. E como eu vou, já sei. Tudo aquilo que tentaste, eu tentei. Sou quem esta noite vai ditar lei na Cidade que ia ser Perfeita e fica a meio. OK, querias tentar mais? Não creio. Só meter mãos ao Trabalho, o Conhaque está cheio? Vou ao tabaco, já venho. Saio para limpar a mente. Claramente, não vale a pena alimentar mais uma saga, então eu vou. Vou. E como eu vou, já sei. Tudo aquilo que tentaste, eu tentei. Sou quem esta noite vai ditar lei na Cidade que ia ser Perfeita e fica a meio. OK, querias tentar mais? Não creio. Só meter mãos ao Trabalho, o Conhaque está cheio? Vou ao tabaco, já venho. Saio para limpar a mente. Claramente, não vale a pena alimentar mais uma saga, então eu vou.

 


 

[9. GAINSBOURG]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por KESO.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Ela acorda com aquele gosto amargo de quem quer chorar, mas nunca chora. Ela não chora. Ela sabe que a mágoa só gera mágoa e onde a mágoa a leva, ela já esteve e prega a toda a gente que está melhor agora. Não é propriamente um cisne de mulher mas torna-se progressivamente interessante e eu gosto de boas surpresas. Então, tento a minha sorte, com base na velha crença de que a verdadeira beleza ainda está no descortinar do detalhe. Não estou perto de me lembrar ao certo se a conheço, mas aqui estamos os dois. Eu aplico aquela abordagem clássica do Sr. Mistério, cliché-zóide, persuasivo no palavreado, com o meu trejeito de pseudo-galã desajustado. Olhar cansado e cheio do mundo. Anéis de fumo, que nem Gainsbourg. Whisky mais velho do que eu, num copo sem gelo. Eu sou tão duro. Consigo ser tudo o que vi nos filmes mas só durante o primeiro encontro e se ela não viu o mesmo filme que eu, torna-se difícil. Não responde mas também não gosta do silêncio. Cada vez que eu faço uma pausa e olho para ela, tipo “ainda estás aí?”, ela recorre àquela expressão de quem está à espera que eu continue e me incita a fazer ou a dizer algo, tipo “…sim?”. Por acaso, calho a ser dos que passam noites em branco a reorganizar peças inacabadas, numa busca pelas palavras certas. E assim, desencanto mais conversas desconexas (aparentemente) mas com referências subtilmente perversas. Então, ela despe-me a personagem. E eu corto-me com a verdade e depois conto-lhe as minhas vísceras, numa auto autópsia ao vivo. Digo até, que pesquiso acerca de transtornos de persona e sei que auto diagnóstico é dúbio e, ainda assim, eu desconfio que sou esquizóide. E que é por isso que, tão facilmente, sozinho idealizo diálogos por horas, com gente que conheço, em sítios diferentes e personalidades novas. Movido pela força compensatória da angústia porque era perfeito se eu falasse essas coisas na cara, soltasse a raiva na cara. Esta música fala acerca de quando, tanto o silêncio como uma acção, em vez de uma palavra, dão uma melhor resposta. Claro. Se desabafas demasiadas falhas, ela vai embora. Tanta conversa e tudo o que ela queria era que eu lhe pregasse uma foda.

 

– Não gostei. Acho que desvirtuou a música e, considerando a acção da história, tu não terias forma de saber que ela queria isso. Não faz sentido.

 


 

[10. ‘98]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental* por VULTO..

* Versão instrumental consta no EP homónimo de VULTO..

