Morreu Afrika Bambaataa. O artista norte-americano, cujo nome civil era Lance Taylor, tinha 68 anos e sofria de um cancro da próstata, reportou a imprensa internacional. Foi um dos grandes pioneiros e impulsionadores da cultura hip hop.
Nascido em 1957 no Bronx, em Nova Iorque, filho de pais imigrantes da Jamaica e dos Barbados, começou por ser membro do gangue de rua Black Spades, chegando mesmo a liderar a organização criminosa juvenil. Após ganhar um concurso que lhe valeu uma viagem transformadora a África, e de ter visto o marcante filme Zulu, auto-proclamou-se Afrika Bambaataa — adaptando o nome do líder zulu Bhambatha, que incitou a uma rebelião armada contra as injustiças económicas e sociais na África do Sul no início do século XX.
Afrika Bambaataa iria formar a Universal Zulu Nation e tornar-se um DJ na década de 70 — adoptando a técnica dos breakbeats que está na génese da cultura hip hop. A missão, ambiciosa, era solidária e de índole social: estava a tornar um dos maiores gangues juvenis de Nova Iorque numa associação que promovia a paz e a união, afastando os miúdos do crime e da violência para os entregar à arte. Se Kool Herc é muitas vezes creditado como o “pai do hip hop” enquanto DJ, Afrika Bambaataa terá desempenhado um papel fundamental para estabelecer as bases da subcultura e a tornar um movimento sócio-cultural mais abrangente.
Começou a organizar festas no Bronx e formou colectivos de jovens músicos que orbitavam à sua volta, como os Jazzy 5 e os Soulsonic Force. Mais tarde, seria um dos responsáveis por espalhar esta nova música e forma de estar nos principais clubes de Nova Iorque, nas áreas centrais de Manhattan, disseminando a mensagem.
Em 1982, inspirado pelos germânicos Kraftwerk e pelas novas ferramentas tecnológicas do mercado, começou a explorar um som electrónico — que tornar-se-ia conhecido como electro-funk — e lançou o seu primeiro êxito enquanto rapper e produtor, “Planet Rock”, que se tornou um hit nas pistas de dança e representou uma revolução sonora. Foi parte integrante da primeira digressão de hip hop que se fez na Europa, colaborou com nomes como James Brown ou John Lydon.
O hip hop já era uma semente a germinar de forma efusiva e Afrika Bambaataa, figura essencial nesse momento fundacional, foi erguendo uma discografia com discos como Planet Rock: The Album, The Light, The Decade of Darkness ou Hydraulic Funk. O seu último disco de originais, entre diferentes compilações e colaborações, foi Dark Matter Moving at the Speed of Light, editado em 2004.
O músico passou por Portugal ao actuar na Casa da Música, no Porto; e no Lux Frágil, em Lisboa, em 2005. Três anos depois, apresentou-se no Casino de Lisboa. No Rock in Rio de 2011, no Brasil, partilhou um momento de palco com Boss AC.
Em 2016, Afrika Bambaataa foi acusado por múltiplos homens de ter cometido abusos sexuais. O músico negou as acusações, mas acabou por perder um caso civil depois de não comparecer em tribunal.