Maze lança de surpresa o primeiro álbum em nome próprio

[FOTO] Deck97

Maze, rapper dos Dealema, acaba de se estrear com um álbum em nome próprio, depois de duas décadas de carreira no quinteto dealemático. O disco homónimo chega depois do EP Homem em Missão, no ano de 2007, e de no ano passado ter disponibilizado um trabalho do projecto Subverso, um disco a meias com o produtor Soma, que estava já há 10 anos na gaveta do MC do Porto. Falámos com Maze sobre esta edição histórica que se traduz no seu primeiro álbum.


[O Timing]

Desde que disponibilizei no Myspace o EP Homem em Missão em 2007 e até hoje tive sempre vontade de editar um trabalho a solo, durante estes anos muitos álbuns e muita estrada foi feita com Dealema, com Mind da Gap e com o Mundo e participações em dezenas de discos, isto tudo em simultâneo com outros projectos de vida e sempre na luta da sobrevivência que é a música neste país – tudo isso reduz o tempo e a disponibilidade mental disponível para criar.

Muita gente não sabe mas cheguei a ter um álbum gravado que desapareceu num disco externo e foi parar ao espaço sideral! E ainda bem que assim foi pois agora sinto-me com a maturidade criativa que queria ter num disco de estreia.


[O Conceito]

A linha de pensamento é a que me caracteriza e acompanha desde que comecei a fazer música com os meus companheiros de Dealema: são os meus habituais poemas de confiança, são relatos reais e auto-biográficos, são mensagens para tocar no coração e pôr os cérebros a funcionar.

O disco esteve para se chamar entranhas, e toda a parte visual tenta retratar essa viagem ao meu interior e ao íntimo de quem o ouve, são as minhas vísceras expostas em rimas, as minhas motivações, a cidade onde nasci, mas a transformação, a educação e formação integral do indivíduo é sem dúvida a linha de pensamento e a palavra ‘vida’ é o fio condutor deste disco.


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[A Produção]

Quis trabalhar este disco no Segundo Piso com a produção executiva do Mundo, gosto da visão que ele tem da música, das dicas que dá no processo de gravação, sabia que era a pessoa ideal para traduzir os ambientes e a estética do rap clássico que queria para este disco, os instrumentais são todos de produtores com os quais me identifico bastante, ouvi dezenas de beats do Ace, o Sam mostrou-me alguns beats na estrada, o Mundo produziu beats de raiz, o Tombo tinha-me passado os beats dele há uns anos, o DJ Suphryme estreia-se em edições com o beat no álbum, pedi ainda bases ao Raez, Virtus, Reis e ao Sair pois para além de gostar muito do trabalho deles, sabia que teriam os ambientes para os temas que queria abordar, com sonoridade jazz, funk, soul, boogie e reggae, alguns estilos pelos quais me apaixonei precisamente via rap e pelos samples que tentava decifrar nos anos 90.

Decidi não convidar MCs, passei 20 anos a partilhar músicas com outros vocalistas, nos meus projectos e em participações, tenho coisas para dizer e neste disco precisei desse espaço para mim. Entretanto na parte melódica resolvi convidar a voz do Macaia que também se estreia e que tem um futuro brilhante pela frente. O Laranja, o Mundo e o Ace também trazem essa alma de que eu precisava para os refrões das músicas.

A mistura e masterização ficaram a cargo do Gustavo Carvalho, que conseguiu entender na perfeição a estética que eu e o Mundo visionámos para o álbum.


[Disco não Anunciado]

Neste disco quis subverter completamente os standards da indústria, não avancei singles, nem videoclips, nem sequer anunciei o disco, porque não me revejo nos moldes do massacre promocional dos dias de hoje, o disco conta uma história, tem uma alma, são músicas sentidas, com ambientes densos e mensagens que quero passar – se as pessoas me quiserem ouvir, o objectivo fica cumprido.

Acho que os ouvintes vão escolher os singles deste disco, quando todas as músicas saem ao mesmo tempo qualquer uma pode ser escolhida por quem as quiser passar, não sou eu que vou impor uma música às rádios, isso mais uma vez seria colar-me ao funcionamento da grande máquina. Mas vou querer certamente fazer vídeos e traduzir algumas das músicas visualmente.


MAZE Logo


[Apresentações ao vivo?]

Para já a única apresentação marcada é no Porto na sala 2 do Hard Club no dia 28 de Maio, mas brevemente apresentações em outras cidades estão na calha, e provavelmente no futuro alguns concertos com uma formação um pouco diferente do que é habitual nas apresentações de projectos de rap com banda, mas isso ainda está em construção.


Maze, com selo do Segundo Piso, é editado pela Banzé e chega às lojas muito brevemente. Ao todo, são 15 temas com instrumentais maioritariamente boom-bap e que inclui, além de todos os nomes já referidos, os cortes do (também) dealemático DJ Guze, teclas por Sérgio Alves e Miguel Campos, guitarra por Pony e Gustavo Carvalho, baixo por Guito Maldiva e percussões adicionais por Gustavo Carvalho.


 

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