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Esta noite vi a porta do quarto a abrir sozinha e eu não acredito em espíritos, então resta-me aceitar que estou a variar da pinha. Escreve o que eu digo, antes destes episódios serem norma, hei-de dar o nó na corda. Beija a minha pele morta. Engole o sapo e coroa-me a carcaça. Inglória vénia ao novo rei-cadáver. Bastarda justiça poética. Trasladação para túmulo em praça pública, numa clara póstuma homenagem cínica dessa fisgada escória. Eu não pertenço à corja de ignorantes, só que a suposta escol intelectualóide enoja-me. Marcho contra o cor-de-rosa. Conheço a derrota pela alvorada mas, quando o sol morre, o monstro mostra-se. Mãe, estou mal na escola. A malta goza quando as minhas órbitas ganham espinhos de dentro da carne para fora. – Ignora, filho. Ter um demónio interior está na moda. Asas a sair das costas é perfeitamente normal, agora. São os noventas. – E eu a moldar uma alma torta, vidrado na música de ódio que o meu irmão mais velho me mostra. Agora ó para mim, de cara escondida atrás da gola do casaco. Figura esguia, na noite fria, acampado à porta. Tão hipócrita. Declaro que nada importa enquanto estendo as mãos às nuvens, em súplica, à espera que do céu caiam notas. Sai um vodka, para a solitária celebração. Não sou nenhum napoleão, não tenho tropas. Entendo tanto de armas como de motas. Não sou dono da resposta para “a que horas dá hoje a bola”. Sempre fui o que ficou de fora. Nunca soube como se joga. Mas sei dedilhar um clitóris que nem um Paredes na guitarra e também não sei como se toca.

 


 

[11. SUBTÍTULO]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por PEDRO, O MAU.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Eu sou e tenho um mau génio. Não sei reger o meu ódio. O José rege-o. Se estes poemas não são meus, devem ser de deus e do diabo juntos que, entre eles, governam o inferno e o paraíso por turnos. Faz sentido. A minha música favorita é uma marcha fúnebre. Maldito mal-estar, mal durmo. Eu passo horas a fio a olhar para uma folha em branco enquanto decido a qual das vozes na cabeça dou ouvidos antes de pôr mãos à obra. Nerve. Um não-rapper que, se rappa, dá-te a coça. O meu nome é Andy Kaufman. Não sou bem-vindo à festa? Ultraje. Espera, preciso desta merda como de um tiro na testa ou de um gig na minha terra. Lar, doce lar, tipo Hansel e Gretel. Aquilo que eu já gritei nesta casa dava para dez álbuns de black metal. De facto, a vida presta enquanto houver Trabalho e Conhaque e filtros para fazer a partir do cartão da caixa de Prozac.

 

Nerve, tu não estás em ti. Anda, tem calma, tenta. – Nada faz sentido, nada vale a pena. Eu esclareço esta como se esclarece a uma criança: a vida não presta, ninguém merece a tua confiança. A vida não presta e ninguém merece a tua confiança. A vida não presta e ninguém merece a tua confiança. – Sorri. – Nada faz sentido, nada vale a pena. Nada vale a pena.

 

Tóxica relação com o ermo. Coração, eu tenho pouco tempo aliado a uma péssima gestão do mesmo. Que tropecem os que estão à frente do Nervo. Venderam a alma pela vitória, com um aperto de mão do demo. Sempre que escrevo tento parar, mas vozes não dão sossego. No chão, pulso mexe, mesmo após amputação do membro. Alimento a criação a custo de unhas. Álbuns sofrem mais mudanças do que um chibo na Protecção de Testemunhas. Escuta-me estes mais de três tristes travestidos estúpidos, com estrica, à espera que eu saia do estúdio onde nunca estive lúcido. A vida presta enquanto lerem além de arestas. – Ya, ele já sabia que estava a morrer quando escreveu esta.

 

Nerve, tu não estás em ti. Anda, tem calma, tenta. – Nada faz sentido, nada vale a pena. Eu esclareço esta como se esclarece a uma criança: a vida não presta, ninguém merece a tua confiança. – Não, tu não estás em ti. Tem calma, tenta. – Já nada faz sentido. Já nada vale a pena. Eu esclareço esta como se esclarece a uma criança: a vida não presta e ninguém merece a tua confiança. A vida não presta e ninguém merece a tua confiança. A vida não presta e ninguém merece a tua confiança. – Sorri. – Nada faz sentido, nada vale a pena. Nada vale a pena.

