Minus & MRDolly: “Deu para perceber que há muita gente a ouvir beats

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] João Rodrigues

Sem grande burburinho, Minus & MRDolly fez ontem o upload de Man With a Plan – The Outtakes na sua página oficial de Bandcamp.

Um ano (e dois meses) depois da edição do disco que lhe garantiu entrada nas listas de melhores do ano da Antena 3 ou do próprio Rimas e Batidas, Hugo Oliveira desvenda um conjunto de “sobras” que facilmente cumpririam o seu papel num Man With a Plan 2, por exemplo.

Com o seu alter-ego Tasc’otau a assumir a dianteira nesta fase, o produtor portuense falou com o Rimas e Batidas sobre o último ano, Man With a Plan – The Outtakes e o que aí vem.



Quando editaste o Man With a Plan, já sabias que ias lançar estes outtakes? Percebeste logo que existia muito material que irias querer mostrar mais tarde?

Não foi uma decisão muito ponderada, confesso, ou seja, estes temas já existiam na altura de MWaP, e beats como o “Hey Duke” ou “Lesmas” estiveram quase quase a ser escolhas, mas acabei por guardá-los mais um tempo. Dessa forma, eu sabia que tinha material que poderia ser editado mais tarde. Pensei até mesmo que estes Outtakes poderiam muito bem ser outro disco, mas de forma a fechar o ciclo de material construído e criado nesta estética, decidi editar estes beats como sobras do MWaP.

Colocaste alguns nomes de rappers nos títulos das faixas. Fizeste numa de criar uma espécie de type beats (ou seja, estavas com o mindset apontado para um sítio em particular) ou as “vozes” dos MCs só chegaram depois do instrumental estar completo?

Ao contrário dos temas em MWaP estes foram construídos e ficaram de fora do disco por ter ideia de colocar rappers ou vozes neles mais tarde. Como isso acabou por não acontecer e eu queria mesmo muito editar estes beats de forma a fechar o ciclo que já referi anteriormente, intitulei alguns como sugestões vocais que imagino neles. Não os encaro como “type beats” mas como material que pode muito bem receber “type rappers”.

Tendo em conta que Man With a Plan é um disco de música instrumental lançado por uma editora recém-criada, surpreendeu-te o feedback (bastante positivo) de grande parte da imprensa nacional?

Sim, estou muito satisfeito com o feedback real que tive da imprensa e do público em geral. Deu para perceber que há muita gente a ouvir beats. Todos sabemos que a música instrumental não é um fenómeno (se calhar ainda bem), mas estou muito feliz com as repercussões que ecoaram e continuam a surtir efeito após o lançamento do álbum (que sabemos ter certas limitações, por ser instrumental e editado por uma editora nova). É muito prazeroso continuar ouvir a minha música em airplay de muitas rádios nacionais, mesmo tendo esse carácter instrumental.

Estes outtakes são um preâmbulo para algo novo? Quais são os teus planos para 2019?

Não como Minus & MRDolly, mas estou de momento a fechar e trabalhar novas músicas em que assino como Tasc’otau (outro dos meus alter-egos) num projecto mais híbrido que pretende roçar nos universos da música de dança (house, garage, hip hop,) sempre com a influência da musica negra, em especial o jazz.