Guia ReB para a segunda edição do Impulso

[TEXTO] Pedro João Santos [FOTO] Manuel Abelho

Junho aproxima-se a passos largos: o primeiro mês de um Verão que se anuncia vivo, generosamente temperado com música. Música essa que nos hidrata entre decisões de vida e morte, que nos faz correr de palco para palco, aquela em que nos perdemos novamente na ressaca de um bom concerto. Todos sabem do que estamos a falar — mas não é preciso esperar até lá.

A época de festivais avizinha-se e não há tempo de recarregar a bateria; há que fazer já à estrada. Desta quinta-feira até sábado, há uma oportunidade de ouro: o Festival Impulso aterra nas Caldas da Rainha para a sua segunda edição. Chega mais atento às novas rupturas do jazz e joga com a electrónica que tão bem nos despista, cruza caminhos entre artistas e leva-nos à igreja. O Rimas e Batidas traçou um dos vários percursos possíveis para estas três noites: mexam-no, corrijam-no, adaptem-no como quiserem. Com o vosso bom gosto e a curadoria do Impulso, não podem falhar.



Se seguirem a nossa palavra, a noite de quinta-feira será longa, mas reservamos tempo para calcorrearem a cidade e descobrirem os espaços. Às 16 horas, podem fazê-lo ao som de João Pais Filipe, que terá a honra de reabrir a Igreja do Espírito Santo. Traz o seu álbum homónimo de 2018, exploração do seu “ethno-techno”, que mereceu no Jazz.pt a nota máxima de Rui Eduardo Paes. Duas horas depois, a onda jazzística estende o seu alcance à Fábrica Bordalo Pinheiro, pelas mãos do grupo cuja alma se alimenta de Hiatus Kaiyote ou J Dilla: se ainda não sabem o nome dos Mazarin, é boa hora para o decorarem.

“Um circo viajante”: assim se descrevem os ZA!, duo que vem de Barcelona, com a sua polirritmia electrizante, para o Palco Sul; actuam às 20h45, precedendo a actuação dos HHY & the Macumbas no mesmo palco onde, pela 00h30, farão uma espécie de rave etnográfica enquanto erguem o seu Beheaded Totem. Rumo ao (Palco) Norte e encontraremos um nome que, a esta altura do campeonato, dispensa apresentações — só não atirem objectos aos seus crocodilos: o mestre Bruno Pernadas actua às 22h30. A partir da 01h45, a festa faz-se na Fábrica Bordalo Pinheiro: a primeira ronda fica a cargo de Aurora Pinho, cuja electrónica subversiva se funde com a performance — desafio intrínseco é apenas naturalidade. Segue-lhe, às 02h30, a DJ e produtora Violet, em formato b2b com Marum, residente das festas da Mina.



No dia 24, sexta-feira, o Palco Sul será capaz de monopolizar a vossa atenção. Pelas 20h45, somos convidados a entrar no mundo invisível, místico dos Beautify Junkyards, projecto coordenado por João Branco Kyron. Às 22h30, poderemos presenciar a nova Aurora dos Sensible Soccers, cujo som, nesse disco, “amplia-se e torna-se mais colorido e abrangente”, como se pode ler na crítica do Rimas e Batidas. Terão de aguardar duas horas até que Allen Halloween faça a sua aparição — um período razoável, considerando que ainda esperamos Unplugueto, mui aguardado disco de que talvez ouçamos material.

Não se deixem, todavia, ficar confortáveis: pelas 23h30, façam um desvio no sentido oposto, ou perderão o grande fenómeno nacional de 2019. Pelas 23h30, no Palco Norte, será Conan Osiris (ao lado do bailarino João Reis Moreira) que se apresentará diante de nós, já regressado de Telavive e, esperemos, com o tele-… não, não vamos tentar ser engraçados. Recuperem o fôlego para chegarem sãos a Pedro Mafama — que recentemente nos presenteou com “Lacrau” — à 01h45 na Fábrica Bordalo Pinheiro, antes de um nome de proa na Príncipe: DJ Marfox, que traz a sua Chapa Quente às 02h30.



Os First Breath After Coma são os nossos escolhidos para inaugurarem o vosso último dia pelas terras frutíferas do Impulso. Com o álbum visual Nu na bagagem, indicativo de um ponto de viragem sónico para os leirienses, chegam ao Palco Norte às 21h30. Poderão aguardar pelas 23h30 para a actuação de Pedro Coquenão no formato Batida DJ, mas o recomendado é que, antes, às 22h30, se instalem no Palco Sul para saborear o retorno de Francisco Fernandes enquanto Ângela Polícia, com o novo disco Apùtece-me! — que estreou no gnration em Março e é esperado a qualquer momento.

O sábado conclui novamente na Fábrica Bordalo Pinheiro, com o “colectivo de mentes criativas” ou “abelhas obreiras” que são os Colónia Calúnia. À 01h45, trazem o aclamado e inortodoxo álbum [caixa] e o EP de estreia de Caronte, MONRÓVIA. O ponto final vem às 02h30: a cena rave, o UK bass, o machine funk e muito mais mesclam-se no Capital Decay Showcase, com actuações de Hangcloser, Kara Konchar (Atila) e Neurodancer.

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