 


 

[12. CARTAS COMO O GAMBIT]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por NERVE e NOTWAN.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Sente o meu fumo-dragão e sê bem-vindo ao meu Shangri-La. Tão da paz, como uma porra de um Ghandi. O meu modus operandi deixa-te com cara de “papá, o que é um pentâmetro jâmbico?”. Vá, confesso, sou fã de mim. No âmbito musical, ando perdido, cambaleante e de olhos vermelhos, mas sempre a dar cartas, como o Gambit. Ouvir-te? Prefiro arrancar as orelhas, como fiz com o Lucky Strike. No mic, sou um obeso mórbido e isso traz mais bombas sexuais para o meu cogumelo atómico. Ó amigo, só tinhas “MC” antes do nome se nascesses na Escócia. Vai combater com um dos meus sósias, escória. A história dita a regra. Então, perante o panorama, herói, tu põe as mãos no fogo mas só na parte azul da chama. Linhas pungentes. Esta lâmina foi forjada pelo martelo alado dos deuses para cortar por dentro, trespassar-te o ventre. Dialogar? Não posso. Faço tempestades em copos de água, até a falar do tempo.

 

Eu estou a dar cartas, como o Gambit.

 


 

[13. CONHAQUE]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por NERVE.

Acordeão por NATHANAEL SOUSA.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Por esta altura é, ou devia ser, já sabido que não estou mesmo a tentar ser construtivo ou educativo com isto. Enquanto artista, hesitações criativas prendem-se, antes de mais, com o tamanho do meu… ego. A título de exemplo, será que hoje devo encarnar um complexado de orgulho ferido ou um megalomaníaco de nariz endeusado? Talvez ambos, em aleatórios intervalos intercalados e pontuais espasmos de escrita furiosa: asco / asno / gosma / raios partam esta filha da / procrastinação que me atormenta. Pego numa caneta e descarrego os nervos nesta que me parece ser a mais eficaz forma de violência. Concedo existência a quase bonitas frases, admita-se. Eu, um nada. Um nadinha narcisista de imaginação fértil e vincados ideais niilistas. Se estas paredes falassem, eu não precisaria de visitas. Um dia concretizar-se-á o meu plano e os teus netos hão-de gabar-se por seres meu contemporâneo. Não ligues, sofro ataques espontâneos de sucesso efémero que plantam ideias de glória megalómana no meu cérebro. A sério, eu tento não pensar nisso, mas confesso que às vezes não consigo disfarçar a ligeira sensação de que existem por aí lunáticos que me impingem às pessoas e explicam porque é que eu sou o máximo. Explica-me.

 

Conhaque.

 

Eu estou a gastar a tenra idade, numa de ver passar as horas até bater à porta a minha. Eu olho para a minha dignidade, numa de: tu és uma pêga encantadora, eu levava-te daqui para fora, mas tu adoras essa vida. Resta-me somente lamentar não poder ir só levitando, em vez de ter de rastejar por velhas ruas de desniveladas linhas tais, que nem os mais espampanantes pimpões, ilustres sabichões, escapam ao tropeção na calçada. Tem tão mais graça a desgraça de um nobre, mui nobre senhor, numa cena de humilhação na praça. Momentânea aproximação a nós: a merda, merdita, a escória desonrada, estropiada escumalha.

 

Acendo o próximo cigarro com a ponta deste cigarro e o seguinte com a ponta do próximo. Se tudo correr como planeado, depois disso estou sedado o suficiente para voltar para o ócio. Eu sou o ópio em Pessoa. Isto aqui é fixe e não fatela. Compensa o mal que diz pelo bem que soa. Tão bem que soa. Eu e todos, quem destoa? Sei que estou a morder o isco mas chego à tona vitorioso, como um peixe que voa. A sério, eu ando a desperdiçar papéis de boa qualidade quando devia era estar a escrever na carne aquilo que eu sei de coisas. Oiçam só o Verne que existe em Nerve, o verme do verbo, mero servo. Corvo no meu ombro diz-me: “escreve”. Por detrás da expressão facial drunfada, demência ferve. – Ouve, este gajo deve perder noites nesta merda. – Achas que transparece? Esplêndido.

 

– Nerve, andas a fazer muitos filmes e a sair pouco. Eu sei que ela te deixou mas, ouve, na vida, não é tudo gajas.

– A cabra cravou memórias nestas paredes. Não sei se morro ou mudo de casa.

 


 

[14. LENDA]

Escrito, interpretado, gravado e misturado por NERVE.

