NERVE: “A minha música é cada vez mais pessoal”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTOS/CAPTAÇÃO DE VÍDEO] Hélder White [EDIÇÃO DE VÍDEO] Luís Almeida

Mais de uma década passou desde a primeira mixtape de NERVE. 2006 trouxe-nos Promoção Barata, um dos primeiros clássicos de uma nova escola de hip hop feito em português que crescia paredes-meias com a Internet. De uma remota Constância, as palavras de Tiago Gonçalves passavam do microfone para o seu computador pessoal e, através do inacabável ciclo de partilhas entre a comunidade cibernauta, acabariam por ecoar um pouco por todos os PCs das gentes mais atentas às produções caseiras.

Nos dias de hoje, NERVE já tem a sua própria fatia desse mercado, graças a uma legião, à escala portuguesa, de seguidores fieis. Até porque quem ouve e se apaixona pela escrita aguçada de NERVE, dificilmente encontra um outro exemplo em português que possa ombrear com o “Sacana Nervoso” nessa importante arte de manejar a caneta. Mas há mais do que isso: NERVE é também um produtor na verdadeira acepção da palavra. Uma vertente em que se tem aplicado ainda mais no último par de anos. Essa conjugação de talentos — e não convém esquecer que também é dotado na arte do desenho — levou a que o Rimas e Batidas o elegesse para a lista dos “12 mestres das rimas e das batidas” que labutam neste canto da Europa.

AUTO-SABOTAGEM vem cimentar a permanência de NERVE nesse lugar de destaque. Já o tínhamos ouvido a rimar em cima das suas próprias produções, mas o homem de Trabalho & Conhaque… sempre demonstrou necessidade ou vontade de se aliar a outros beatmakers para diversificar os seus projectos. É também em AUTO-SABOTAGEM que Tiago Gonçalves põe em prática os ensinamentos que bebeu do produtor que mais o tem influenciado nesta arte — falamos de Hot Sugar, um sound designer capaz de “transformar barulho em música”. Com recurso a um gravador portátil, NERVE gravou vários sons do seu quotidiano e utilizou-os para criar melodias estranhas e percussões industriais — a tal música associativa que Hot Sugar “defende” nas suas criações.

O mais recente EP de NERVE já se fez ouvir ao vivo em alguns pontos do país, mas hoje é a vez de Lisboa se sentar à mesa com o “diabo”. O Rimas e Batidas foi até ao covil de NERVE e mergulhou, até onde é humanamente possível, em AUTO-SABOTAGEM, um dos trabalhos que merece todo o destaque na primeira metade de 2018.

 



Este foi o teu trabalho mais solitário até à data. 

Sim. O meu trabalho tem sido sempre feito de forma solitária. Mas este é o mais solitário, sem dúvida. Por ter produzido tudo. Eu sempre produzi para mim mas nunca me tinha dedicado tanto a essa parte. Até aquela história de captar os meus próprios sons. Tentar encontrar algo mais único, algo mesmo meu. É o trabalho no qual me foquei mais nisso. E sim, fiz tudo sozinho. Escrevi, gravei, produzi e fiz a capa.

Tens uma pequena ajuda do Notwan nos instrumentais. Foi algo em que pensaste à partida ou já tinhas o projecto acabado e essa colaboração surgiu posteriormente à fase de criação?

O contributo do Notwan surgiu quando o EP já estava praticamente fechado. Eu vi uma actuação de Alförjs, um grupo que ele tem em que toca saxofone, e achei que era uma boa ideia. Nós já trabalhamos juntos há uma data de anos e, embora este fosse um projecto mais “meu”, todo produzido por mim, achei que era uma forma fixe de ele contribuir, sem comprometer a minha ideia para o trabalho. Também contei com a ajuda do Dwarf na masterização, que é uma área à qual eu me quero dedicar em futuros projectos. Fiz só a mistura e depois entreguei-lhe para a masterização.

