Ho99o9: “É difícil tentar meter o primeiro álbum cá fora”

[ENTREVISTA] Tiago Castro (SBSR.fm) [FOTOS] Alessandro Raposo / UNICER

Os Ho99o9 deram um dos melhores concertos da edição deste ano do Vodafone Paredes de Coura e mostraram que o rap, o punk e o trash metal podem existir em comunhão saudável, embora naturalmente agitada.

Tiago Castro, voz da equipa SBSR.fm, esteve à conversa com OGM e Eaddy depois da actuação no palco secundário do festival e falou sobre as passagens por Portugal, o processo criativo e o álbum de estreia, United States of Horror.

 


theogm


Antes de mais, parabéns pelo concerto. Foi incrível. Como é que foi a actuação para vocês?

[theOGM] Foi espectacular. As pessoas já estavam preparadas para a primeira canção. Antes de entrarmos, já estavam a gritar: “Horror, Horror”. Isso é energia boa.

[Eaddy] Foi bom. Este foi o primeiro concerto numa semana. Estou a dizer isto como se fosse muito tempo, mas, para nós, é bom entrar e dar-lhe com força desde o início para podermos ter o resto do concerto mais tranquilo.

Eu estava no SXSW quando vocês tocaram lá. Infelizmente, eu não consegui ver nenhum dos vossos concertos lá. No entanto, eu li sobre esses concertos. Falem-me da actuação que terminou logo na terceira canção. 

[the OGM] Na verdade foi a segunda canção. Foi no meio da segunda canção. Eu não sei o que se passou, mas as pessoas estavam tão entusiasmadas, e a sala não estava preparada, as pessoas não estavam preparadas. Nós começámos a tocar a primeira música e eles ficaram doidos. Mal começou a segunda faixa, eles cortaram a música e disseram: “o espectáculo acabou e a polícia está aqui”. As pessoas começaram à luta com a segurança porque a segurança estava a ser bastante violenta para eles. Eles não perceberam o tipo de concerto que ia ser porque os artistas antes de nós eram algo como indie soft. Nós viemos e foi forte, por isso eles não perceberam que as pessoas estavam lá para se divertir. A segurança começou a fazer aquilo e eles começaram a lutar com a segurança.

Falem-me do vosso primeiro álbum, United States of Horror: como é que foi passar do EP para o LP?

[Eaddy] Foi bastante natural porque sempre tivemos um monte de faixas guardadas. A passagem de EP para EP e da mixtape para o álbum foi realmente tranquila. Foi apenas escolher certas canções e pensar em como utilizá-las. E o artwork. Mas só é difícil tentar meter o primeiro álbum cá fora, como deves saber. Nós gostamos do que fizemos e está a correr bem.

Vocês são de Nova Iorque e mudaram-se para Los Angeles. Gravaram o álbum lá?

[theOGM] Não, nós somos de Nova Jérsia. Nós gravámos algumas coisas – umas ou duas canções mais antigas e mesmo boas e mantivemos – , mas grande parte gravámos em Los Angeles. Nós vivemos lá actualmente.

 


eaddy


As vossas canções estão a passar na rádio – também estão a passar na nossa rádio. Como é que olham para as críticas? 

[theOGM] Eu sinto-me bem. Eu estou contente que as pessoas reajam tão bem ao álbum. Eu pensei que podíamos retirar algo mais disto, mas julgo que as pessoas ainda estão a entrar na cena. É muito para digerir. Cada canção é diferente, por isso é muito. É preciso tempo para apreciar realmente. Mas até agora tem sido fantástico. Eu agradeço o amor de todos.

[Eaddy] Eu sinto que as pessoas que ouvem música e todos os géneros serão capazes de se integrar mais rápido do que alguém que ouve apenas rap ou trash metal. Tens que ter uma visão mais ampla. Eu amo todo o tipo de géneros e é assim que fazemos nossas coisas.

Como é que fazem uma canção? Tocam guitarra e começam a escrever a letra? Como é que funciona?

[theOGM] Nós fazemos a música primeiro. Também depende com quem estivermos a trabalhar: às vezes é uma jam session e sentamo-nos com toda a banda (guitarra, bateria, tudo isso) e criamos os riffs e o ritmo. Nessa altura, a música começa a conversar connosco e nós colocamos as letras por cima; outras vezes, nós estamos a trabalhar com um produtor e aí é mais uma questão de beats. Eu gosto de ouvir a música primeiro e depois escrever ao som dela porque eu tenho que senti-la para saber como rimar nos padrões. Eu posso querer rappar, eu posso querer cantar, eu posso querer gritar. Eu preciso é de ouvir a música primeiro.

Eu li numa entrevista vossa que queriam ter o melhor baterista possível para a vossa música. Como é que foi o processo de selecção? 

[Eaddy] (risos) Não é tudo sobre escolher. É também uma mistura de fé, sorte e opções, e o que tens no momento. Nós queríamos escolher o melhor baterista do mundo. Nós tivemos a sorte do nosso lado: o nome dele é Brand Pertzborn. Ele é uma máquina com 22 anos, o melhor baterista do mundo e toca connosco. Graças a Deus, ele está do nosso lado.

O momento em que as vossas canções agarraram-me foi quando estava a ouvir o vosso EP e o pedal duplo entrou e fiquei “foda-se!”

[theOGM] Quando o ouvimos a primeira vez a fazer isso fiquei: “Wow! Sim. Tu!” (risos)

Falem-me do vosso concerto no ano passado. Eu tinha sido operado uma semana antes e tinha um buraco na minha barriga. Foi a vossa primeira vez cá, certo?

[theOGM] Yeah! Foi bastante bom, na verdade. A primeira vez foi bastante boa. Nós não sabíamos o que esperar. Era um festival mais pequeno e tinham apenas dois palcos. Quando estavam a tocar num palco, o outro estava parado e as pessoas trocavam constantemente. Para primeira vez, eu penso que foi fantástico. Acho que desta vez foi melhor porque as pessoas já tinham ouvido falar sobre nós. Se tocares bem na primeira vez, as pessoas vão passar a mensagem.

E vai acontecer na próxima vez…

[theOGM] A terceira vez vai ser tipo: “Ahhhhhhhh”. Nem vamos ser capazes de andar na rua (risos).

Para terminar, quero propor um desafio: ligavam a rádio e existia uma música que esperavam ouvir. Qual seria a faixa?

[the OGM] Damn! Onyx, estes gajos aqui [aponta para a t-shirt]. “Slam“.

Porquê?

[theOGM] Eles são um dos meus grupos rap favoritos de sempre e eles são da Costa Este e eles foram um dos primeiros gajos do rap a trazer a energia do mosh para as rimas. Ninguém estava a fazer o que estes gajos fizeram. O álbum deles saiu em 92/93.

[Eaddy] Eu tenho ouvido uma canção incrível dos Ministry intitulada “TV 2“. É trashy, estranha e soa bastante bem!

 


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