Melhor que um manual, só mesmo um concerto: A História do Hip Hop Tuga conta-se em Março

[TEXTO] João Daniel Marques [CAPTAÇÃO DE VÍDEO] Beatriz Santos [EDIÇÃO DE VÍDEO] Luis Almeida

A História do Hip Hop Tuga vai ser contada no Dia da Mulher na Altice Arena, com um “elenco” que conta com nomes como Capicua, Sam The Kid, General D ou Carlão. Esta será a “sequela” mais ambiciosa do concerto que se pôde ver no Sumol Summer Fest em 2017. O Rimas e Batidas marcou presença no ensaio geral e conversou com alguns dos intervenientes do evento, tanto dos que pisarão o palco como dos que farão acontecer fora dele, que nos explicaram tudo sobre o que aí vem.

Foi uma verdadeira reunião entre os profissionais da música e jornalistas com direito a um pequeno showcase num dos estúdios mais emblemáticos do país – o dos Xutos e Pontapés, onde já gravaram nomes como os Orelha Negra ou Bispo. Desta vez não estivemos lá para assistir a gravações, mas sim para testemunhar o início daquela que será a maior celebração do hip hop nacional em 2019. No ensaio geral marcaram presença Phoenix RDC, GROGNation, XEG e Tekilla, que contaram com o apoio dos veteranos Cruzfader e Kronic nos pratos.

Um dos membros da organização, mas que bem podia ser parte do cartaz, é Vasco Monteiro Pinto Ferreira aka Sensi, como é conhecido no mundo da música. “Fizemos aquilo do Sumol, chegamos ao fim e fizemos uma introspecção do que fizemos mal, do que é que poderíamos fazer melhor e tudo o mais”. “No início até tivemos propostas para fazer mais espectáculos, mas da nossa parte não quisemos porque não nos queríamos banalizar”, disse um dos homens fortes por trás da Faded, agência responsável pela organização de ambas as edições. “Achamos que tem de ser memorável e que tem de ter este espaço de tempo para o público e para os artistas.”

Quanto à forma renovada desta segunda edição, Sensi esclareceu: “Não nos focamos propriamente nos artistas, mas sim na importância que cada música teve no ano em que saiu”. “Focámo-nos nisso e em tentar equilibrar a velha escola com a nova escola, sem dar mais foco a nenhuma parte”, completou.

E apesar de se ter desenhado um cartaz extremamente ambicioso seria impossível cobrir todos os nomes — “rejeitaram-nos convites por razões plausíveis”. “Há várias questões como a agenda, ou convites feitos a colectivos em que só um membro seguiu carreira, se calhar não era oportuno.”

“Se tu já não sobes a um palco há 10 anos, vai ser complicado”, acrescentou Sensi antes de se pronunciar sobre a ausência dos Da Weasel na reunião mais importante do hip hop nacional: “Eu não fui o visionário que tentou juntar os Da Weasel, eles se for preciso têm convites todas as semanas e se se juntassem (eu acredito e tenho essa esperança), não seria para a história do hip hop – eles fazem um Altice Arena sozinhos.”

Mas desde que o concerto foi anunciado gerou-se alguma controvérsia não só pela ausência dos Da Weasel, uma peça essencial no hip hop nacional, mas também pelo reduzido número de rappers femininas que fazem parte do cartaz – uma apenas, Capicua – num concerto que se realiza no Dia da Mulher. “Eu aceito essas críticas, estamos a trabalhar numa cena para homenagear as mulheres do movimento, que merecem todo o respeito, mas para pôr uma MC só por ser mulher ia tirar outra pessoa que também foi importante”, justificou-se. “Fomos obrigados a fazer escolhas.”

Mas nem tudo é negativo. Na verdade, nada é negativo, até porque está a ser preparada uma surpresa para homenagear não só as mulheres, mas também os artistas que não constam no cartaz. Só assim se faz a verdadeira festa do hip hop tuga.


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