Já falaste aqui dessa parte importante de teres gravado os teus próprios sons para os instrumentais. Houve algum em específico que tenhas sentido que tenha embelezado uma faixa de uma forma especial? Ou há alguma história que recordas por detrás de um pedaço de som que tenhas captado?

Não há propriamente uma história mas acho que há um som que enriqueceu um bocado a faixa, o do limpa pára-brisas seco, que eu utilizo na “Plâncton”. Aquilo pode ser uma indirecta para o caso de alguém não me estar a ver bem ou algo do género [risos]. Mas acho que enriqueceu a faixa em termos melódicos e tudo. Fiquei bué satisfeito com essa. Há mais alguns apontamentos no EP. Aquilo tem de tudo e mais alguma coisa. Desde sons de percussão de objectos a bater contra outros objectos ou cenas mais específicas, como o meu gato a beber água, uma garrafa a roçar contra a parede. Cenas aleatórias que eu achei que enriqueciam o som em termos de texturas. Embora não tenha utilizado samples [de outras músicas] para produzir o EP, queria manter um lado orgânico. É tudo tocado mas a maioria dos sons são tocados a partir desses samples que eu gravei. Ruídos e algumas riquezas do ambiente. Basicamente o EP foi feito só com recurso a VSTs e samples gravados por mim.

A produção do AUTO-SABOTAGEM vai buscar aquela tendência mais carregada do teu disco anterior. Tiveste essa intuição, de te inspirares nessa sonoridade e seres agora tu próprio a aborda-la?

O objectivo foi sempre tentar apresentar uma produção melhor. Eu melhorar na produção. E acho que consegui isso. Está mais detalhado. Acho que é uma produção, overall, mais interessante. A atmosfera e a sonoridade tem pontos em comum com o álbum anterior mas tem a ver com o contexto e com o conceito do EP. AUTO-SABOTAGEM vem também de eu me propor em continuar a fazer música da forma como faço, num momento em que a música ocupa um espaço muito maior na minha vida. Se calhar, a opção mais viável — ou mais segura — seria dar aí uma curva qualquer, que eu optei por não dar. Ainda. Não quer dizer que eu queira só fazer isto ou que eu não queira colaborar com mais artistas, sejam rappers ou produtores, ou que eu queira fazer isto para sempre. É um bocado como um statement. Eu não tenho de ceder a algum tipo de pressão ou assim.

Sendo que o que te é exterior tenha desempenhado um papel mais simbólico aqui — como já falámos, acerca do Dawrf e do Notwan — pode o AUTO-SABOTAGEM ter sido o último passo que dás até chegares à concepção de um projecto inteiramente realizado por ti? É algo que ambicionas?

Mais por uma questão de independência, eu quero ter a capacidade de masterizar um projecto com confiança. De momento não tenho nenhum objectivo específico. Este EP não é um aperitivo para um futuro projecto que já está quase aí a chegar, ou assim. Este EP é para ser consumido individualmente. Aliás, a coisa está feita para ser ouvida em loop, de certa forma — a última faixa liga com a primeira através do tal som da garrafa. A nível de futuros projectos, imagino-me mais a trabalhar em colaborações. O tal statement do EP acho que ficou bem vincado. Agora quero experimentar fazer mais coisas, divertir-me no processo.

 



Lançaste o T&C/AVNP&NMTC em 2015. O AUTO-SABOTAGEM foi sendo feito nestes três anos que se passaram ou houve, em determinado momento, algum clique que te tenha despertado a vontade de voltar a trabalhar para apresentar um projecto?

Quando acabei de fazer o álbum, por instinto, comecei a dedicar-me à produção. Tive cerca de um ano em que, além de dar alguns concertos, o que fazia, musicalmente, era produzir, tirando uma participação ou outra. Este EP acabou por vir no seguimento disso. Eu já tinha algumas faixas escritas noutros instrumentais que não eram meus. Decidi produzir novos instrumentais para essas faixas e fazer mais algumas faixas novas. Foi uma coisa natural. Fico feliz, porque não era algo que tivesse planeado muito, ou pensado “agora quero muito produzir uma coisa sozinho.” Simplesmente foi acontecendo e fui olhando para o trabalho e pensei “ya, estou a produzir isto tudo sozinho e acho que vai ser o primeiro projecto produzido por mim.”. Aconteceu.

