Phoenix RDC // M.A.D.H.P.

[TEXTO] Moisés Regalado

Alguns projectos depois, o mais activo dos pesos-pesados da cena portuguesa ainda não se deu por satisfeito e, mesmo depois de anunciar uma pausa nos LPs, o Melhor Álbum De Hip Hop Português já está disponível. O grande trunfo de Phoenix RDC tem sido a música que continua a lançar em catadupa mas desta vez a surpresa começa no título. Em entrevista à Hip Hop Rádio, o MC declarou-se como ávido consumidor daquilo que se vai fazendo no núcleo duro do rap nacional e aproveitou para esclarecer que o Melhor Álbum De Hip Hop Português começa exactamente na sua experiência e perspectiva como ouvinte — e que M.A.D.H.P. é, antes de mais, o disco de hip hop tuga que gostaria de ouvir mas que nunca tinha sido feito.

Vistas as coisas, é só mais um título, só que isso até será bom sinal — e o mérito vai inteirinho para Ydalo. Ou seja: talvez o movimento permitisse tamanha ousadia a Sam The Kid ou, no máximo, a nomes com percursos consensuais e queda para o lado mais irónico da escrita, como NERVE ou ORTEUM, KESO ou Weis, mas pouquíssimos rappers portugueses seriam capazes de o fazer sem que o público (e a crítica, claro está) assumisse imediatamente o papel de juiz ou advogado, sabe-se lá de que diabo.

Basta deixar a pergunta no ar: em que grau de alerta estaria o Twitter se Melhor Álbum De Hip Hop Português fosse o novo disco de Valete, Boss AC ou Regula, tão ou mais veteranos que Phoenix? E o que diria a velha guarda do Restelo — talvez pelo Facebook… — se Dillaz ou GSon empunhassem tal bandeira? Mas nada disso interessa realmente porque a Phoenix não apontam nada daquilo que, justa ou injustamente, ad aeternum ou a espaços, vão arremessando aos seus pares.

O mérito é seu — não é de mais dizer — se, está visto, Phoenix chega a todos os nichos e a todas as gerações com a mesma força. Não está velho para o trap e os restos da golden era que lhe saem da voz ainda soam a novidade. Ninguém o vê como personagem ou como contraditório, mesmo que, como todos os outros, também o seja. Mas se falar de M.A.D.H.P. é falar do que trouxe Phoenix até aqui e da matéria que faz o homem, também é falar daquele que é, pelo menos, o álbum perfeito para inaugurar 2019.

 



Depois de dezenas (e dezenas, e dezenas…) de temas lançados, o bom gosto de Phoenix para reunir e, à falta de expressão mais fiel, partir instrumentais já não devia ser novidade, sejam eles free type beats, produzidos propositadamente para si ou simplesmente “roubados da net” — ninguém quer saber. Mas M.A.D.H.P. veio provar que afinal há produtores portugueses, como James Gold, Lazuli ou, claro, STK, à altura de Phoenix e da sua visão para a música rap feita em 2019.

A variedade de produtores responsáveis pelos instrumentais e pela mistura trouxe a diversidade que nem sempre Phoenix teve à disposição e a masterização, assinada pela Sine Factory, tratou de uniformizar um disco que passou pelo menos numa dúzia de casas diferentes. E a escrita do OG de Vialonga já foi mais trabalhada, é certo, mas se calhar é esse o segredo da longevidade do seu pen game, tão apelativo como sempre e certamente mais afiado do que nunca. Por mais que a palavra seja basilar, Phoenix aprendeu há muito que os microfones servem mesmo é para captar o que lhe sai pelas cordas vocais — e que, vá-se lá saber porquê, até os microfones parecem captar melhor quando o conteúdo é genuíno…

 


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