Mick Jenkins // The Circus

[TEXTO] Paulo Pena 

Mick Jenkins, the coolest man on earth, desliza ano adentro com um novo EP, lançado a 10 de Janeiro. The Circus é a abordagem do rapper, sentado na poltrona de veludo em que escreve versos condizentemente aveludados, ao circo da indústria – “I step in rooms where niggas don’t know who I am”.

É de Chicago, Mick, e as batidas e o groove denunciam desde logo a identidade geográfica deste artista com cunho próprio. Mick escolhe a dedo os seus produtores, como é o caso, a título de exemplo, de Hit-Boy, precisamente por pretender na sua música a sua marca, o seu balanço. Kaytranada, o produtor com quem costuma trabalhar frequentemente, não foi chamado para este trabalho. Porém, Mick Jenkins não é homem de um só produtor. Cada faixa do EP conta com um selo diferente, o que leva o MC por caminhos variados, sem se perder o sabor a que tanto nos habituou ao longo dos álbuns.

Com versos de quem nasceu para os gravar num microfone, Jenkins é dotado de um conjunto de capacidades que o distinguem entre os seus pares (que, em boa verdade, não o são propriamente). Desde o timbre, ao controlo de voz, passando pela métrica e cadência entre versos e instrumentais, estas são características que distinguem Mick Jenkins dos demais. Ele conjuga a sua personalidade musical vincada com uma versatilidade natural. Prova disso é “The Light”, que faz transparecer a facilidade com que Jenkins se molda ao registo que a música pede, numa colaboração com os igualmente eclécticos EARTHGANG.



Com sete faixas e perfazendo um económico total de 19 minutos, The Circus peca apenas por ser curto, mas compensa por apresentar um Mick Jenkins mais apurado e acutilante que nunca na arte de fazer rap. Se em Pieces of a Man procurava descodificar-se por dentro, The Circus é um exercício de observação de tudo aquilo que o rodeia, uma vez chegado a um patamar mediático considerável – “Niggas wanna see me talk my shit”.

Este é um disco marcado por um tom mais agressivo, ou assertivo, por oposição aos anteriores, sem perder, no entanto, a componente de reflexão que caracteriza a escrita do rapper norte-americano. No fim do dia, Jenkins está sentado na sua poltrona de veludo, tendo finalmente parado para tomar consciência do seu percurso, do ponto onde se encontra agora, acompanhado (mas sozinho…) no circo da indústria, rodeado por “multiple elephants in the room”.

The Circus é um projecto que, acima de tudo, revela Mick Jenkins como um músico em constante crescimento e a definir-se cada vez mais. São estes artistas que, sem darmos conta, dão vida ao “circo”, apesar de às vezes nos deixarmos distrair com os palhaços. O circo muda de sítio, consoante a época, mas artistas como Jenkins são daqueles que ficam, independentemente das movimentações.


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