Kroniko sobre Kronimil: “Esta é a droga que mata a ressaca dos meus street heads

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Editado no final da semana passada, Kronimil é o novo trabalho de Kroniko.

O regresso aos microfones do veterano MC lisboeta deu-se com um EP composto por cinco novos temas. Kroniko vinha de uma jornada de dois álbuns — editou Retrxspectiva e Estigma em 2016 e 2017, respectivamente — tendo depois arrancado com a série Plata O Plomo, que não foi além do segundo episódio. Ausentou-se de Portugal, abriu uma empresa no estrangeiro, mas não deixou de ir compilando os seus pensamentos em forma de verso num bloco de notas digital, que decidiu levar para estúdio para delinear um novo trabalho.

Numa alusão aos problemas que o fentanil tem causado nas ruas — o opióide já é uma das maiores causas de morte nos EUA —, Kroniko intitulou o seu novo trabalho Kronimil, uma prescrição que visa colocar um fim às necessidades daqueles que o têm vindo a bombardear com pedidos por novidades no capítulo da música.



Editaste o teu último álbum, Estigma, em 2017 e iniciaste depois a série de singles Plata O Plomo, que ficou no segundo episódio, antes de colocares a carreira de rapper em pausa. Por onde andou o Kroniko e o que esteve na base deste afastamento dos microfones?

Bem, podíamos estar aqui horas a falar sobre este assunto, principalmente do meu afastamento, mas ainda não é hoje. Pondo isto por partes, o Kroniko bazou. A tuga já tem muitos rappers e não precisa de mim. Sou do tempo em que isto eram 10 rappers na “Lisa”, 1 no Algarve e 4 no Porto. Já vi isto a dar tanta cambalhota, até lhe chamarem o “novo rock”, enfim. It’s enough for me. Sempre tive uma vida paralela ao rap e foi tempo de me dedicar mil por cento a ela e dar prioridade a outras coisas. Abri a minha empresa, tenho uma marca fora de Portugal, o meu tempo é contado ao máximo e é dividido entre três países. Portanto, you get me, são dois factores: muitos rappers e a minha agenda cheia.

Agora regressas com um novo trabalho. O que te motivou a escrever novamente?

Eu tenho mais anos de rap do que o YUZI e muitos deles têm de idade, so I never really stopped writing stuff, muito menos nos dias de hoje em que agarro no móvel, dou dois toques e tenho as notas abertas para escrever o que me vem a cabeça. E foi o que aconteceu. Vi-me a viver cenas que tinha de relatar, que fui sempre metendo nas minhas notas, e um dia olhei para aquilo e disse “‘tá na hora”. Não preciso de muita coisa para me motivar a escrever, escrita é vida — sais, vives, respiras e crias. Há gajos que criam em terceiro plano, há outros que cospem o que não vivem. Boy, eu cuspo em primeiro plano, ao vivo e a cores, nu e cru, o que respiro e filtro ao segundo. E a maior motivação está na rua, de onde eles dizem que são mas eu nunca os vi passar.

De que forma foram criados estes cinco novos temas? Trabalhaste sozinho ou tiveste a ajuda de algum produtor?

Foram cinco dores de cabeça [risos]. Estava a viver so much things at the same time que tive de me focar em uma de cada vez para poder criar isto como de facto queria. A ordem do EP é um mix de feelings que vai do down ao “tá-se bem” e do “tá-se bem” ao “fuck it, é tudo nosso”. Era essa a ideia e está aí, done as expected. Trabalhei tudo sozinho, tive alguma condução do técnico de som no estúdio e dos meus mais chegados, mas ya, it’s all from my head. Andei “N” tempo à procura dos produtores que queria meter e com muitas horas diggin it i did it. E isso foi a missão que me demorou mais tempo.

Explica-nos o título que escolheste para o EP. Que conceito é este de Kronimil?

Kronimil é a medicação certa para o meu people. Este é um trabalho, acima de tudo, para o meu people, é a droga que mata a ressaca dos meus street heads. E repito: dos meus! Aqueles que me dão sangue e tanto me pedem para “dropar” cenas novas [risos]. Nothing but love, my guys. O fentanil é uma das maiores causas de morte nos dias de hoje nos USA e o Kronimil é uma das maiores causas de vida, get me? Mas se tomas o mambito sem receita, you know you might get f$#%\ up.

Numa tentativa de mergulhar mais a fundo na mente de quem os escreveu, que vários tipos de mensagem procuraste explorar nestes versos?

São mensagens de guerra. We’re soldiers out here! O “My Lane“ é uma dica soft, a moral é “nunca deixes que te digam que não consegues ou não podes fazer por ti”. O ”Sink or Swim” it’s thug love shit. São perguntas sem respostas que um gajo tem, são certezas over tudo que um gajo vai guardando. “G Days” é o que um gajo vive e nem espiga muito porque “i know my winners gonna win” e contado até parece mentira [risos]. But you gotta live it fam in order to see it happen“. “Viver Disto“ it’s for all my real nuttas, my real jiggas out there, é aquela mensagem para quem entrou no trap com 10 e saiu de lá com casa paga. Meus bros davam a banhada nas mesmas ruas onde hoje têm restaurantes deles e Bentleys deles parados à porta, life switches, essa é para eles e para os muitos outros out there. Finalmente, o “2 Bags“, essa é a mensagem da drena, move em altas, meu people todo a brindar, meus boys activos 24/7, não falta nada. É uma dica mais bouncy, que pessoalmente turns me up a qualquer hora do dia.


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