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Fotografia: Shootsounds
Publicado a: 05/02/2024

Em vídeo-concerto multicolorido.

[Estreia] Unsafe Space Garden ao vivo no Madison Space Garden

Fotografia: Shootsounds
Publicado a: 05/02/2024

Os Unsafe Space Garden dão nova vida ao universo de WHERE’S THE GROUND?, um dos discos de rock mais interessantes editados em 2023 em solo português. 

Agora, o rock psicadélico, colorido e efervescente da banda de Nuno Duarte, Alexandra Saldanha, Filipe Louro, José Vale, João Cardita e Diogo Costa, é transportado para um local que captura a essência da banda ao vivo: transformar malhas de rock absolutamente ruidosas em experiências sensoriais transcendentes e divertidas. O resultado é Live From Madison Space Garden (não confundir com Madison Square Garden), um vídeo-concerto realizado pelo Coletivo Ovo Estrelado que captura a energia dos Unsafe Space Garden ao vivo de forma fiel.

Um pouco mais de meio ano depois da última conversa do Rimas e Batidas com a banda de Guimarães, voltámos a entrar em contacto com os USG — eles que já fazem parte do cartaz do regressado Bons Sons, do festival de showcases galês Focus Wales e do Festival Ponte d’Lima — para sabermos como correu a sua segunda metade de 2023 e como surgiu este vídeo-concerto.



Já se passou mais de meio ano desde que falamos pela última vez. Como correu a segunda metade de 2023 para os Unsafe Space Garden?

Foi uma segunda metade bem feliz. Pudemos tocar muito, conhecer muita gente maravilhosa, passear pelo país a fazer o que mais gostamos, e desfrutar de muita da música maravilhosa que existe de momento por aí. Estivemos em festivais incríveis como o Tremor, o Primavera Sound Porto, o Black Bass, o Basqueiral, o Rodellus, etc. Basta meterem-nos em cima do palco que os nossos medidores de alegria crescem exponencialmente. Para além disso fizemos esta live com a qual estamos super contentes e ainda fizemos um outro vídeo com uma pessoa muuuuuito especial. Mais sobre isso em breve!  

Este Live From Madison Space Garden é provavelmente a coisa mais divertida que alguma vez uma banda do underground português fez. Como surgiu a ideia para este vídeo-concerto?

Que bom, muito contentes com isso. Nós inicialmente queríamos fazer um videoclip para a  “ISN’T THIS IDEAL?”, mas também queríamos fazer uma live-session especial para o WHERE’S THE GROUND?. Não tínhamos propriamente tempo nem orçamento para duas produções destas, portanto pensámos: “E se isto fosse um videoclipe, mas também fosse um live?”. Um dia, o Filipe mostrou-nos vídeos do Beat-Club, um programa de televisão alemão dos anos 60 e 70, que contou com actuações icónicas de bandas como Black Sabbath e King Crimson. As performances eram gravadas ao vivo em estúdio e com recurso a chroma-key. Este foi o momento em que se acenderam luz, lâmpadas e faróis nas nossas cabeças. Depois deixámos em aberto o que iria de facto ser este vídeo, porque as possibilidades neste contexto são infinitas e deixámos que o rumo naturalmente se fizesse do encontro entre nós e de quem iria abraçar connosco este projecto. Acabámos felizmente por chocar isto com o Coletivo Ovo Estrelado, que nos encheram o coração e as de ideias. Foi uma experiência incrivelmente divertida trazer isto à realidade.

Tenho ideia de já terem falado do Alejandro Jodorowsky numa entrevista e a primeira coisa que me veio à cabeça com o surrealismo deste vídeo-concerto foi os filmes dele. Que impacto teve alguém como o Jodorowsky na criação do universo de Unsafe Space Garden?

Ver o Holy Mountain foi um momento super marcante para nós. Foi talvez a primeira vez que um filme nos prendeu do início ao fim. Pareceu que ficámos em suspenso o tempo todo como se nos tivéssemos esquecido de existir. No fim foi o derradeiro golpe na alma. A experiência do Holy Mountain acelerou-nos de tal forma que no fim só havia silêncio. Ficámos boquiabertos, em êxtase e confusos, e com a sensação de comunhão com alguma coisa que não entendemos muito bem o que era. Daí surgiu uma música no nosso primeiro disco Guilty Measures chamada “Holy Mountain”, que tenta passar um bocado dessa experiência. A partir daí o Jodoroswky tornou-se uma figura que acompanha todo o nosso trabalho. Desde o Panic Fables, que é um apanhado de bandas desenhadas de uma página que ele fazia para o jornal El Heraldo, que são absolutamente geniais, aos documentários e todos os filmes. Vimos mais recentemente o Endless Poetry. Há uma cena em que a personagem principal corta uma árvore quando se sente completamente desprezado pela família. Aquilo mexeu-nos no código de tal forma que está a dar uma nova música que constará certamente no nosso próximo disco. Portanto o impacto do Jodorowsky em Unsafe Space Garden é TOTAL!

