Hip to da Hop: Já podem ouvir duas músicas da banda sonora do documentário sobre hip hop português

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados

A caminhar a passos largos para a estreia no IndieLisboa, o Hip to da Hop continua a mostrar do que é feito. Desta vez, temos direito a um pedaço da banda sonora: “Brinde” e “Welcome Jackson”, duas canções originais que foram compostas por Cláudio Martins (sleep在patterns) e Rafael Bento (Lost Soul) — juntos formam um grupo chamado Strolinflows –, estão disponíveis em exclusivo no SoundCloud do Rimas e Batidas.

A par de Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes, de Catarina David e Francisco Noronha, Hip to da Hop é um dos destaques umbilicalmente ligados ao hip hop nacional na programação dedicada ao universo da música no festival.

A música dos filmes vai ser homenageada com uma festa na Casa Independente. No dia 9 de Março, a partir das 23 horas, os autores da banda sonora do filme documental criado por António Freitas e Fábio Silva serão, a convite dos programadores Carlos Ramos e Mickael Gaspar, os convidados do evento.

Tudo isto é a desculpa perfeita para falar com Cláudio e Rafael. Uma curta entrevista que podem ler de seguida:

 



Como é que surge a vossa ligação com a cultura hip hop?

[Cláudio] Inicialmente, o hip hop enquanto música sempre captou mais a atenção do que a questão da cultura em si. Pnso que foi da mesma forma de como me liguei a outras artes na altura, como desenho, fotografia, vídeo, entre outras… Todas representam algo de uma forma única e singular no sentido em que as podemos misturar e esse sempre foi um dos motivos principais que me levou a querer perceber o que isto era realmente. O hip hop possui tantas influências de tantos géneros e são tantas as formas de expressão possíveis que acaba por se tornar mais num estado de espírito, numa forma de comunicação que, de certa maneira, sinto que se transpôs para o meu pensamento através de tudo o que me influenciou até hoje. Permanecer e entender o hip hop enquanto cultura, tudo isto a partir de referências que acredito que não só contribuíram para um crescimento positivo da cultura como no meu envolvimento com a mesma.

[Rafael] A minha ligação com a cultura hip hop sempre esteve anexada à vontade de fazer música, de saber mais sobre o assunto e, quem sabe, tocar mesmo um instrumento. Lembro-me de estar no 3º ou 4º ano e o Fábio Silva, um dos realizadores do Hip to da Hop, emprestar-me um CD gravado de um álbum do Eminem e foi aí que tive o primeiro contacto com o género. Sempre com a ideia de tocar guitarra ou bateria, embarquei numa precoce aventura musical que começou com a guitarra numa igreja e que evoluiu depois mais tarde para uma orquestra numa antiga escola minha. Há cerca de um ano e meio, conheci o Cláudio e foi aí que começamos a fazer jams. Foi assim, quase sem querer, que começámos a fazer os nossos primeiros beats, o que mais tarde também fez com que também começasse a produzir os meus próprios beats.

Criar bandas sonoras era algo que já queriam fazer?

[C & R] De certa maneira, já estava subentendido o aspecto visual da nossa música, o que veio a tornar-se mais explícito com esta oportunidade de produzir som especificamente para o Hip To Da Hop, tornou-se numa confirmação e numa nova fonte de possibilidades para o nosso trabalho. Agora podemos pensar de forma diferente ao compor o que quer que seja baseado também nesse mesmo estímulo visual que, no fundo, é sensorial. No final, traduzir isso por imagens acaba por trazer uma espécie de coerência com o que estamos agora a fazer e o que já fizemos. É esta diferença e esta evolução que acaba por se tornar numa transformação constante e uma capacidade de adaptação que nos obriga sempre a exceder os nossos supostos limites.

Qual é que foi a vossa principal preocupação ao criar a banda sonora para o documentário?

[C & R] A principal preocupação começa sempre na forma como tudo vai fluir. A partir desse princípio, torna-se mais fácil moldar tudo. No entanto, acaba por ser distribuída consoante o que é preciso ser feito de momento e isto ajuda a aliviar qualquer tipo de pressão, isto para dizer que tivemos e não tivemos preocupações na execução da banda sonora. Temos partes que nos exigiram mais que outras e outras que podem até ter sido criadas em questões de minutos, um exemplo de como pode ser esporádica também a vontade e a facilidade que por vezes sentimos a criar o que quer que seja. Este projecto tornou-se um exemplo disso mesmo por todo este processo.

 


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Numa altura em que o hip hop tem tanta atenção, acham que é importante ter este tipo de documentários a falar sobre outros aspectos da cultura que nem sempre são tão visíveis? 

[C & R] Sim, é sempre bom ter diversas perspectivas para que a cultura em si se torne mais sólida e unida. Dito isto, no geral e não falando apenas do hip hop enquanto género mas da música enquanto arte que abrange todas as outras, é importante haver diversidade para que haja evolução e este documentário retrata isso mesmo. A modulação entre imagem e som é mais um aspecto disso.

Vocês já viram o documentário, ao contrário de grande parte das pessoas. Se tivessem que as convencer a ver, o que é que diriam? Quais são as suas principais qualidades? 

[C & R] As principais qualidades são ,sem dúvida, a diversidade de perspectivas que são recolhidas ao longo do filme. Conseguimos perceber de onde é que o género apareceu, quando, onde, os seus principais pilares, a sua essência e o estado actual em que o podemos encontrar nos dias de hoje.

 


https://www.youtube.com/watch?v=PhyypqmndiI