Na altura em que anunciaste o AUTO-SABOTAGEM comecei a formular uma ideia, que vai de encontro ao processo de method acting, por vezes utilizado no cinema. Um tema um bocado polémico, que chegou até a causar reviravoltas na vida de alguns actores. Achas que, de certa forma, podes estar a consumir demasiado a “personagem” da tua música, ao ponto de poderes vir a sabotar o teu próprio caminho enquanto artista?

Eu luto um bocado com o conceito de “personagem”. Tenho a tendência de, em algumas faixas, explorar uma temática mais de “fantástico” — falar de gárgulas, monstros e fantasmas, por aí fora. Mas a minha música é cada vez mais pessoal e transmite cada vez mais as coisas que eu penso. Se calhar são coisas que eu não penso a toda a hora mas com uma intensidade suficiente para eu naquele momento escrever, gravar e meter cá fora. Eu não acho que a minha música seja de um personagem, ou pelo menos não mais do que a maioria dos outros artistas que, à sua forma, também terão as suas personagens e podem ser mais ou menos declaradas. O conceito de AUTO-SABOTAGEM prende-se com a ideia de ser música feita no contexto em que eu dependo dela — mais do que nunca — e o que é que eu faço nessa circunstância. É tentar surgir com um discurso mais popular ou manter de alguma forma a negatividade. O que para mim é mais marcante neste projecto é que, sendo o primeiro projecto desde que dependo da música, é também o primeiro projecto que eu faço em que sei qual é o meu lugar na música. Quando fiz o meu primeiro álbum, obviamente que não sabia qual era o meu lugar, porque não o tinha. Fiz o segundo álbum enquanto estive de “fora” por sete anos, tirando as faixas soltas. O discurso que eu tenho em algumas das faixas deste EP reflectem precisamente isso. Eu estou a falar de uma forma bastante específica acerca da indústria, dos meus colegas que também fazem música. Estou a atacar alguns pontos com mais conhecimento, se calhar. Não é só um ódio abstracto contra alguma coisa. É muito específico. Tenho alguns alvos muito específicos neste EP.

Falas dos “bebés provetas” na “Loba”, que eu presumo que seja direccionado a uma parte da nova geração de artistas que têm surgido. Tens a “Plâncton”, que me parece apontar para um alvo específico.

A “Plâncton” tem rimas… A carapuça pode servir a muita gente. Não foi feita a pensar num alvo específico. Talvez não do início ao fim. É uma faixa que vem no seguimento da “Deserto” e acaba por ser um manifesto de individualidade. É uma continuação disso. Afirmo que qualquer competição que eu possa ter, na minha opinião e tendo em conta nas minhas prioridades quando estou a criar, é mínima, é inexistente. Alguma dessa concorrência é plâncton, porque segue uma tendência, segue uma corrente. Isso há-de dar a algum lado, que ninguém sabe. Mas isto dá tanto para rappers com mais ou com menos notoriedade que eu. Para mim são plâncton.

Presumo eu que será para um tipo específico de sonoridade que está a “bater” agora. Tanto que, hoje em dia, já se discute muito o que é ou não hip hop. Como é que tu observas o estado actual da música urbana?

