Filhos do Rossi é o EP de estreia dos Wet Bed Gang

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Bernardo Lima Infante

Um dos trabalhos mais esperados do ano acaba de ser disponibilizado. Filhos do Rossi é o primeiro EP dos Wet Bed Gang, quarteto composto por Gson, Zara G, Kroa e Zizzy. O Rimas e Batidas também pode avançar em primeira mão que Pôr a minha vida no teu ouvido vai ser transmitido a 6 de Junho na RTP2.

Não Tens Visto“- que tem um vídeo que conta com mais de 3 milhões de visualizações em pouco mais de um ano – foi o primeiro sinal de que os WBG estavam nas bocas do mundo. Para quem nunca o ouviu, resumimos: um autêntico banger que contava com o agora reconhecido fast flow de Zara G e a elasticidade vocal de Gson.

 


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O título do trabalho de estreia é uma homenagem a João Rossi, o fundador do grupo que faleceu aos 28 anos. Em conversa com o Rimas e Batidas, Kroa conta como é que decorreu o processo de criação: “Manteve-se dentro do padrão inicial, juntar todos os membros do grupo em estúdio. Levar uma ideia base e explorar depois o tema ao máximo, com uma particularidade especial neste projecto de incluir todos os membros em praticamente todos os temas”.

“Todos Olham” foi o primeiro avanço do EP e Kroa fala sobre a caminhada até aqui: “Temos vindo a trabalhar em temas praticamente todo o ano, o EP Filhos do Rossi é uma selecção pormenorizada das músicas que, no nosso ver, são as mais indicadas para matar um pouco a fome de quem nos acompanha. É só o volume 1 portanto algo mais se avizinha para além deste lançamento. Estamos sempre a trabalhar.”

 


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Jimmy P é o único feat. creditado na contracapa do EP, mas existiram outros colaboradores. “Tivemos algumas colaborações que nos permitiram chegar a uma sonoridade mais peculiar em alguns instrumentais. Acrescentando guitarras e baixos e outros instrumentos nos beats já construídos. Fica um agradecimento especial aos próprios pela disponibilidade e apoio dado ao projecto. Nomes esses como Frankie Baptista e El Conductor, entre outros”, revela Kroa.

Essa Life é Good“, uma das faixas que serviu como antecipação, termina com uma variação para afrotrap, algo novo na arquitectura sónica dos WBG, o que levou Zara G a frisar ao Rimas e Batidas o encontro com “algumas vibes mais alternativas” no EP, prova de que os desafios não são algo que assuste o grupo.

 


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No último ano, tudo mudou. Zara G e Gson emanciparam-se, mas nunca abandonaram o grupo: o primeiro brilhou com “Mudei” – tema que fez parte das 19 músicas nacionais que marcaram 2016 – ou “Time”, faixa em que recebeu o convite de Mishlawi para adicionar um verso; o segundo foi convidado para entrar em singles de Slow J, Lhast ou Here’s Johnny, três nomes que são o presente e futuro do panorama nacional.

Num dos teasers para este novo trabalho, dizem, de forma provocadora, “que safoda o rap tuga, o rap tuga que se adapte a nós”. Se existe uma nova geração que se guia por regras diferentes, os Wet Bed Gang são, sem sombra de dúvida, um dos destaques nesse pelotão. Sobre uma transição no rap nacional, a palavra é de Zizzy: “Transição acho que não. Isto é hip hop, é música, e a música não tem de estar dividida em prateleiras do preto, azul, amarelo ou branco. É música e cada um tem a sua forma de a abordar, sendo que hoje em dia o rap em Portugal é muito mais diversificado no sentido de não ser só o ‘tradicional’. E isso é um aspecto positivo porque há misturas de vibes e ritmos e é algo que só nos vem enriquecer culturalmente (..) O nosso objectivo é simplesmente fazer, viver e respirar música 24 horas por dia durante os 7 dias da semana e poder viver somente disso. Sem desrespeitar ninguém, mas sabendo do valor que temos, estamos a assumir um legado importante e que o mundo vai conhecer. Já fizemos história no bairro, queremos fazer história a nível nacional e tudo o que vier a partir daí é bem-vindo.”

“Nós não esperamos nada, não há expectativas, só há a certeza de que o trabalho é feito e entregue a quem quiser consumir”, assegurou-nos Gson. Nós aproveitamos a deixa: sem mais demoras, está na hora de meter a rodar o novo trabalho dos Wet Bed Gang.