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Texto: ReB Team
Fotografia: toryframez
Publicado a: 30/07/2021

Mais amor pelo r&b de outros tempos.

Mizzy Miles sobre “MORE LOVE”: “Estou a usar um refrão de um mega clássico e estou a trazê-lo com uma nova frescura”

Texto: ReB Team
Fotografia: toryframez
Publicado a: 30/07/2021

“MORE LOVE” é o segundo single editado por Mizzy Miles e um novo avanço referente ao seu álbum de estreia, que está na calha para 2022.

O sucessor de “SAFE” volta a contar com Lhast enquanto convidado, poucos meses após “Bossy“, uma outra reunião sonora da dupla. Carla Prata, que se tinha cruzado com o produtor há um ano a propósito de “WOOO“, uma faixa de Minguito, também brilha em “MORE LOVE” ao assegurar o segundo verso e os refrões do tema, que tem ainda a co-produção de Francis e adds de Monksmith.

Em declarações prestadas ao ReB, Mizzy Miles abordou a criação da sua nova canção, que interpola dois clássicos incontornáveis do r&b, e falou sobre os planos que o vão levar até ao tão esperado disco de apresentação.



Decidiste homenagear dois clássicos do r&b no teu mais recente single. Como é que surgiu esta ideia?

A ideia de fazer um som assim, em que um gajo presta homenagem aos clássicos de r&b, sempre foi algo que eu quis fazer. Não era bem esse o plano para este som: simplesmente aconteceu de uma forma natural. Eu, quando produzo, canto sempre melodias que me vêm à cabeça. É uma cena minha. Guardo as melodias no iPhone. Até posso estar com um artista e sugerir-lhe melodias para verso, refrão, pré-refrão, bridge, whatever.

Eu, quando estava a fazer este instrumental, estava com essas minhas melodias, a cantarolar para o ar. Uma das melodias que me veio foi, precisamente, a do “My Boo” [dos Ghost Town DJs], por causa do Running Man Challenge que bateu em 2016. Estava a fazer essa melodia na cabeça. “Isto está a encaixar bué bem aqui. Será que se eu sacar o acapella e colar aqui em cima vai dar certo?” Fui na net, saquei o acapella do “My Boo”, colei em cima do beat — fiz o stretch do tempo, porque o BPM não era o mesmo — e ficou perfeito. Não tive de alterar o tom nem nada. “Oh shit!” Assim que aquilo se instalou, eu entrei logo numa viagem para o r&b e percebi uma cena: eu tinha ali a oportunidade de fazer uma cena à semelhança dos projectos do Tory Lanez, como as Chixtape, ou mesmo estas cenas de homenagem que se têm feito noutros sons — fez o Pop Smoke no último álbum, também já fizeram o Drake e dezenas de outros artistas que eu agora não te consigo enumerar. Basicamente, é dar aquela frescura a um super clássico. Trazer a nostalgia e aquele good feeling. Quando eu percebi que podia fazer isso, I just kept going.

E quando fiz esse instrumental houve também uma outra melodia que me veio à cabeça, a do “Let Me Love You“, do Mario. Aí nem hesitei duas vezes. Pensei “vou fazer isto no refrão, uma cena propositada. Vou reescrever aqui umas dicas para português e fazer disto um refrão, para o pessoal, assim que ouvir, entrar no som com o ‘My Boo’ e terminar com o ‘Let Me Love You’. Vai ser aquela explosão de emoções”. Foi assim que surgiu a ideia. Isto para dizer que não foi algo que eu programei para ser assim, mas aconteceu. Quando eu percebi que podia ser assim, disse “ok, isto vai ser intencional e eu vou assumir isto desta forma, porque acho que é uma cena mega fresh e sempre quis fazer isto”. Basicamente, eu estou a trazer um novo sauce. Estou a usar um refrão de um mega clássico e estou a trazê-lo com uma nova frescura, uma outra wave e um outro flavour. Foi assim que surgiu a ideia. Dei a dica ao Lhast e à Carla, eles apanharam logo a visão, marcaram na ideia, e foi assim que se procedeu, mesmo para ser propositado. Gostei bué do outcome. Ficou incrível. Até superou as minhas expectativas. A Carla fez uma voz… Usou aquela voz dela, incrível, no refrão. O Lhast também entrou com um verso incrível. A big picture do som… Chamei-lhe “MORE LOVE” porque é exactamente isso que o som transmite e transpira, digamos assim.

De que forma é que o som dessa época influenciou a música que nos apresentas no presente?

Influenciou bastante. Para já, porque eu estou a ir buscar a main melody do refrão da “Let Me Love You”. Logo aí influenciou-me directamente. Mas o que eu quis fazer foi trazer uma freshness com novos drums, uma nova cadência, um whole different flavour. Tanto que o verso que o Lhast entregou está mesmo… Super fresh! É um verso com uma cadência melódica que tu não encontras assim em qualquer som. Mesmo o verso da Carla está tudo bué incrível. A única cena que eu tive atenção em fazer foi manter aquele feeling quente, cozy e agradável que tu sentes ao ouvir um clássico de r&b, como o “I Need a Girl” do Puff Daddy ou mesmo o “Let Me Love You”. Tu ouves aquilo e ficas feeling good. Eu fiz o som e projectei o som para que essa energia e esse feeling corressem pela faixa inteira. Tu ouves o som do início ao fim e ficas logo com um sorriso na cara. Dá vontade de abraçar alguém, de cantar o som na praia ou na piscina, com os teus amigos, com a tua shorty ou o teu boy. Fiz e projectei o som para que esse feeling autêntico se mantivesse. Quase como ir buscar aquele feeling de old school love, dos 90s e dos 2000s. Até havia aquele meme por aí a girar que dizia “if love doesn’t feel like 90s or 2000s r&b then I don’t want it”. Eu quis que esse feeling não se perdesse e, no final, foi concretizado com sucesso e com mérito. Fiquei satisfeito com a faixa.