Seguiu um rumo em que, se calhar, aquilo que eu faço acaba por sair fora do contexto. É óbvio que eu acabo por criticar isso nas minhas músicas porque eu faço-as de um ponta-de-vista altamente egocêntrico. Eu sei que digo coisas azedas e que podem parecer mimadas, do tipo “a indústria não funciona ou não é uma coisa boa porque não é a melhor para mim”. Certo? Mas isso não quer dizer que eu seja cego à qualidade de muita música que se faz. Eu também sei disso. Mas é um facto: a maioria da música que se faz hoje em dia e as tendências que se seguem não são ditadas pela qualidade da letra. O objectivo aqui é só ter boas letras, bons textos, boas ideias. Embora exista esse lado mais “ingrato”, para mim, também acaba por haver mais diversidade. E, de alguma forma, eu tenho o meu espaço. Também há que reconhecer isso.

A “Loba” fala um bocado sobre isso — o estado da indústria. Demonstras um certo receio que todo esse brilhantismo que paira por aí te retire o teu espaço, ao ponto de teres de deixar de viver da música. É isso?

Eu não me vejo tão cedo a ter de viver de uma forma não artística. Tenho alguns outlets a que me posso agarrar sempre, caso as coisas dêem para o torto. Tenho alguma confiança nisso. Mas já que aqui estou, quero manter-me no campo. Tenho bastante confiança no meu lugar na música e sei que o que quer que seja eu eu tenho vindo a criar é uma coisa cimentada, de crescimento lento, mas que se mantém. A malta que ouviu o meu primeiro álbum, passados sete anos a maioria dessa malta ouviu o segundo e, se calhar, os que ouviram esse vão-se manter. A malta é relativamente fiel e eu, por isso, tenho de ser grato. Mas eu não sou um fenómeno de nada e se calhar era estranho ser. A “Loba” é uma daquelas faixas que não representa aquilo que eu penso a toda a hora, não representa o meu pensamento mais racional, mas é o que é. É uma faixa escrita de estômago vazio, porque já houve meses mais difíceis, como já haviam antes de eu de me dedicar só à música. Nunca vivi na fartura. [risos] É uma faixa escrita dessa forma e com um sentimento muito específico. É como disse há pouco. Senti isso com a intensidade suficiente para fechar a faixa e metê-la cá fora. Mas não tem nada a ver com um receio de que eu sinta que o meu lugar está ameaçado de alguma forma. Eu, sabendo o meu lugar, tenho bastante confiança nele e é aí que eu quero chegar. Não serei “destronado”. É isso que eu quero dizer. Não tenho medo que esta ou qualquer outra nova vaga musical ameace o que eu tenho vindo a fazer. Considerando aquilo a que eu me proponho a fazer, nunca terá por objectivo ser um fenómeno comercial ou uma coisa assim do género.

 


 


Há alguma faixa neste conjunto de seis temas que te tenha marcado mais? Alguma letra mais pessoal, que se calhar de início nem te imaginavas capaz de apresentar num disco? Dedicaste uma faixa à tua gata…

Exactamente. A faixa “Simone”. Isso é basicamente uma faixa sobre o síndrome de Estocolmo, no qual eu escrevo assumindo o papel de um vilão numa relação tóxica. O trato pode ser o mesmo que o de um animal de estimação. Todas as rimas são escritas de forma a que seja possível de ser aplicado a um animal de estimação. Neste caso, o meu. A “Breu” é a minha faixa favorita do EP. Foi a última a ser feita e se calhar pode ser um bocado por isso. É uma faixa bué sincera e tenho algum orgulho em tê-la feito. Não há uma história muito interessante por trás. É basicamente uma conclusão para o EP. Um vincar dessa ideia de que sim, eu posso perfeitamente estar mais dependente da música e existir a tendência estar a mostrar um caminho mais ou menos oposto ao meu, mas eu não tenho que seguir esse caminho. Uma vez mais, não quer dizer que eu me prive de experimentar no futuro o que quer que seja. Mas no momento eu não tenho que o fazer. Acho que é uma faixa que representa bem isso. A “Plâncton” deu-me muito gozo escrever porque é um tipo de faixa que eu não fazia há algum tempo, rap meio tradicional, se é que se pode dizer assim. Feita com um estilo mais refinado, que eu tenho vindo a tentar explorar. Deu-me mesmo gozo fazer essa faixa. Tal como a “Deserto”, que acaba por ser também uma faixa de estilo livre, tem esse factor da punchline. Na “Chibo”, a ideia é clara, a faixa é auto-explicativa, se pensarmos um bocadinho. É uma faixa que resume o conceito do EP, ou seja, qualquer consequência mais negativa que possa advir será culpa minha. Defende qualquer semelhança com satanismo LaVey, em que nós somos os nossos próprios deuses ou, no caso, demónios, e que não há nada além disso a ditar o nosso caminho. Daí também o conteúdo dos versos dessa faixa. Coisas que se calhar não devo dizer, por serem auto-depreciativas. O título original da faixa era “Morde a Língua”. O refrão surgiu depois e acabou por fechar a coisa.

