Lazuli: “Quando for a altura certa, a fasquia vai ser elevada e vai-se ouvir falar do meu nome”

[TEXTO] Moisés Regalado 

Entrou nos radares há pouco tempo, mas já produziu dezenas de temas para rappers como Phoenix RDC, Chav ou Kappa Jotta. Foi fundamental para o sucesso de M.A.D.H.P. e, graças às colaborações que vai mantendo, o seu nome começa a ser conhecido um pouco por todo o país.

Ainda assim, acaba por dizer que a palavra “negócio”, “feliz ou infelizmente”, não faz parte do seu vocabulário mais recorrente.

Depois de um ano de 2018 que funcionou como verdadeiro início para o seu curto, mas sólido percurso, Lazuli assume-se pronto para o futuro, numa conversa que começa um pouco mais atrás.



Tens andado bastante activo e começaste o ano da melhor maneira, tendo em conta todo o sucesso do M.A.D.H.P., mas o teu percurso já tem alguma história. Há algum episódio que recordes como fundamental para aqui estares hoje em dia, e que a maior parte do público desconheça?

Há um episódio marcante para o meu início de carreira no mundo da produção, que foi uma transmissão live no Instagram do benji price. Até lá, tinha vindo a criar música como um hobbie, mais por brincadeira, não com a perspectiva de seguir esta área. O benji estava a avaliar uns instrumentais que os espectadores iam mandando e ouviu o meu. Deu-me os parabéns, deu-me conselhos muito sábios e a partir daí fui sendo espectador assíduo das lives dele e só mesmo a partir desse dia comecei a tentar mostrar-me ao mundo.

As colaborações com o Phoenix RDC, para quem já produziste pelo menos uma mão cheia de temas, têm sido cada vez mais frequentes. Como é que começou essa vossa relação?

A minha relação com o Phoenix foi algo bastante natural, na minha perspectiva. Houve um dia em que ele por acaso me respondeu no Instagram e acabei por enviar-lhe uns instrumentais. Ele gostou de um mas essa faixa nunca mais foi desenvolvida. Mais tarde, depois de o “chatear” inúmeras vezes, ele acabou por perder algum tempo a ouvir alguns trabalhos meus (de onde saiu o instrumental da “Professor”), e a partir daí temos estado sempre em contacto.

Ao trabalhares regularmente para outros artistas, a tua música passa por várias mãos antes do produto final. Tentas ser parte do processo ou, depois de cedido o instrumental, evitas interferir?

Como produtor, não só tento como peço aos artistas que me deixem sempre dar a minha perspectiva e, se pertinente, adicionar/retirar elementos. Sem dúvida que isso torna o produto final mais coeso e mais completo.

E também é por isso que te costumamos ver associado a rappers com quem colaboraste no passado, como o Phoenix RDC ou o Chav?

Sim. O Chav e o Phoenix são dois excelentes exemplos no que toca a respeitarem a minha arte. Integro o processo do início ao fim, dando sugestões em “demos” que eles me vão enviando ou mesmo a pós-produzir a faixa.

Ainda assim, é possível encontrar beats teus em projectos de inúmeros rappers e não só, desde o Kappa Jotta ao Frankie Batista, do Lójico ao Hipno$e. Gostas genuinamente dessa partilha, desse lado mais hip hop, ou há situações em que te focas apenas no negócio?

Negócio, feliz ou infelizmente, é um conceito que está um pouco fora da minha visão. É claro que se quero seguir produção musical e viver confortável da mesma, a parte do business vai acabar por surgir. Contudo, a maioria dos projectos que integro (inclusive todos os mencionados na pergunta) surgem de uma forma bastante natural, onde o foco é simplesmente fazer música de qualidade. E não falo só no hip hop. Mesmo em trabalhos (não conhecidos do público) que faço com bandas, marcas, etc., o foco é sempre a música.

E achas que o mercado de type beats pode condicionar a criatividade dos beatmakers? Ou nem por isso?

Não sou contra, respeito muito quem faz desse mercado o seu ganha-pão ou tenta fazer com que o seja. A nível pessoal não me sentiria nada concretizado. A parte artística simplesmente desaparece, a identidade artística é inexistente. Gosto de seguir o meu caminho, sem qualquer tipo de competição ou limites. Mas, como disse, é uma visão estritamente pessoal e possivelmente bastante distinta da maioria.

O que é que distingue a tua produção daquilo que se vai fazendo e ouvindo por aí? De que software, hardware ou instrumentos — virtuais ou não — é que nunca abdicas?

Como ouvinte assíduo, tanto do panorama musical nacional como internacional, sinto que as minhas melhores características são o bom gosto, a polivalência e a qualidade musical. Aliado a isso, ser persistente e ambicioso cria uma junção consistente e eficaz no que toca a cumprir os meus objectivos. Desde miúdo que produzo apenas com um computador, uns headphones e um par de colunas muito insuficiente. Com esse conjunto, sinto-me sempre em casa. A nível de software, onde trabalho maioritariamente e me sinto muito à vontade é no FL Studio, logo esse seria provavelmente o meu único requisito inabdicável.

O teu nome e a tua música já fazem parte da cena tuga, mas quase sempre como consequência de lançamentos alheios. 2019 é o ano da afirmação a solo?

Este ano vai ser de muitas surpresas. Como já referi, o foco é sempre música e projectos íntegros, com muita qualidade. Não trabalho com objectivos temporais ou singulares, mas, quando for a altura certa, a fasquia vai ser elevada e vai-se ouvir falar do meu nome.


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