Os Unsafe Space Garden são reconhecidos pelas suas performances ao vivo e este Live From Madison Space Garden captura esse vosso lado mais afincadamente que os vossos discos. Concordam com essa afirmação?

Sem dúvida! A live permite que se sinta mais a urgência do contexto de concerto. Um disco pode encapsular por completo todas as intenções e sensações do processo real de uma música, mas nada se equipara à experiência de uma banda em tempo real a viver aquela música: a pinchar, a berrar, a chorar e a rir por ela. As músicas quando passam para um palco, tocadas para um público durante algum tempo, ganham outra vida. O mesmo acontece dentro do contexto de banda quando as ensaiamos bastante tempo. Passado uns meses, já não são bem as mesmas porque ganham identidades mais vincadas com o pó mágico das pessoas que as estão a tocar. São ativadas. Isso é difícil de conseguir numa gravação em estúdio com as limitações da vida real de um músico.

Fiquei a pensar se com este vídeo-concerto não existe o objetivo da vossa parte de tentar fazer chegar a música dos Unsafe Space Garden a mais cantos do mundo. Há planos para tentar levar a vossa música fora de portas?

Há planos, há sonhos e intenções. Queremos muito tocar este e muitos outros discos que estão para vir pelo mundo, e já temos algumas datas marcadas lá fora. Queremos multiplicá-las e cantar e berrar por todos os palcos. Há muito do nosso humor que é exclusivamente português, mas há uma porção do que fazemos que é transversal, e que pode ser relevante. Portanto é definitivamente um dos objetivos, temos o GABINETE DA MANIFESTAÇÃO a trabalhar horas extra.

Como foi trabalhar com a malta da Ovo Estrelado para criar este vídeo-concerto?

Foi inacreditável. Por vezes não é nada fácil juntar-se forças com outras pessoas e conseguir resultados fluidos e sinergéticos, mas neste caso foi o tal mar de rosas. O dia longo de gravações que fizemos no estúdio de vídeo da Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD) foi dos mais alegres e divertidos que esta banda já teve. Tudo correu às mil e quarenta maravilhas apesar de estarmos pressionados de tempo. De repente o dia estava terminado, com tudo feito, e ainda com tempo para gravar cerejas no topo do bolo (que foram cruciais para trazer este “vídeo-concerto” até ao resultado que agora se vê). Foi também graças a eles que fizemos a intro tipo sitcom, que se pincelou o chroma com ilustrações e fundos da BD do WHERE’S THE GROUND? e claro toda a panóplia incrível de multiplicações e desmultiplicações na edição. O Ovo Estrelado é uma espécie de colectivo camaleão, com várias pessoas para diferentes projectos, e aqui contámos com o Luís Sobreiro e o Bernardo Oliveira que nos deram um grande abraço. São duas cabeças fascinantes e pegaram naquilo que queríamos e elevaram ao cubo. Foi um verdadeiro abraço. Sentimo-nos mesmo sortudos em poder trabalhar com eles. Certamente para repetir no futuro, porque a experiência pareceu uma série de combos daqueles que se fazem no Tekken!

Na conversa que tivemos o ano passado, falaram de um disco em português. Este ano já estão anunciados para tocar no regressado Bons Sons. Antes desse concerto, podemos ficar à espera do lançamento desse disco?

Gostávamos muito, mas não podemos prometer! Era muito bom ir ao magnífico Bons Sons com um disco totalmente cantado em português, mas isto depende dos astros e de para aí mais 79 coisas diferentes. Podemos dizer que talvez haja uma ou outra cantiga que possa lá ser estreada ao vivo. Talvez antes saia um single. Tudo suposições, porque ainda estamos com o projecto em fase de apreciação no gabinete de Escavação Municipal da Nata Criativa. Está a ser revigorante. No entanto, para já o foco é levar este Live From Madison Space Garden até aos confins da Internet e dos corações dos carinhosos seres humanos que nos querem ouvir e ver. Mas se este disco em português for um pão de ló, podemos dizer que já temos o açúcar e os ovos batidos e abraçados.


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