Já falaste na vontade que tens em colaborar com outros artistas. A partir de uma certa fase deixaste de ter tantas participações e, pensando no último ano, lembro-me da faixa com o Mike El Nite, outra com o Slow J, a capa do disco do EP do Claustro. O que é que andas a sondar de momento ao nível de participações? Estás aberto a colaborar mais noutras vertentes que não nas rimas?

Cheguei a produzir um instrumental para o EP do Blasph. Nunca tinha produzido para ninguém. E não é que me interesse muito, produzir para mais pessoal. A minha vontade de colaborar não será tanto por aí. Mas sim, não só a nível musical como a nível gráfico, desde que existam pontos em comum, é possível criar alguma coisa fixe. Há um gajo com quem tenho de colaborar há imenso tempo só que não houve ainda um clique para nos mexermos e de facto fecharmos isso. É o Keso. Tenho mesmo de fazer música com ele. Também gostava muito de fechar uma faixa com o Tilt e meter cá fora. Há pouco pessoal com quem eu gostasse mesmo de trabalhar. Estou a falar mais de pessoal que considero amigo. Fora desse círculo não há mesmo muita gente. Mas esses dois. O Keso, principalmente, mas também o Tilt, que é um gajo que eu sei que, à sua forma, de uma maneira muito diferente, tem uma preocupação com a escrita que se nota e é impecável. De resto, talvez colaborações mais em termos de produção. Gostava de trabalhar em alguma coisa com o Notwan, fazermos finalmente algo juntos, um projecto inteiro só com ele a fazer beats para mim. É coisa que pode e deve acontecer em breve. E tenho falado com outros produtores. Se calhar, fazer projectos com outros nomes. Não sei. Explorar outras coisas, sendo o foco divertir-me a criar.

Vais apresentar o EP pela primeira vez em Lisboa, depois de já teres passado por alguns outros pontos do país para o tocar. Como é que tem sido a recepção?

Tem sido muito fixe. Tem sido engraçada esta ideia de ir visitar vários pontos do país antes de visitar os maiores centros urbanos. Ainda não anunciámos a data no Porto, por exemplo, mas vamos fazê-lo. Tem sido uma boa reacção. O EP foi feito também com o objectivo de lançar algumas faixas com as quais eu me sentia confortável a cantar ao vivo. Enriquecer, de alguma forma, o espectáculo.

Alguma carta na manga para o Lux Frágil?

Para o Lux estou a tentar pensar em alguma coisa especial para este concerto. Gostava de levar o Notwan comigo para tocar saxofone em algumas faixas. Estamos a trabalhar em algumas coisas ao nível da projecção de vídeo. Mas a melhor forma será ver lá. Tem sido muito fixe. São faixas que resultam bem, tendo em conta o meu registo ao vivo. Nos primeiros espectáculos estava a começar por tocar o EP primeiro e a revisitar depois o trabalho mais antigo. Agora tenho feito ao contrário e acho que tem sido mais fixe assim. A essência vai ser sempre a mesma — one man show. Com alguns convidados. O Notwan e, se calhar, mais um ou outro.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
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