Mura: “Sinto-me numa altura bastante criativa a nível de escrita e é muito graças às pessoas com quem tenho trabalhado nestes meses”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

“Dissabor”, o novo single de Mura com produção de Beatowski Beats, aterrou no YouTube durante a passada sexta-feira e tem o carimbo da ’93 Till Infinity.

Uma nova etapa na carreira de Tiago Moreira, que juntamente com 808 College e Armando Ferreira formou o selo discográfico independente ’93 Till Infinity. O rapper da Margem Sul do Tejo despertou para o hip hop nacional no seio do colectivo Noss-One, tendo trabalhado de perto com o produtor Tayob J. e coleccionado participações dos colegas Visco, Xhafan e Syncope ou dos brasileiros Vinicius Terra e Xandy MC. Em Junho deste ano afastou-se do grupo para criar de forma autónoma a mixtape v1.0.

Com este novo “Dissabor”, Mura dá o arranque para um novo e mais ambicioso projecto com o experiente 808 College ao leme que, depois de assinar batidas para nomes como Kevin Gates, Chevy Woods, NGA ou Deezy, fica agora encarregue da produção-executiva do seu novo colega.

Em conversa com o ReB, o MC falou sobre a nova equipa que o acompanha e dissecou “Dissabor”, o primeiro de seis singles pela ’93 Till Infinity.



Fala-me sobre o conceito desta tua nova faixa. O que te tem andado a causar “dissabores” ultimamente?

Uma geração que talvez sinta mais preguiçosa no que toca a explorar novos sons. Sinto que há muita coisa igual ao que se faz lá fora. Nada contra, apenas acabámos por fugir um bocado à nossa própria cultura, que por vezes esquecemo-nos que somos únicos em tanta coisa . Sinto que há muito movimento mas já não o sinto tão “real”. Tendo um romance com este estilo musical, não o quero ver a desaparecer no tempo, porque eu sou da opinião que se tu perderes tempo a seres igual a ti próprio fazes uma cena timeless. Acabam por ser a prova viva disso muitos dos que por aí andam.

Disseste-me que este seria o primeiro avanço do teu primeiro projecto de originais a solo, no qual tens estado a investir grande parte das tuas forças. O que é que nos podes adiantar sobre esse trabalho?

Este projecto foi pensado para ser trabalhado single a single, também com o intuito de ganhar alguma regularidade e consistência no meu trabalho. Evoluir passo a passo, no fundo. Mas vamos lançar seis singles durante estes próximos meses que se seguem, já para mostrar algum do trabalho que temos feito. Após isso, quem sabe, unificá-los.

Em Junho tinhas editado o v1.0. Estas novas faixas que tens em mãos começaram a ser cozinhadas logo depois disso? Explica-me como é que tem sido delineado este teu próximo plano.

Penso que este single foi a única faixa que foi feita logo depois dessa altura. Entretanto comecei a trabalhar com o 808 College e foi tudo muito à base de estúdio. Misturámos os dois mundos, do trap e do boom bap, sem perder as origens. Perdemos horas até achar o som mas lá conseguimos. Agora daqui para frente é evoluir cada vez mais.

Contaste com a ajuda do Beatowski Beats e da equipa da ’93 Till Infinity na produção e restantes aspectos técnicos deste tema. Como se deu esta colaboração? São estas as pessoas que te vão acompanhar no resto do projecto?

No fundo, a ’93 Till Infinity é a label que criei juntamente com o 808 College e com o Armando Ferreira. Tenho tido um grande apoio destes dois neste percurso. O Beatowski Beats, com pena minha, participou apenas neste som, porque, não sendo de Portugal, torna a situação mais complicada. Mas quem me irá acompanhar ao longo destes próximos singles irá ser mesmo o 808 College, ele é que irá coordenar e também realizar a produção à volta do que vou fazer daqui para frente, enquanto produtor-executivo. A colaboração com o 808 College surgiu numa noite de Bairro Alto, bastante ao acaso no meio de tantas conversas que tivemos nessa noite. A partir daí foi ir trabalhando e os sons começaram a aparecer. Sinto-me numa altura bastante criativa a nível de escrita e é muito graças às pessoas com quem tenho trabalhado nestes meses.


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira