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Fotografia: Dios Albuquerque

Se a vida te der limões, faz um disco.

[Estreia] VULTO. sobre Raul Muta: “Acho que é dos gajos que está a fazer das cenas mais únicas neste momento”

Fotografia: Dios Albuquerque

Em estreia no ReB, “Limões” abre caminho para AS IRMÃS REÚNEM II, encontro musical organizado por VULTO.. Raul Muta acompanha o produtor neste primeiro avanço do segundo volume da série iniciada em 2015.

Recentemente, Muta, um nome a merecer mais atenção, reclamou o seu espaço de forma mais audível em “Marginal“, canção que fez parte do álbum dos SoulProviders, lançado em 2019. No entanto, o artista também conhecido como Pedro, O Mau cruzou-se com os versos do rapper em 2015 e ficou com o bichinho para trabalharem juntos; cinco anos depois, o homem sombra concretizou esse amor antigo (e “Limões” e “Limas” são os primeiros resultados desta relação musical que se espera duradoura).

O projecto, que fica disponível amanhã, junta ainda xtinto, L-ALI, Jota, Caronte, LORD, YOUNGSTUD, Maior Major, Igor, Chapz e Luis Gabriel nos créditos.



Começo por te perguntar sobre o Raul Muta, que rima neste “Limões”. Isto é a primeira vez que trabalhas com ele, certo? Como é que chegaste ao Muta e porque é que decidiste convidá-lo para trabalhar contigo?

Ouvi o Muta pela primeira vez por volta de 2015, num vídeo que está no YouTube, “Intro (Presente)”, e desde aí fiquei com vontade de fazer alguma coisa com ele. Entretanto, o tempo passou e acabou por nunca se fazer nada. Até que um dia voltei a falar com ele e ele aceitou experimentar fazer umas faixas. Acho que é dos gajos que está a fazer das cenas mais únicas neste momento, no que toca a rappers/vocalistas.

Tens muitos pesos pesados neste longo alinhamento: o que é que procuraste na malta que levaste para gravar estes temas contigo? Falando dos novos colaboradores, claro.

Acima de tudo, procuro sempre uma espécie de assinatura única e que, na minha perspectiva, fuja um pouco ao “estereótipo” de rapper, e que dentro dessa visão tenham qualidade de escrita e entrega. Não tenho propriamente um critério definido. É meio o que eu gostar e achar que funcionaria bem naquilo que ando a fazer.

Por falar em longo, quanto tempo é que andaste a trabalhar neste disco? Em que ano ficou fechada a faixa mais antiga deste trabalho? E a mais recente, já agora.

Não sei bem quanto tempo estive a trabalhar na compilação. É tudo meio que cinzento nesse sentido. Desde que percebi que o pessoal curtiu mesmo da primeira edição, fui sempre pensando em maneiras de fazer outra do género. Com a quarentena (e o tempo livre que tive nessa altura), começou a ser cada vez mais urgente fechar este projecto de vez. Grande parte dessas faixas foi gravada e/ou fechada durante esse período. A primeira de todas diria que foi feita em 2017/2018 e a última há um mês.

Passas de menos de 10 faixas no primeiro volume desta série para 30. Há aqui algum tipo de statement ou simplesmente juntaste mais faixas desta vez?

Uma das razões para ter muito mais faixas foi ter também mais instrumentais, skits, etc. Foi muitas vezes mencionado que tinha faltado isso na primeira e eu acabei por concordar. Fora isso, entretanto passaram uns anos e eu próprio também me senti mais confortável para esticar um bocado mais o número de pessoas com quem poderia/queria colaborar. Tudo muito natural, não houve propriamente um esforço nesse sentido.

Em termos estéticos, procuraste seguir algum caminho? Há momentos muito diferentes durante o disco.

Esteticamente falando, acho que só tentei procurar manter uma linha mais “escura” no tipo de beats. No entanto acabei por ter muitas coisas diferentes nesse “estilo”. Representa também um bocado as fases que fui passando nesse entretanto. Vê-se mais coisas na onda do que tenho feito ultimamente ao mesmo tempo que se vê o registo que fazia antigamente, mas uns aninhos depois.

A ideia é continuares a trabalhar com as novas caras que apareceram aqui? Fazer coisas mais longas de forma individual com cada um, digo.

Honestamente, a minha maior intenção agora seria fazer uma pausa na produção para rap e começar a pensar em fazer coisas com vocalistas mais melódicos. Há muitos anos que queria ter um projecto com uma voz feminina a cantar e é o que mais tenho procurado ultimamente. No entanto, sim, claro que estou sempre aberto a fazer mais e continuar. E quem sabe se de repente não há essa oportunidade de fazer algo só com uma dessas caras novas. Nunca digo que não a projectos.


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