Instrumental por NERVE.

Masterizado por PEDRO QUARESMA.

 

LETRA:

 

Um dia, eles vão dizer que eu fui uma farsa e que todas as minhas peças foram escritas por uns anónimos génios da minha época; que eu era fraco nas aulas, sem dívidas à inteligência e não podia andar para aí a parir poemas. Porra, eu perdi centenas de horas, eras, de volta desta obra. Estou pronto a pregar uma sesta como o campónio do Miguel Torga. Já vi tudo. A vida é somente fumar, queimar o tempo, escrever, deprimir e recusar concertos. Lamento mas, ó minha gente, vim agraciar-vos só com a presença. Tudo indicava que hoje ficava em casa, a encher a cabeça. Conheçam-me, longe de mim. Cuspo fogo viscoso num vergonhoso nicho. Misto de loucos, freaks, geeks, que me segue como se eu fosse Cristo. – Nerve ouve-se. – É? Fixe. Deixa só queimar uma década e ele sai do alçapão, pálido, de barba pelo pélvis, e diz: fiz um novo disco. Já estou a ver os fãs com náuseas, a sair da sala, tipo: “foda-se, eu paguei para ver um espectáculo, este gajo está a brincar com a malta”. Interacção com o público? Eu? Eu subo ao palco e tenho um monólogo. Agora é ter paciência como o meu psicólogo. Se, por obra do destino, isto está a gravar, antes de mais, eu queria agradecer por tão privilegiada oportunidade de expor o meu pranto, perante vós, com sangue na voz. Se for demais, digam: “Nerve, isso não é interessante para nós”.

 

Quem? Eu? Não sabeis? Uma lenda. Quem eu sou? Uma Lenda. Depois de séculos a aviar versículos, querem que eu vá surgir numa de: “Ah, não sei. Já foi há muito. Por agora, eu fico-me. E amanhã, quem sabe, eu sou”. Quem? Eu? Não sabeis? Uma lenda. Quem eu sou? Uma Lenda. Quando eu nasci, planetas alinharam-se como que numa vénia cósmica ao Imperador, a luz mudou e estrelas escreveram o meu nome num céu bordô.

 

Ouve, não me oiças. Morre. Olá, Boa noite. O meu nome é N-n-n-não interessa e eu costumava escrever umas coisas. Não se incomodem comigo. Eu estou só para aqui a gastar membranas de microfones, quando dava um óptimo mendigo. O tempo que perdi no disco chegou para incorporar versos sobre isso mesmo e agora ter um verso sobre ter versos sobre isso. Não singrei por um triz. Tão feliz, dei concertos de merda em algumas das melhores casas do país. – É? E então? – E não estou nisto para, mais tarde, ter o prazer de dizer “filho, olha o que eu fiz com a tua idade”, mas sim para, quando ele perguntar “porque é que a mãe nos deixou e não há comida na mesa?”, eu lhe pregar uma lição acerca de prioridades. No outro lado do mundo, eu teria esta casa cheia. E umas sete capas de CD com esta cara feia. Eis a mente visionária e sem emprego, como se a minha especialidade fosse Tapeçarias da Malásia. Aposta que, se esta brincadeira da conquista mundial der para o torto, eu sei onde é a saída e tenho a nave lá fora. Vou de casa e ego às costas. Sem destino, porém sem medo, pois quando fizerem um filme de mim, isto ainda vai enriquecer o enredo.

 

Quem? Eu? Não sabeis? Uma lenda. Quem eu sou? Uma Lenda. Do meu pináculo, digo: Mãe, perdoa eternizar-me por nome este, em vez do nome que por mim escolheste. Não quero parecer ingrato, mas… quem? Eu? Não sabeis? Uma lenda. Quem eu sou? Uma Lenda. Se, por ventura, a minha conduta não se coaduna com os “princípios e parâmetros de avaliação de carácter” desta escumalha, então quero mais é que morram longe. Quem? Eu? Não sabeis? Uma lenda. Quem eu sou? Uma Lenda. Quando eu nasci, planetas alinharam-se como que numa vénia cósmica ao Imperador, a luz mudou e estrelas escreveram o meu nome num céu bordô.

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