Tanto a Carla Prata como o Lhast já tinham colaborado contigo antes. O que é que te levou a querê-los neste teu novo tema em nome próprio?

Baseando-me no trabalho que tenho feito com o Lhast e com a Carla, sei que eles são dois artistas bastante mellow. Eles têm aquele lado mais de playboy, de r&b, de for the ladies. Eu soube logo que eram dois nomes que iam casar bué bem. E era uma colaboração improvável, que é o que eu ainda mais gosto. Mas surgiu de uma maneira natural, no início da quarentena de 2021, em que eu tive várias sessões virtuais com o Lhast. Temos um projecto quase todo feito assim, em videochamadas no WhatsApp. Eu fazia um beat aqui, mandava para ele e ele gravava e mandava para mim. Andámos com esse workflow para aí durante um mês. E este som foi um desses que fizemos nessas nossas pandemic sessions, se é que as posso chamar assim. Foi assim que aconteceu. Eu mandei-lhe, ele curtiu bué e fez logo um verso. Depois pensei bem e a Carla pareceu-me a voz ideal para fazer aquele refrão, com aquela girly sweet voice que encaixa ali perfeitamente. Dei-lhe o toque a ela e ela embarcou logo na ideia e percebeu logo a visão. Foi assim que aconteceu. Ou seja, eu não olhei e juntei os dois. Foi, simplesmente, o Lhast a entregar-me aquele verso e eu a aperceber-me de que a Carla era a pessoa certa para aquele refrão. Eu queria que fosse uma female voice e a best female voice que eu conheço é a da Carla. É um bocado suspeito eu dizer isto porque sou mega fã dela. Mas juntou-se o útil ao agradável. Shout-out Carla e Lhast, por terem aceite o meu convite e por termos feito este trabalho incrível.

O “MORE LOVE” é o teu segundo single de sempre, o primeiro que lanças este ano. Que planos traçaste para os meses que se seguem?

O “MORE LOVE” é o segundo single do meu projecto e o primeiro de 2021. Era suposto ter lançado no ano passado mas o timing não foi o melhor. Meio que fez com que eu reestruturasse a estratégia e, então, decidi que seria o “MORE LOVE” o segundo single para lançar agora no Verão porque é, sem dúvida, uma summer joint. Os planos para o resto do ano passam por lançar ainda mais dois singles e 2022 será o ano em que virá o álbum. Entretanto, nos meses que se seguem, vem aí muita música e muitos projectos.

Há um ano tinhas-nos falado da possibilidade de editares o álbum ainda em 2021. Em que fase se encontra esse trabalho e como têm decorrido as preparações?

Ya. Eu há um ano falei que 2021 seria o ano do álbum mas ainda bem que não o lancei este ano, porque we ain’t ready. We ain’t ready nem o mundo está ready. Acho que não é a melhor altura para lançar um álbum, porque ainda não temos shows, não temos nada para promover e viver da maneira certa. Não temos os clubs, onde as pessoas podem curtir do som, os concertos, onde podemos estar todos turned up e a elevar a cena para o next level. Então kinda que voltei atrás, olhei para o quadro de uma maneira mais ampla e percebi, “hold up. 2021 não será o ano, mas sim 2022″. Assim tenho mais tempo para me preparar, fazer mais sons, ter mais tempo para falar com outros artistas e preparar tudo com cabeça e mais calma, pensar nos pormenores. O que podem esperar é um álbum mesmo muito colaborativo, com featurings muito inesperados e sons de todos os tipos. Em princípio vai conter 10 faixas. Se tudo correr bem, podem esperar mais uns quantos singles até o álbum sair. As cenas estão a correr bem, vão de vento em popa. As collabs também estão a acontecer. Portanto fiquem ligados, porque vamos ter aí um álbum… Eu nem gosto de falar muito, porque pode parecer que estou bué bragging. Mas, sem dúvida, vai ser um álbum que eu espero que marque a história do hip hop em Portugal. That’s my mission. E que seja um álbum que ajude a dar aquele reconhecimento que os produtores merecem. Que os produtores que virão a seguir possam usá-lo como inspiração e sintam que é possível ser-se um main artist in the scene. Ter o protagonismo que nós merecemos.

Foi um prazer estar aqui convosco. MAKEMORE, always. Quero só deixar aqui um shout-out à minha team, à minha label MAKEMORE, à minha team da Sony… Um grande shout-out ao Rodrigo Balona, que é o meu manager, e a toda a gente que me acompanha. Aos meus artistas e àqueles que me ajudaram até aqui. Fiquem ligados para os próximos singles. E 2022 vai ser um ano muito incrível.


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